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LUISA MELL é exemplo de mulher bonita e batalhadora. Ela é apresentadora, atriz, cantora, se formou em Direito, e hoje é reconhecida pelo seu trabalho em defesa dos animais. |
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LOGRADOUROS JORNAL - Você é reconhecida pelo seu trabalho em prol dos animais. Isso começou com o Late Show ou vem de antes?
LUISA MELL – Começou com o Late Show, que era um projeto do meu pai. Um pouco antes a gente havia adotado uma vira-lata, e começou aquele amor, né? Quando você tem um animal e convive diariamente, você percebe o que é esse amor. Aí meu pai criou o programa, e quando eu comecei a gravar, eu já senti que ia amar, porque fui fazer uma matéria na carrocinha, e naquela época ainda sacrificavam os animais depois de três dias. Na hora que eu entrei naquele corredor da morte, os cachorros desesperados, latindo e pedindo, eu vi que eu tinha mesmo uma missão, que eu poderia usar o espaço do programa pra mudar a realidade. Foi o que eu tentei fazer, consegui muitas coisas, e conforme você vai se envolvendo, vai descobrindo mais barbaridades, porque quase tudo tem exploração animal. Então comecei a ver o circo e lutar pelo fim dos animais lá, e conseguimos aprovar essa lei em São Paulo, e agora no Brasil.
LJ – Você tem planos de voltar à televisão?
LM – Tenho um projeto para voltar esse ano, mas ainda não posso falar por qual emissora. Mas assim, é muito louco, porque faz tempo que eu estou fora do ar, e em todo o lugar que eu vou, as pessoas vêm falar do meu trabalho, é uma coisa que fez história na TV mesmo, que deixou uma marca. Eu tenho muito orgulho do trabalho que eu fiz. É um trabalho difícil, porque envolvia o meu sofrimento também de ver aquelas coisas, mas eu tinha que ter força para reverter a situação. Não consegui mudar tudo o que eu queria, mas acho que dei muitos passos.
LJ – Você acha que sofre preconceito por ser mulher, por ser bonita? Porque há aquele estereótipo, queira ou não.
LM – Infelizmente o preconceito existe sempre. Eu sou judia, um povo perseguido, sou loira... (risos) comecei a trabalhar na TV, então é o estereótipo perfeito da “loira burra”, e ainda fazia um programa muito emotivo, onde chorava muitas vezes, então algumas pessoas queriam ridicularizar o meu trabalho. Mas a verdade sempre aparece. Em um primeiro momento posso ter sido motivo de piadinha, algumas pessoas tiveram preconceito, mas quem acompanha meu trabalho viu e vê até hoje, sabe que é sério, então aprendeu a respeitar. Mas é óbvio que todo o tipo de preconceito é ridículo e burro, mas com trabalho e dedicação você consegue superar isso.
LJ – Você também é atriz e formada em Direito. Tem exercido alguma dessas funções ultimamente?
LM – Na verdade em Direito eu me formei, mas nunca gostei muito. Mas acabei usando muito para ajudar os animais (risos). É um conhecimento que fez sentido na minha vida. No teatro, eu fiz uma peça ano retrasado, que deve voltar no meio do ano, e agora eu estou fazendo aulas de dança e canto, porque quero fazer um musical.
LJ – Você se diz uma “ex-gordinha”, que era viciada em laxantes e inibidores de apetite. Como você se livrou disso, e o que acha da obsessão que as mulheres têm pelo corpo perfeito?
LM – Na adolescência, principalmente, é muito complicado. Tudo muda, os hormônios mudam, e você está insegura, submetida ao julgamento dos outros, que muitas vezes é cruel. E você ainda não aprendeu a lidar com a sua comida, então quanto mais regime você faz nessa época, mais você engorda, mais eu tinha vontade de comer, e isso foi se tornando uma bola de neve. Então, eu era determinada, queria emagrecer e tentei de tudo. Você tenta as coisas mais fáceis, que tem um resultado rápido para a festa do final de semana, então eu tomava laxantes e os inibidores. Mas quando você vai ficando mais velha, sua percepção muda. Você vê que a vida é longa e seus atos tem consequência, e os efeitos desses remédios a longo prazo são devastadores. Então eu quis emagrecer para sempre e aprendi a comer. Para todo mundo eu digo “não faça regime, aprenda a comer” (risos). Por exemplo, nos finais de semana eu como um pouco mais, umas bobagens, mas na segunda-feira eu volto à minha rotina de coisas saudáveis, como verduras, legumes, arroz integral, que automaticamente eu perco esse excesso do final de semana.
LJ – E hoje você é feliz com seu corpo?
LM – Sou. Ah... (risos) Como toda mulher, a gente nunca está totalmente feliz, mas eu estou. Não tenho mais problema de engordar, já sofri muito com isso, malho e vivo minha rotina como tem que ser. Acho que não tem muito segredo, é malhar e comer direito. Depois você começa a ter prazer por isso, e quando você não faz, sente falta.
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CARLINHOS DA SILVA, também conhecido como o Mendigo, é humorista do Show do Tom, da Record. Ele fala sobre o humor na televisão, sua carreira e a participação no reality show A Fazenda. |
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LOGRADOUROS JORNAL - Dia 26 de fevereiro é dia do comediante. Qual a sua opinião sobre o humor hoje na televisão?
CARLINHOS DA SILVA - O humor que tem na televisão hoje é para todos os gostos. Tem gente que gosta de um humor mais escrachado, tem gente que gosta mais de humor negro, de humor inteligente. Tem humor para criança, pro mais velho, que é mais crítico, às vezes também um humor mais apelativo ou até mesmo sarcástico. Então agrada a todo mundo, tem o Show do Tom, Praça É Nossa, Zorra Total, Pânico, CQC, acho que opção não falta. Acredito que a TV brasileira está bem servida.
LJ - Dentro desses estilos, como você se define?
CS - Então cara, meu humor é sarcástico, é um humor negro, humor de moleque mesmo. Sabe aquela turma do fundão da classe, que gosta de bagunça? Eu gosto de brincar, eu fazia o Pânico, que tinha um humor mais pra esse lado, agora faço o Show do Tom, que tem um humor mais roteirizado, mas também bacana de se fazer. Eu estou trabalhando com o Tom Cavalcante, que é um dos maiores e mais completos humoristas do Brasil.
LJ – E o que você acha daqueles que dizem que você pega pesado com as mulheres, quando pede para elas “darem a pata”?
CS – Isso aí, quando eu ando na rua às vezes as pessoas falam “adoro quando você pede a pata, quando fala da crina”, e tem gente que não gosta. Mas a gente não pode agradar a todo mundo. Mas uma coisa que me dei bem foi em A Fazenda, porque muita gente não gostava de mim pelo humor que eu faço, e achava que eu realmente era assim, e eu mostrei que eu não sou. Brasileiro confunde a pessoa com o personagem, né. O ator depois de um mês de novela, quando sai na rua, nego xinga ele.
LJ – Já que você falou de A Fazenda, o que você tirou de bom e de ruim dessa experiência?
CS – De ruim, foi conviver com pessoas totalmente diferentes de você, e você tem que se dar bem ali. Ainda bem que eu sou um cara comunicativo, me dou bem com todo mundo e faço amizade fácil. Esse é o lado ruim, você fica preso, não tem acesso a nada, não tem contato externo, você sente falta de amigos, do trabalho, até de coisas simples, que você não dá valor. Na Fazenda ninguém conhecia o Carlinhos de verdade, a minha personalidade, meu jeito de ser, meu lado amigo, e as pessoas puderam me conhecer fora dos personagens.
LJ – Você era um dos mais populares lá, por que acha que não ganhou?
CS – É... (risos irônicos) Aí eu já não sei, não posso falar. Mas é o que eu falo pra todo mundo, o mais importante eu ganhei, que é o carinho das pessoas. Às vezes o dinheiro não é tudo, né? Não ganhei um milhão de reais, mas ganhei um milhão de amigos e admiradores, e eu fiquei feliz. Eu tinha medo de me queimar lá dentro, mas foi totalmente o contrário.

LJ – Hoje todo mundo conhece sua história e a exposição que houve dos seus pais na mídia. Como está o relacionamento com eles hoje?
CS – Igual como antes. Eles no canto deles, eu no meu. Não tenho vínculo sentimental nenhum com eles, nem quero criar hoje, depois de meus 29 anos de idade. Estou bem assim. Sofri sozinho, cresci sozinho, então prefiro colher meus frutos sozinho.
LJ – Dos personagens que você faz, o que mais se identifica é o Mendigo. Como ele surgiu?
CS – Eu trabalhava na rádio (Jovem Pan) mas ainda não fazia o Pânico. E a gente gravava umas vinhetas na rua e falava para os mendigos “canta uma música e no final você fala ´eu ouvo (sic) o Pânico´”. Aí tinha um mendigo muito engraçado, chamado Alexsandro, e eu comecei a imitar esse cara. Aí o Emílio (Surita) falou “caramba, igualzinho” e começou a dar risada e me mandou falar na rádio. E eu tinha muita vergonha de falar no microfone, mas deu certo. Aí fiquei fixo lá e comecei a fazer imitações.
LJ – A Jovem Pan e o Pânico têm uma importância muito grande na sua carreira e na sua vida, não é?
CS – Claro. Ali comecei, e ali foi minha escola. O Emílio fez o papel de pai às vezes, dava presente, dava conselho. Eu era e sou amigo de todos ali, sem exceção.
LJ – Se você não fosse humorista, o que você teria sido?
CS – Não sei! (risos) Não faço a menor ideia. Eu tinha o sonho de ser jogador de futebol. Joguei muito, no Jockey Clube, em uns times pequenos. Eu me empenhava, acordava cedo, corria, treinava, mas aí entrei na rádio, peguei gosto, virei radialista e consequentemente humorista. Eu não faço muitos planos, as coisas acontecem do nada na minha vida. Deus me move como uma peça de xadrez.
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Renato Ribeiro Nunes, subprefeito do Ipiranga, faz um balanço dos seus três meses no cargo, fala sobre alguns dos problemas da região e conta seus planos para 2010. |
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LOGRADOUROS JORNAL – O senhor assumiu o cargo há três meses. Já conseguiu tomar todo o conhecimento da região?
RENATO NUNES - Sim, já estou bem mais confortável, apesar de eu já ter trabalhado na parte de coordenadoria de obras por cerca de quatro meses anteriores à minha posse como administrador. Naquele momento a gente focava nos problemas de infraestrutura, e agora, pudemos tomar ciência de outros aspectos que são necessários à nossa atual situação. Então eu diria que estou bastante tranquilo em termos de conhecimento da região e suas necessidades, e já tenho tomado uma série de ações junto à administração central, para que a gente possa cumprir as expectativas de melhorar as necessidades dos três distritos que abrangemos. A subprefeitura tem uma atuação dentro de suas limitações orçamentárias e agente precisa de algumas atuações que são um pouco mais pesadas, como algumas obras de contenção de enchentes, etc. Então, temos atuado firmemente junto aos outros órgãos de administração para conseguir o apoio necessário para a região. Isso ficou bastante claro na questão lá do córrego Jaboticabal. A gente já vinha monitorando a situação por alguns meses e pressionando os responsáveis na Secretaria para que tivéssemos um ataque positivo e mais definitivo da questão.
LJ - Qual é a situação atual do córrego? Os escombros foram retirados, mas as obras ainda não foram iniciadas. A construtora disse a moradores que ainda não assinou o contrato, e que ainda haveria uma questão ambiental a ser tratada, em relação a remoção de árvores.
RN - Deixa eu te explicar. O que ocorreu naquele momento foi uma emergência. Antes, quando a gente vinha monitorando, não havia necessidade de se decretar emergência, já que não havia risco de vida, pois prejudicaria a licitação que estava em curso. Então houve a queda do muro, e precisou-se de uma ação imediata para evitar as enchentes. Fomos com todos os veículos da subprefeitura e conseguimos o apoio da empresa, que já havia vencido a licitação, mas ainda em caráter provisório. Não havia nem contrato, não havia verba empenhada, pois o tesouro não estava aberto – abriu na quinta-feira passada (28), o que é praxe na administração pública. Então não havia como a pessoa fazer o empenho da verba da obra. Então como a empresa já era vencedora, prontamente nos atendeu para cuidar do dano imediato. Mas a obra existe e vai ocorrer ainda nesse ano sim. Essa paralisação, se ocorreu... eu não tenho notícia de que parou, na minha monitoração ainda havia alguns homens mexendo no leito. O que ocorre agora, entendo eu, é que a empresa está aguardando os últimos trâmites burocráticos. Já a questão ambiental, foi bom você tocar no assunto, porque parece que houve uma conversa daqui, conversa de lá, mas eu conversei com o Hélio Neves, secretário adjunto do Verde, para esclarecer isso e não ficar o “diz que diz”. Não há nenhum problema desse tipo, não é porque tem três ou quatro árvores ali que não vai existir a obra. Isso tudo é falacioso. Eu entendo que isso foi uma informação equivocada do engenheiro da empreiteira, algum comentário desavisado. Quando chegou essa informação, também falei com o ajunto da SIURB (Marcos Penido), para estar pontuando e cobrando. O que eu quero pontuar pra você é que a subprefeitura está atuando firmemente também como um órgão fiscalizatório dos outros organismos do município, defendendo os interesses da comunidade.
LJ – E a questão dos ecopontos? Já houve a promessa da criação de um novo, mas ao invés de se criar um, foi tirado um.
RN - A gente detectou esse problema, isso aconteceu na administração anterior, que houve essa questão do espaço publico que teve outra destinação. Preocupados com essa situação, fizemos contato com a Limpurb, e a meta deles pra SP é no mínimo um ecoponto por distrito. Então estou oferecendo já áreas naquela região do Heliópolis, São João Clímaco, naquele miolo do Sacomã. Mas a minha meta no Ipiranga é implantar mais dois, quiçá, três. As áreas estão em análises. Nós ofertamos algumas áreas públicas e outras não públicas, e estamos fazendo análise de qual seria mais viável. Existe uma área muito favorável na Vila Carioca, próxima à Imperador do Ipiranga, onde já é um ponto viciado. Estamos analisando algumas áreas no entorno do Heliópolis, identificando qual seria a mais viável, e talvez ainda ofereçamos uma área no distrito da Saúde, para ampliar o atendimento. O ecoponto é uma excelente alternativa, mas a gente sabe que o modelo há de ser aprimorado, e estão sendo feitos estudos para a melhoria da qualificação dos mesmos.
LJ – Então qual é a solução, por enquanto?
RN - Estamos trabalhando com a operação Cata-Bagulho, que foi retomada depois de ficar parada por um período no ano passado por problemas contratuais. Então essas pessoas devem se atentar às datas da operação ou se deslocar até esses ecopontos mais distantes. Mas é um problema que me aflige bastante, o problema do descarte regular e irregular do lixo é um problema muito complexo na cidade de São Paulo. Acho que é um problema de cidadania. As opções não são perfeitas e a gente tem que melhorar, mas tem o cidadão que não tem opção e acaba fazendo um descarte criminoso mais por desconhecimento, que é a maior parte, e que a gente gostaria que tivesse consciência. E existe uma grande parte que é criminosa mesmo, o camarada que vai lá no mesmo ponto e despeja. A gente tira, e três dias depois o cara coloca mais madeira lá. Então é realmente uma guerra mesmo, estamos bolando umas estratégias com a polícia de maneira reservada, e esse pessoal não vai ficar sem resposta não. Mas precisamos de um trabalho educacional com a população, isso é fundamental. O Kassab visitou a região no sábado e eu fiz questão de pará-lo próximo ao Ecoponto, para ver o material despejado perto do local.
"Eu já posso até adiantar, em primeira mão, que estamos em estudos para a implantação de um piscinão para terminar com o problema de enchente crônica na região da Abraão de Morais."
Então a prefeitura está trabalhando sim, a nossa rede de microdrenagem está em excelente estado de limpeza, pois viemos fazendo um trabalho preventivo desde o mês de agosto. Eu dupliquei as equipes de limpeza quando coordenador de obras, e o resultado acabou sendo visto durante esse período todo. Quando ocorre a enchente e depois os rios voltam para sua calha, a água volta muito rapidamente, porque o sistema de microdrenagem está funcionando. Até a chuva do dia 21, a gente não havia detectado nenhuma inundação na região do Ipiranga. Historicamente, a gente não passava um dezembro aqui sem uma inundação, então a gente conseguiu passar um bom período, mesmo em uma época recorde de chuvas, mas naquele dia foi um absurdo e aquela nos arrebentou. Mas é um problema de complexidade maior, envolve o Tamanduateí, o Tietê, envolve ocupação irregular de periferias. É um problema que deve ser tratado em várias frentes. Eu já posso até adiantar, em primeira mão, que estamos em estudos para a implantação de um piscinão para terminar com o problema de enchente crônica na região da Abraão de Morais. Estamos fazendo um outro estudo para a Via Anchieta e o córrego dos Meninos. Um deles já está entrando em fase de projeto. Mas o piscinão não é uma solução por si só, é um atenuante muito importante. Apesar de não ser uma solução muito perfeita, não temos uma opção paliativa melhor que o piscinão. Em outros lugares devemos entrar mais firme em questão de ocupações irregulares em leito de rios.
LJ - Em relação a essa questão, a Prefeitura costuma pagar cerca de 5 mil reais para que a família deixe o local, mas depois de um tempo voltam ao mesmo local. Qual é a postura da subprefeitura?
RN - Isso é um problema recorrente, e novamente entra a questão da cidadania. A pessoa recebe uma bolsa aluguel por ter ocupado um lugar impróprio, indevido, que não é propriedade dela, e ainda assim o Estado faz uma contribuição para que a pessoa se remova de uma situação de risco e recebe um auxilio temporário, para que a pessoa possa se organizar, procurar um lugar para morar.
LJ – Existe algum projeto em relação aos problemas habitacionais, não somente para o Heliópolis, mas principalmente para essas outras favelas?
RN - Realmente, hoje Heliópolis já não é nossa pior condição. Hoje é um bairro, falta implementar cada vez mais projetos de cidadania, pois é uma população muito grande morando lá. Também levar alguns organismos administrativos para estar do lado deles, então não vejo mais Heliópolis como uma área de risco. E realmente, de todas as regiões que eu visitei, fiquei mais impressionado pela região do córrego do Ourives, ali na favela São Pedro, São Pedrinho (Liviero). Então em função disso, estive visitando lá com o secretário da habitação, verificou a situação de extremo risco de uma série de famílias, e agora estamos em amplo estudo para fazer um trabalho na região. A gente precisa liberar o córrego do Ourives, que passa atrás da favela, pois existe um projeto de parque linear no local para 2012, e também do córrego limpo da Sabesp. Então já fizemos um cadastramento da favela completa, são 450 barracos e agora em fevereiro vamos começar a fazer um trabalho de orientação à comunidade em relação aos próximos passos. Estão em estudos na COHAB a construção de um conjunto em um local ali bem próximo favorável, mas não posso dizer o local, pois vai haver uma desapropriação. Já temos opções para a colocação desse pessoal da favela, que vai ter uma solução definitiva, com o aluguel social, mas que tem uma contrapartida, como por o filho na escola, etc.
LJ – Mudando um pouco de assunto, o Ipiranga foi um dos maiores contemplados em relação ao recapeamento de ruas, mas muitas delas se tornaram pistas de corrida, por falta de sinalização. Aproveitando que o senhor falou de fiscalização aos outros órgãos, o que subprefeitura pode fazer em relação à CET nessa questão?
RN - O Ipiranga foi realmente o maior contemplado. Foi uma atuação conjunta pessoal minha com a colaboração de dois vereadores da região, Domingos Dissei e Jooji Hato, que dirigiram as emendas para a região do Ipiranga para esse tipo de trabalho, que deram mais de um milhão cada. Nós tivemos uma atuação intensa junto ao órgão que centraliza esse trabalho. Eu estive com o secretario Alexandre de Moraes com a mesma preocupação de vocês e da comunidade. Com recapeamento, precisamos da sinalização da via. Ele me contou que os contratos de sinalização estão se finalizando, e em seguida entrará a implantação.
LJ - Com relação ao novo metrô, a demanda de passageiros para o terminal Sacomã vai aumentar, mas já há uma reclamação sobre a quantidade dos ônibus para esse local. O que pode ser feito?
RN - Eu não me aprofundei nesse aspecto nesse período, pois no momento de chuvas estamos trabalhando em outras prioridades, mas eu entendo que sim. A SPTrans, que é o órgão responsável que está sob o comando do secretario Alexandre de Moraes, já faz estudos bastante detalhados sobre origem e destino. Então, certamente já devem ter considerado, pois a estação Sacomã é um pólo importantíssimo.
LJ - Mas não vão por exemplo, tirar os ônibus que vão para a Saúde, para colocá-los para o Terminal Sacomã, vão?
RN – Nós, como administradores da cidade, temos que estar com o olho hoje e em alguns anos, então esses projetos de expansão são muito bem avaliados em termos da demanda futura, sabemos que é exponencial. Então eu concordo com você, a idéia não é remanejar de um local pra outro, mas incrementar o sistema. Eu posso garantir que o pessoal está pensando nisso, certamente.
LJ - E quanto à Casa de Cultura, que é um ótimo espaço, mas tão pouco utilizado. Quais os planos para 2010?
RN - Eu diria já que melhorou bastante, de seis meses para trás, porque no final de 2008 parecia que estava sendo utilizado só como um depósito. Então o meu antecessor, Milton Persoli, começou com uma atenção bastante positiva, fez questão de fazer pequenas reformas e adequar melhor o espaço. Nós levamos para lá um projeto da Eletropaulo muito positivo de qualificação das crianças. Temos também uma série de trabalhos para a terceira idade e vamos qualificar o espaço externo, para que outras empresas possam levar outros empreendimentos para lá. Estamos estudando outros projetos para a região, como o Cine Tela Brasil, que levamos para o Heliópolis, e estamos pensando em alguns cursos, para manter o espaço fomentado. Estamos fazendo algumas coisas com televisões, caça-talentos, e pretendo incrementar para o jovem e adolescente, com alguma coisa relativa a bandas, pois há um espaço para apresentação. O objetivo é deixar o espaço cada vez mais vivo. Também temos estudado criação de mais ruas de lazer. Mas estamos definindo junto ao governo de quem será a responsabilidade sobre a cultura, pois já aconteceu isso quanto ao esporte. Hoje os CDMs estão atualmente ligados à Secretaria do Esporte, e há estudos, ainda para este mês, para avaliar se a cultura permanece junto à subprefeitura ou terá orçamento da Secretaria da Cultura e a subprefeitura fazendo uma gestão de supervisão.
LJ - O que o senhor prefere?
RN - Eu acho que os dois modelos funcionam, mas estávamos em uma situação em que apesar de eu ter que fazer a gestão, não tinha orçamento. Eu prefiro uma coisa técnica, ou que venha o orçamento para que façamos a gestão, ou que vá para quem possa fazer a gestão com o supervisor local. Mas além da casa de cultura, também temos o Centro do Idoso, que é próximo ao museu, que também está em reforma adiantada, que deve ser finalizada até o final deste mês, para que possa aglutinar cada vez mais a sociedade. Esta questão dos exercitadores para idosos são maneiras de aglutinar a sociedade. Tivemos uma experiência muito feliz no Jardim Patente (Praça Virgílio Di Cicco aquilo virou um centro de atenção, porque eles comunitariamente estão convivendo, cuidando.
LJ – Aproveitando a questão das praças, o senhor visitou a Dirceu de Castro Fontoura , no Jardim Santa Cruz, onde sempre foi falado de um projeto de revitalização. O que tem a dizer sobre essa praça?
RN - É um espaço excepcional, estive lá durante o evento de vocês, que foi muito positivo. Eu vejo uma praça bem localizada, que pode ser muito bem freqüentada, ao lado de uma escola. O espaço é maravilhoso e a idéia é realmente fazer a revitalização da praça. A princípio um cuidado geral, com pequenas intervenções, de coisinhas quebradas, acessibilidade e colocar mais brinquedos para crianças e idosos. Eu preciso consultar se vamos fazer a revitalização também da quadra. Mas o trabalho nessa praça começa nos próximos dois meses. Um exemplo do que vai acontecer lá, é o que fizemos com a praça Flavio Xavier de Toledo, que está praticamente pronta. Só falta entrar a equipe do Verde para fazer um plantio diferenciado, para dar uma graça a mais, com esse trabalho de limpeza e requalificação de espaço público. Estamos abertos à comunidade também a propostas para aproveitamento dessas praças.
LJ - Falando em comunidade, temos os Consegs. O senhor pretende participar das reuniões?
RN - Na verdade eu tenho representantes para isso, como nossa agenda é um pouco, eu diria, exagerada, a gente é obrigado a lançar mão de alguns assessores. Mas eu pretendo agora no começo do ano, no mês de fevereiro, participar de alguns consegs, até para acompanhar o que meus responsáveis estão fazendo nesses conselhos. Eu acho um fórum excelente para a segurança. Pessoalmente, eu acho que pela força da praticidade, é ótimo, a gente recebe outras demandas lá, mas é importante ressaltar que aqui na subprefeitura estamos abertos para recebê-las, e não é porque foi feita pelo conseg que vai ser atendida mais rapidamente, pois temos um plano de ações a ser seguido, que procura atender a todos da mesma maneira.
LJ - Quais são as outras prioridades da Subprefeitura para 2010?
RN - A principio é fazer uma boa zeladoria do bairro, seja na limpeza urbana e das atividades comerciais, no regulamento do espaço publico, e transparência de gestão, que é algo que vem do prefeito Kassab. Estamos implantando uma série de modelos para que todos nossos trabalhos fiquem transparentes, estamos disponibilizando cada vez mais coisa na internet. Hoje, todas as emendas de vereadores, contratos de gestão e salários estão lá. A idéia é transparência e limpeza. Uma cidade limpa e organizada, com a questão do espaço público, a questão da calçada, com um plano forte de começar a intimar o pessoal a melhorar suas calçadas, e também agora a nova determinação para as feiras livres.
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João Doria Jr., empresário de sucesso e um dos homens mais influentes do país, fala sobre seu novo desafio, à frente do reality show “O Aprendiz”, entre outros assuntos. |
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LOGRADOUROS JORNAL – “O Aprendiz” é um dos maiores sucessos de audiência da Record, e para esta nova edição bateu o recorde de inscrições. Qual é a sua expectativa?
JOÃO DORIA JR. – “O Aprendiz” é um desafio que vamos realizar com profissionalismo e dedicação. Estou bastante motivado. Quem enfrenta o dia-a-dia do seu negócio gosta de desafios. Quem tem medo deles não pode vencer.
LJ - Grande marca do seu antecessor era a linha dura com que ele conduzia o programa, que o senhor já disse que não vai adotar. Qual será a sua postura?
JD - Lidero pelo exemplo, pelo ensinamento. Prefiro sempre orientar para aperfeiçoar a criticar. Cativar, ao invés de chocar. Gosto de valorizar a competência das pessoas.
LJ - Além do prêmio em dinheiro, o vencedor do programa ocupará um cargo em suas empresas. Qual será sua função?
JD - A função depende do perfil do candidato, só será definida após o programa. O grupo Doria Associados possui hoje um arco de empresas que pode receber diferentes perfis. Uma coisa é certa: o vencedor vai trabalhar, não vai ter função de marionete ou de estrela d’alva. Quero estimular candidatos e espectadores para todos entenderem a importância de acreditar no trabalho em equipe.
LJ - Mesmo contratado pela Record, o seu programa de entrevistas, “Show Business”, continuará no ar pela Band?
JD - Sim, foi uma condição que coloquei no início da conversa com a Record, por isso, continuo com o “Show Business”. Ter dois programas em canais abertos da rede de televisão em horários nobres mostra muito do meu próprio espírito. O “Show Business” segue na Rede Bandeirantes, até porque não são conflitantes. Um é jornalismo, outro é um “reality show”, conseguimos conciliar os interesses e harmonizá-los. É um fato inédito um apresentador em duas TVs brasileiras abertas.
LJ - O “Show Business” é um programa que, se por um lado não é líder de audiência, tem sua credibilidade e seu público cativo, afinal está no ar há 17 anos. Na sua opinião, qual o segredo dessa longevidade, e no que ele se difere, além do tema, em relação aos outros talk-shows exibidos atualmente?
JD - Manter um programa durante 16 anos é um desafio constante. O desafio que mais nos motiva é levar aos telespectadores informações de qualidade, de áreas diferenciadas e de temas atualizados, que contribuem e mostrem o novo. O “Show Business” é um dos mais prestigiados e importantes programas de entrevistas da TV brasileira.
LJ - O senhor é CEO da Doria Associados e já foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil pela IstoÉ, tendo criado o maior clube empresarial do país, o LIDE, que reúne grandes líderes do mundo corporativo. Até que ponto os relacionamentos são importantes nesse meio?
JD - O networking pode ser decisivo para os negócios de uma empresa. Se existem dois fornecedores com propostas em pé de igualdade, é mais provável que aquele que você conhece e confia seja o vencedor.
LJ - Quais os requisitos básicos que um empreendedor precisa para obter sucesso?
JD - Para se tornar um empreendedor de sucesso, acredito que doze pontos precisam ser adotados: Manter o equilíbrio; Acreditar no seu projeto; Ter foco; Trabalhar em equipe; Ter disciplina; Negociar soluções; Tomar decisões; Ensinar pelo exemplo; Ser perseverante; Amar o que faz; Ter vontade de ser o melhor; Ter humildade.
LJ - O senhor já participou de campanhas políticas, já foi Secretário de Turismo e presidente da Embratur. Com essa experiência adquirida, e influente como é, não tem planos de ingressar na política?
JD - Acredito que são ciclos. Já vivenciei a política e hoje tenho novos planos e desafios. O Aprendiz, por exemplo, é um deles. Quem enfrenta o dia-a-dia do seu negócio tem que buscar os desafios. Quem tem medo deles não pode vencer. Coragem é a marca dos vitoriosos. Ousadia também.
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Dr. Osmar de Oliveira, médico e jornalista esportivo, comenta os fatos do Campeonato Brasileiro, encerrado no último final de semana, e dá seus palpites para 2010, ano de Copa do Mundo e centenário do Corinthians, seu clube de coração.
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LOGRADOUROS JORNAL - O que o senhor achou do resultado do Campeonato Brasileiro? O título do Flamengo foi justo?
OSMAR DE OLIVEIRA – Eu tenho uma opinião contrária à grande maioria. Eu acho que o Campeonato Brasileiro deveria ser “mata-mata” (nota: com várias fases onde os times eliminam um ao outro, até a final). Embora não seja mais justo que os pontos corridos, rende mais financeiramente. Você tem oito equipes fazendo pelo menos dois jogos com arrecadação grande, estádio lotado, torcedor contente.
Mas dentro do regulamento atual, quase todas as equipes que chegaram lá na ponta, com exceção do Palmeiras, começaram o campeonato muito mal. O Palmeiras começou bem e terminou mal. O Flamengo começou mal e acabou campeão. O Inter começou mal, o Cruzeiro começou mal. E o São Paulo também começou mal. Todas essas equipes chegaram lá pela metade do primeiro turno a ficarem próximas da zona de rebaixamento. Então, se algum torcedor tem que chorar, lamentar, esse torcedor é o do Palmeiras, que ficou alimentando uma ilusão durante o campeonato inteiro. O Palmeiras chegou a ficar 19 jogos invictos, o que é uma marca expressiva, e depois acabou tropeçando porque teve três desfalques fundamentais: Maurício Ramos, Pierre e Cleiton Xavier, e quebrou a espinha dorsal do time. O Diego Souza foi pra seleção, e o time acabou não rendendo e foi um dissabor muito grande. Todas as outras equipes tinham praticamente as mesmas chances, todas cresceram, mas acho que o título para o Flamengo ficou bom, pensando no futebol brasileiro. Há nove anos nenhum time carioca ganhava absolutamente nada, o Flamengo não ganhava há 17 anos. Eu evidentemente torço para os paulistas, mas já que o Flamengo ganhou, é preciso que se pense no torcedor, na emoção que o Flamengo leva para o Brasil, pela tradição, pelo futebol carioca que agora vai viver um grande tormento até a Copa do Mundo, com o fechamento do Maracanã. Vendo por esse lado, acho que o Campeonato Brasileiro acabou em mãos justas.
LJ - Pontos corridos premia time mais organizado, e o flamengo não é dos mais organizados, o que o sr. acha disso?
OO - O São Paulo, se fosse campeão, no início estava beirando a zona de rebaixamento. O Corinthians foi campeão brasileiro em 2005 com a diretoria que mais roubou. Então, organização é uma coisa muito relativa. Quem tinha organização durante o campeonato era o Atlético Mineiro, e deu no que deu.
LJ - E quanto ao papelão da torcida do Coritiba, que promoveu uma batalha campal por causa do rebaixamento do time?
OO - Aquilo precisa de uma punição exemplar, para que as pessoas comecem a pensar duas vezes. O Coritiba já perdeu 10 mandos de jogo para o próximo ano, vai jogar praticamente só 8 partidas em seu campo, no segundo turno. Existe a possibilidade , se der um enquadramento de tentativa de homicídio, de que essa punição seja maior, e o time cair direto para a série C, como já aconteceu na Itália.
E há juristas do meio desportivo que vêem até a possibilidade dele ir até a série D, direto. Agora isso tem que servir de exemplo. Quem invadiu lá foi a torcida Império Alviverde, que todo mundo sabe que é violenta. Esse negócio de torcida organizada precisa ser repensado no Brasil. Infelizmente, há um processo em Brasília, que reforma o Estatuto do Torcedor, que transfere boa parte da responsabilidade dessas coisas para a própria diretoria da entidade. O presidente da republica elogiou, o ministro dos esportes, a camara dos deputados não demorou mais que uma hora para aprovar, aí chegou no senado e acabou, um senador lá do Distrito Federal, um tal de Gim Argello (PTB-DF), pediu vistas ao processo, e eu não consigo entender como uma coisa que sai do seio do povo, de um promotor, a câmara aprova, o presidente da república está querendo, e esse cara pede vistas ao processo. Eu não posso xingá-lo, mas evidentemente deve ter algum interesse. Não é possível que um cara desse não conheça isso. Enquanto isso as barbaridades vão acontecendo e você não pode punir ninguém. Eu estou reclamando desse senador todos os dias no meu programa, e vou continuar reclamando. Depois vou dar uma olhada lá no “transparência” para ver se ele é faltador ou não. Eu não to julgando ele, mas o projeto é tão bonito, aprovado praticamente por unanimidade na câmara, e o cara pede vistas ao processo. Vistas ao quê? Isso tem dez páginas, o cara teria lido à noite e no dia seguinte já teria devolvido. Enquanto essas coisas existirem aqui no Brasil, fica difícil de consertar qualquer coisa.
LJ - Para combater a violência nos estádios, a prioridade então é enquadrar as torcidas organizadas?
OO - Não, primeiro é punição. O Código Penal, que é de 1940, tem que ser modificado. Os clubes têm que ser penalizados, as torcidas oganizadas tem que assumir a responsabilidade, e a policia militar tem que pegar aquelas câmeras e identificar as pessoas. Prender e punir esses caras, obriga-los a, além de fazer trabalho comunitário, se apresentarem nas delegacias em dia de jogo e ficar lá até o jogo acabar.
LJ - Voltando ao futebol, 2010 é o ano do centenário Corinthians. O que esperar?
OO - Ano do centenário é uma coisa relativa. Esse ano foi o centenário do Coritiba e ele caiu. Foi centenário do Inter, e ele só ganhou o campeonato gaúcho. Evidentemente o Corinthians entra para a Libertadores mais organizado, mais planejado. O Mano Menezes ficou o campeonato inteiro vendo quem pode, quem não pode, testando opções, enquanto os outros estavam disputando o campeonato Brasileiro. Então, com esse negócio de centenário, com toda a movimentação, com essas contratações... o Corinthians saiu na frente já contratando 4 jogadores, pode contratar mais um ou dois. Então as chances do Corinthians... eu não vou dizer que ele é o favorito, mas é um dos times mais fortes dessa Libertadores.
LJ - Ano que vem também tem Copa do Mundo. O que o senhor achou do grupo do Brasil?
OO - Achei bom! O problema é dos outros. Eu acho que um grupo fraco é muito ruim para um time que é favorito. Começa a jogar na moleza, daqui a pouco passa para as oitavas e encara uma Alemanha da vida, aí complica. Então, foi legal, e eu acho que Portugal dança nesse grupo. Eu acho que Costa do Marfim se classifica. É um time forte, organizado, joga um futebol veloz e não tem medo de ninguém, com força física muito grande. Mas o Brasil como um dos favoritos, ou o maior favorito, não deve se preocupar com o grupo. Eu torceria para as outras equipes fossem fortes, são só sete jogos, é para começar já embalado.
LJ - Quais são os outros favoritos, na sua opinião?
OO - Alemanha sempre. Futebol inglês eu acho que causa surpresa dessa vez. Vai ser a melhor participação da Espanha, mas eu duvido que chegue ao título. Não vejo a Itália com um grande time, a Argentina está com muita dificuldade. Vou ficar com Brasil, Alemanha e Inglaterra.
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JAIR RODRIGUES, grande intérprete da música brasileira, comemora neste ano 50 anos de carreira. Aqui, ele fala de sua vida, seu sucesso, sua família e de seus sonhos. |
Logradouros Jornal - Você está comemorando neste ano 50 anos de carreira...
Jair Rodrigues - Em janeiro de 2009 entrei na casa dos 50 anos de carreira, no dia 6 de fevereiro fiz 70 anos de idade, e fui lá para o teatro do Ibirapuera para gravar um cd e um DVD chamado “Jair Rodrigues – Festa para um rei negro”, com vários convidados meus, como Wilson Simoninha, Max de Castro, Rappin Hood, meu sobrinho Rodrigo Ramos, Jorge Aragão, Alcione, Pedro Mariano – filho da saudosa amiga Elis, o Jair Oliveira, a Luciana Mello, o Pelé e o Chitãozinho & Xororó. Já saiu, graças a Deus estou muito feliz, e agora estou no trabalho de divulgação desse material. Todas as terças estou também no Bar Brahma, até dezembro. E vamos viajando nesse mundo de Deus.
LJ - Qual é exatamente o marco inicial?
JR - Foi quando eu vim para São Paulo. Eu cantava muito em São Carlos, interior de SP. Cantei lá de 57 ao final de 58. Em 59 eu comecei a cantar na noite em São Paulo, que é quando eu começo a contar. Em gravações eu comecei em 62, mas como cantor da noite foi em 57. Faz até um pouquinho mais de 50 anos, mas 1959 está bom demais!
LJ - Em todos esses anos você desfilou por diversos estilos da MPB: bossa, samba, sertanejo, romântico...
JR - Quando você canta na noite, tem que cantar de tudo, não pode se especificar em apenas um ritmo. Porque na noite, você está cantando às vezes um baita de um sambão, e de repente alguém pede um bolero, uma bossa nova, música sertaneja, então eu me especializei nesses estilos aí. Desde 1965, eu já comecei a fazer essa diversificação. Eu tinha meus ídolos, que eram Agostinho dos Santos, Maisa, Zezé de Cardoso, Silvio Caldas, que eram artistas da época que cantavam de tudo, e eu vim dessa geração de cantores que me ensinaram muita coisa.
LJ - Você cantou até rap, não é? Muitos dizem que “Deixa isso pra lá” é o primeiro rap da história.
JR - Sim, em 1964. Na verdade essa música foi uma explosão né, e é até hoje. Quando eu gravei, a gente não sabia que essa música acabaria sendo o primeiro rap. Não pelo ritmo, mas pela forma de dizer ao invés de cantar em cima do ritmo, tem aquelas falas “deixa, que diga, que pensa, que fala, deixa isso pra lá...” e acabou sendo o primeiro rap gravado no mundo, não só no Brasil. Não existia no mundo inteiro, nem nos EUA, nem na Europa, nem no Japão. Então nós aqui no Brasil fomos muito felizes em lançar o primeiro rap no mundo. Então espero que a rapaziada aí por esse mundo afora possa ficar sabendo disso, que o rap não nasceu lá fora não, nasceu aqui, com “Deixa isso pra lá”, gravada por mim.
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LJ - Em sua carreira, você gravou inúmeras músicas em mais de 40 discos. Consegue dizer quais são suas favoritas?
JR - Eu tenho muito mais. Discos gravados e participações, ao todo, se você contar dá quase 100 discos. Mas da minha carreira, gravações feitas por mim, são exatamente 47. Mas olha, graças a Deus, nesses 50 anos de carreira, eu pude organizar um repertorio muito bonito, sem mácula. Se eu fizer um show de quatro horas, eu posso cantar todas as músicas, todo mundo canta, e eu não dou repeteco de nenhuma. Cinquenta anos (de carreira) não é brincadeira! Mas eu tenho “Disparada”, que é a música que foi apresentada no festival de 1966, que houve até um empate em primeiro lugar com “A Banda”, que foi cantada pela saudosa Nara Leão. Considero a música da minha vida, porque surgiu em uma época maravilhosa da minha carreira. Música de Geraldo Vandré e Theo de Barros. E também gosto muito de “Majestade e o Sabiá”, de 1985, com coro de Chitãozinho & Xororó, “Tristeza”, baita de um samba que eu gravei em 1966 e hoje é conhecido no mundo inteiro. Tantas outras... “Chão de Estrelas”, de autoria do saudoso Sílvio Caldas. O próprio “Deixa isso pra lá”, que me deu um renome internacional, que quando gravei, sai divulgando em grande parte desse mundo de meu Deus.
LJ - Você já fez muitos shows fora do Brasil. Tem algum país desses que você tenha um carinho especial?
JR - Olha, primeiro eu plantei. Primeiro foram minhas músicas. Você nunca vai de repente, eu nunca fui de repente, de um dia para o outro, para os EUA, para a Europa, para o Japão. O pessoal sempre contrata a gente um ano antes. Então eu mandei meu trabalho, meu currículo musical, e lá tocavam. Quando você chegava na Europa... Na França, na Alemanha, na Inglaterra, na Itália... quando eu cheguei lá pela primeira vez, já era considerado um sucesso, porque meu trabalho já estava feito. Estive no Olimpia de Paris, estive no Teatro Sistina, na Itália. Fiz na época os grandes teatros, gravei programas na televisão. Então graças a Deus, em todos os países que eu fui, eu destaco todos. Até no Japão, onde estive em 1981, em Portugual, onde estive umas seis ou sete vezes. Agora, há dois anos estive nos Emirados Árabes, em Barhein, e não foi diferente. Minhas músicas lá, meus sambas, são conhecidos. Então, em todos esses países que eu fui, a receptividade foi muito grande.
LJ - E como é ver seus filhos seguirem os seus passos na música, e ter a oportunidade de cantar com eles?
JR - Não tem dinheiro que pague essa felicidade que Deus me deu. Desde pequenininho, o Jairzinho, que é quatro anos mais velho que a Luciana – tinha cinco e ela um, já foi comigo para a Itália, fizemos um grande sucesso no festival de San Remo cantando uma música italiana chamada “Io e te”, que significa “eu e você”. Foi um grande sucesso, e quando o Jairzinho voltou, foi logo contratado para fazer parte da Turma do Balão Mágico. Viram ele cantando essa música no Fantástico e foi imediatamente contratado. Ficou até os nove anos. A Luciana também, quando tinha cinco anos, Deus deu também essa felicidade grande pra mim de dar o dom para eles cantarem. Então estou muito feliz, tanto com a Luciana, hoje aos 30 anos de idade, casada, tenho uma neta muito linda, chamada Nina, de cinco meses. O Jairzinho, também casado, com a Tania Kalil, tenho outra neta, a Isabela, que tem dois anos. Então tanto o Jair como a Luciana batalharam, foram em busca do espaço. Hoje o Jairzinho, com 34 anos, e a Luciana, com 30, são ambos considerados uns dos maiores artistas desse país.
LJ - Se não fosse a música, o que você teria sido?
JR - Ah, isso é por Deus, né? Se Ele me deu esse dom de ser músico, de cantar, é porque não queria que eu fizesse outra coisa. (risos) Se Deus não me desse esse dom da cantar, talvez me desse dom pra fazer outra coisa. Mas fico feliz de cantar, de estar na música já há 50 anos. Não acredito que Deus tinha outra coisa preparada pra mim. Ele botou a mão na minha cabeça e disse “vai negão, vai!” (risos). E eu estou aqui até hoje.
LJ - Depois de tantos feitos realizados nessa extensa carreira de sucesso, ainda tem algum sonho a ser realizado?
JR - A gente vai vencendo as etapas da vida. Eu pensei aqui o que ainda está faltando na vida profissional, que eu gostaria muito e ainda vai acontecer, tenho certeza, é um sonho meu de se fazer um livro sobre minha vida, ou um filme. Mas enquanto vida eu tiver. Depois de morto eu não quero. Eu quero agora, enquanto eu estou vivo. Como fiquei feliz em 2006, quando o prêmio TIM me prestou uma homenagem. “Quando eu morrer, eu não quero choro nem vela, quero uma fita amarela gravada com o nome dela” (cantando a música de Noel Rosa). E o nome dela é Clodine, minha mulher e mãe dos meus dois filhos.
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Roberto Figueiredo é biomédico, mais conhecido como Dr. Bactéria, devido aos quadros em que apresenta apontando erros de higiene e na conservação de alimentos. Hoje contratado da Record, ele conta como foi parar na TV, e dá algumas dicas. |
Logradouros Jornal - Doutor, vamos iniciar com uma pergunta que é um ditado popular: O que não mata, engorda?
Roberto Figueiredo - Lembre-se que muitas verminoses podem “estufar” a barriga da pessoa e ela adoece profundamente. É importante destacar que quantidade não é sinônimo de qualidade.
LJ - Seus quadros no Fantástico e no Hoje em Dia sempre fizeram sucesso. Como surgiu essa oportunidade de ir à televisão?
RF - Tudo começou com um livro que escrevi: “Como não comer fungos, bactérias e outros bichos que fazem mal” (Ed. Manole). Fui convidado para o programa da Olga Bongiovani, na TV Bandeirantes, e de lá fui para o Flash, do Amaury Jr, Programa do Jô Soares, depois entrei na Record junto com a Claudete Troiano no Note e Anote, e então fui para o Fantástico. Agora, assinei contrato com a Record, no departamento artístico.
LJ - Há quem considere suas dicas um certo exagero. Até que ponto essa preocupação é válida, para que não se torne uma neurose?
RF - Não falo nada demais, apenas falo para as pessoas tomarem banho e lavarem adequadamente as mãos. Não podemos viver sem bactérias, quanto mais você criar um filho em uma “redoma de vidro”, maiores problemas respiratórios ele terá no futuro. As bactérias nos dão proteção e nos ajudam a viver.
LJ - Analisando os cuidados (ou a falta de) no preparo de alimentos nos estabelecimentos comerciais, pergunto: o senhor costuma comer fora de casa?
RF - Não vejo nenhum problema nisso. Quase 44% das doenças alimentares estão em casa e somente 5% estão envolvidas em restaurantes.
LJ - E quanto ao pastel de feira, quais são as irregularidades? Eles geralmente são fritos no mesmo óleo, escuro, durante todo o dia.
RF - O óleo deve ser trocado sempre que apresentar odor alterado, cor alterada, muita espuma e restos de alimentos. Os pastéis e os ingredientes devem ser mantidos sob refrigeração antes da fritura.
LJ - O senhor diz que as caixas de pizza feitas de papelão são irregulares. Qual seria a melhor opção, neste caso?
RF - Caixas de poliestireno expandido, que são lisas, impermeáveis e laváveis, conforme determina a lei.
LJ - Com relação à validade dos alimentos, algumas pessoas costumam consumi-los um dia após o vencimento para não desperdiçá-los. Existe algum risco nisso?
RF – Quando o produto está vencendo, quem vai perder é você. Ou perde a saúde, ou perde o produto. A escolha é sua.
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LJ - Em geral, quais erros o senhor considera absurdos, de tão simples que as pessoas cometem?
RF – Lavar carnes (é errado, pois tira as proteínas do alimento), não colocar alimentos quentes na geladeira ou colocá-los cobertos ou tampados, guardar ovos fora da refrigeração ou na porta da geladeira, ferver o leite (que deve ser aquecido somente até 80ºC) e colocar frutas em fruteiras, pois devem ser refrigerados. A única que se guarda fora é a banana.
LJ – Além de seus quadros na TV e seus livros publicados, existe alguma maneira das pessoas tirarem as dúvidas com o senhor?
RF – Sim. Através do Orkut (Dr. Bactéria) e do meu e-mail, que é microbiotec@uol.com.br.
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Fernanda Takai, vocalista da banda pop Pato Fu, tem colhido o sucesso de seu primeiro disco solo, “Onde Brilham os Olhos Seus”, com canções de Nara Leão. Nesta entrevista, ela fala de seus projetos, da vida de mãe e também de escritora. |
Logradouros Jornal - Sua carreira solo tem sido um sucesso de público e crítica. Você foi recentemente premiada pela MTV como melhor artista de MPB. Esperava tudo isso quando gravou seu primeiro solo?
Fernanda Takai - Não sabia o que esperar realmente. Se os fãs do Pato Fu iam achar estranho eu gravar um disco solo com a banda ainda em atividade, se outras pessoas estariam dispostas a me ouvir num trabalho mais de intérprete. Foi tudo feito de uma forma muito despretensiosa, mas com muita qualidade e carinho. Receber todo esse reconhecimento de volta é muito bom!
LJ - Você agora gravou um EP com a cantora japonesa Maki Nomiya. Como surgiu essa parceria, e como você se sente cantando em japonês?
FT - Sou fã da Maki há 14 anos e nunca pensei que algum dia a gente fosse cantar junto num mesmo palco. Ela também gostou muito da minha voz e dos discos que gravei. A gente ficou pensando num jeito de aproximar a música pop brasileira da japonesa, então produzimos esse disco, que tem faixas cantadas em português e japonês. Eu estudo o idioma há três anos, então tenho alguma intimidade com o que estou cantando.
LJ - Você pretende investir em uma carreira solo internacional?
FT – O Pato Fu tem ido pelo menos uma vez por ano tocar fora do Brasil, mas temos consciência de que nossa carreira tem sua força maior aqui. Já me apresentei no Japão, Portugal, Inglaterra e Estados Unidos com a banda. Talvez com a divulgação do meu DVD solo, alguns convites possam surgir para o próximo ano, pois ele tem uma força visual e sonora muito grande.
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LJ - Qual a situação do Pato Fu atualmente, continua sendo prioridade?
FT - Sempre foi prioridade pra mim. O que foge ao meu controle é a demanda do próprio mercado. Se alguém quiser me contratar para o show solo, não posso ficar dizendo que é melhor o Pato Fu fazer, porque os repertórios são completamente outros. A mesma coisa com as rádios. Se elas têm tocado mais meu disco, é algo muito bom. É natural esse momento da banda, pois vamos começar a produzir o décimo disco ainda este ano e lançá-lo ano que vem. O disco mais recente é de 2007. Eu continuo querendo gravar minhas composições com a banda, fazer turnês com ela.
LJ - O Pato Fu é uma banda que sempre utilizou a internet para divulgar seus trabalhos. Qual é a sua opinião sobre o download gratuito de músicas, e como você vê o futuro do mercado fonográfico?
FT - Sou a favor de que a música seja de graça para o usuário, desde que alguém esteja pagando a conta para quem cria, produz e cuida para que o som esteja aí. O Pato Fu sempre colocou música de presente nas páginas que teve desde 1996! Mas ainda fazemos shows, temos essa receita para viver de música, mas quem só compõe, fica totalmente refém. O mercado fonográfico agora tem outro nome, que é a indústria do entretenimento em geral. Por isso as gravadoras querem ter receita nos shows, nos comerciais que artistas gravam e em tudo mais. É engraçado que estamos na época onde a música ocupa cada vez mais lugar em tudo. Celulares, TV, internet, mas a arrecadação de quem produz e cria é das piores.
LJ - E quanto à questão da lei da meia-entrada nos shows para estudantes, você é a favor?
FT - Do jeito que está não concordo muito, porque qualquer pessoa inscrita em qualquer curso temporário, de qualquer idade, apresenta uma carteira e paga metade do ingresso. Meu show solo é feito na maior parte das vezes em teatros. Sem patrocínio, não consigo sair de Minas, pagar toda a minha equipe, divulgação, hospedagem e comida pela bilheteria meia-entrada, ainda tendo que dividir com uma produção local. Por isso, alguns produtores acabam colocando o ingresso bem mais caro, porque sabem que a meia-entrada vai triunfar. O ruim é para quem realmente não tem meios para comprar um ingresso inteiro, que fica prejudicado. A regulamentação tem que ser feita de um jeito inteligente, bom para os dois lados.
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LJ - Como conciliar as turnês com a vida de mãe, sua filha viaja junto? Afinal, seu marido, John, faz parte de suas duas bandas.
FT - Nossa filha não vai junto nas turnês, não sei como tem gente que leva. A vida na estrada é toda sem horários, sem qualidade de sono, às vezes de comida. Criança precisa de rotina, ir à escola, comer bem, dormir na hora certa. Quando eu viajo, minha mãe vem para nossa casa e mantém a vida da Nina (filha) nos trilhos. Raríssimas vezes ela vai, só quando temos amigos com crianças na cidade, ou algum parente querido para fazer companhia para ela. Não adiantaria muito ela ir sempre porque eu preciso dar entrevistas, passar som, fazer tardes de autógrafos etc.
LJ - Além da sua carreira musical, você também escreve crônicas para jornais, que serviram como base para o seu primeiro livro, “Nunca subestime uma mulherzinha”, lançado recentemente. Como você define seu estilo e quais são suas inspirações?
FT - Ainda é pouco confortável para mim esse título de escritora. São quatro anos e meio apenas. Ainda estou aprendendo. Escolhi os formatos de contos e crônicas pelo espaço e natureza do jornal. Meu texto é muito simples, falo muito do meu cotidiano de mãe, fiha, dona de casa. Algumas vezes falo de música. O bom de escrever com frequência, pois toda semana entrego um texto, é exercitar a disciplina e responsabilidade com prazos e com os leitores que você vai cativando. Tem gente que me lê e nem sabe que eu canto. A faixa etária também é bem variada e fico muito feliz com o retorno que recebo deles, pois meu email é publicado sempre.
Já os contos nascem sempre de uma imagem real, que me marcou, e eu transformo em alguma história inventada.
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Vida Vlatt é atriz e humorista, mais conhecida por sua personagem Ofrásia, empregada fuxiqueira do programa “A Tarde é Sua”, da Rede TV! Nesta entrevista, ela fala também de sua carreira no teatro, e da convivência com o polêmico Clodovil, com quem começou na TV.
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LOGRADOUROS JORNAL - Como surgiu a ideia da personagem Ofrásia, e como ela foi parar na televisão?
VIDA VLATT: A Ofrásia surgiu na TV. Eu a criei especialmente para o Clodovil. Aí apresentei a personagem e ele aprovou.
LJ: O grande público te conhece mais pela televisão, mas você já tem uma carreira consolidada no teatro e esteve em cartaz com diversas peças, inclusive o “Terça Insana”. Onde você se sente melhor, na TV ou no teatro?
VV: Eu me sinto bem nos dois, porque são completamente diferentes. É como se um fosse sal e o outro fosse açúcar: os dois são bons e necessários.
LJ: Você acabou de sair de cartaz com uma peça (Baião de Dois), no dia 24, sucesso de público e crítica, e já emendou outra (A Vida é uma Comédia) agora no último dia 1º. Além disso, você tem o programa de TV e a Ofrásia ainda escreve para revista. Como manter o pique?
VV: Fazendo o que se gosta, simples. Faço tudo com muito prazer.
LJ: Nesta nova peça, você interpreta seis personagens cômicos diferentes, todos criados por você, baseadas em figuras do cotidiano. Ao todo já são mais de dez. Como é o processo de criação desses personagens?
VV: A criação é natural, é espontânea. Quando você vê, o personagem já criou corpo.
LJ: Tem algum personagem favorito? Com qual deles você se identifica mais?
VV: Personagem é que nem filho, a gente não tem um favorito. Eu gosto de todos os personagens, mas tenho uma enorme gratidão pela Ofrásia, porque foi quem me mostrou ao Brasil.
LJ: Você já trabalhou com moda, publicidade e teve uma clínica de estética. Como decidiu se tornar humorista?
VV: Desde pequena eu era a “humorista da sala”. Sempre brinquei de imitar as professoras da escola e de inventar meus personagens. Um dia meu marido me deu a sugestão de colocar no papel todos estes personagens e apresentar para os nossos amigos. Acabou que todo mundo gostou, e eu também! Foi tudo muito rápido. Comecei a fazer teatro e, um ano depois, já estava trabalhando com o Clodovil no “A Casa É Sua”.
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LJ: Você se define mais como uma humorista ou uma atriz? Já interpretou um papel dramático, e se não, tem planos de seguir uma carreira de atriz em outros segmentos?
VV: Eu sou atriz, humorista, comediante... Na verdade, o ator que faz comédia, faz qualquer outra coisa. Porque é muito mais difícil você fazer o público rir, do que fazer chorar. Mas eu gostaria de fazer um trabalho dramático e até tenho planos para isso. Até mesmo para mostrar meu lado atriz mesmo, não só humorista ou comediante. Mas é que fazer comédia é uma delícia. Rir ainda é o melhor remédio pra tudo!
LJ: Além de atuar, você escreve e dirige. Qual função você prefere?
VV: Eu gosto de fazer tudo. Adoro todas as coisas do mesmo jeito, porque cada uma tem um gostinho diferente.
LJ: Nas últimas apresentações da sua peça, fumantes tinham direito a meia-entrada. Por que? Alguma “minoria” terá esse direito desta vez?
VV: É que os fumantes estão sendo tão destratados por causa da nova lei anti-fumo, que eu resolvi fazer um agrado a eles. Já que eles estão tendo que se preocupar com a adaptação à nova lei, eu achei bacana fazer essa promoção. Assim posso ajudar os fumantes. Eles vão ficar mais de uma hora sem fumar, rindo muito e nem vão se lembrar que o cigarro existe, pelo menos durante a peça! Para esta temporada ainda não planejei nenhuma promoção, mas vamos ver o que vai rolar daqui pra frente.
LJ: Você trabalhou por um bom tempo com o Clodovil, uma pessoa difícil.
Como era o relacionamento de vocês? A sua pausa por estresse teve a ver diretamente com isso?
VV: Trabalhar ao lado do Clodovil foi a melhor coisa que aconteceu na minha carreira em matéria de exercício de trabalho. Eu adorei! Ele tinha uma personalidade forte e aquele temperamento difícil, mas nós que trabalhávamos com ele já estávamos acostumados. Ele era uma pessoa ótima e a gente se deu muito bem. E realmente me afastei quatro meses por estresse, mas não teve nada a ver com o Clodovil. Eu estava cansada e precisava dar um tempo para me cuidar. Então pedi demissão. Mas sai de lá sem brigar com ninguém. Nós ficamos muito amigos. Eu e o Brasil sentimos muito a falta dele!
LJ: Já recebeu convite de outras emissoras?
VV: Eu já recebi sim algumas propostas de outras emissoras, mas continuei na RedeTV!. Tem vários fatores que interferem nas negociações... Depende da proposta, depende do trabalho, tudo é muito relativo. Mas não dá para dizer que não aceitaria nenhuma proposta. A Marlene Matos, inclusive, me chamou para ir para a Bandeirantes, mas ela acabou saindo da emissora e eu voltei para a RedeTV!.
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Vida Vlatt está em cartaz no Teatro do Ator
Vida está em cartaz desde o dia 1º de outubro com sua nova peça, “A Vida é uma Comédia”, de sua autoria, com direção de Cris Ferri. Nesta peça, a atriz mostra toda sua versatilidade e veia humorística, interpretando seis diferentes personagens. Além da empregada cínica e debochada Ofrásia, Vida encarna também a nordestina Severina da Silva, uma suposta prima do presidente Lula, a sacoleira italiana Carmela, a desastrada professora de culinária Sarah Goldman, a mimada Magaléti, e o delegado Botelho Pinto.
Serviço – A Vida é uma Comédia:
Classificação Etária: 10 anos
Onde: Teatro do Ator (Praça Franklin Roosevelt, 172 – Consolação/ São Paulo, SP)
Capacidade para 112 pessoas.
Telefone: (11) 3257.2264 Quando: quintas-feiras, às 22h. A temporada vai até o dia 17 de dezembro.
Quanto: R$ 40,00 (estudantes, idosos e aposentados pagam meia entrada).
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Luciano Burti foi piloto da Fórmula 1, hoje corre pela Stock Car e é comentarista das corridas na TV Globo. Nesta entrevista, ele fala sobre sua carreira, a atual temporada da F-1 e, principalmente, sobre o escândalo que abalou a categoria nos últimos dias.
Logradouros Jornal - Qual a sua opinião sobre este escândalo em Cingapura envolvendo Nelsinho Piquet e o agora ex-chefe da Renault, Flávio Briatore?
Luciano Burti - Eu acho que a gente só tem informação que foi na mídia e é limitada ainda. A gente não ouviu ainda o Nelsinho falar para uma emissora de TV, mas eu sei que isso vai acontecer em breve. Então é difícil fazer um julgamento sem conhecer todos os lados. Quem vê de fora nunca conhece os motivos que ele passou para poder fazer um erro como aquele. Não estou dizendo que tem razão, mas ao mesmo tempo não posso recriminar. A única coisa que eu posso falar é que ninguém ganhou com isso, pelo contrário, todo mundo saiu perdendo, o esporte saiu perdendo.
LJ - O julgamento acabou pesando praticamente apenas pro Briatore, e aliviou pro lado do Nelsinho e da Renault. Você achou as penas justas?
Burti - O Briatore é um cara que a gente sabe que muitas vezes já foi incriminado de fazer alguma coisa de errado. Sempre houve envolvimento dele com alguma coisa que gerou desconforto de alguns. Então, pra mim, sinceramente, o Briatore não é nenhum santo e merece a punição que recebeu (foi banido da F-1). No caso da Renault, queira ou não sempre existe um lado político de você não querer punir uma montadora porque ela faz parte da F-1 e isso é importante. Você não pode culpa-la 100% porque a decisão foi de pessoas que nunca tiveram aval para fazerem isso, então acho que foi uma pena politicamente correta, mas estou de acordo com ela. E a do Nelsinho, dele ter a tal imunidade, como amigo e brasileiro vou dizer que achei bom, ele merece outra chance, mas existe a crítica de outras pessoas que não conhecem ele, que acham que ele deve receber uma punição também. Eu acho que merece outra chance, é um garoto novo que foi influenciado e induzido àquilo que fez. Mas vai ser difícil, a imagem dele foi muito prejudicada.
LJ - Você acredita que o Fernando Alonso não sabia mesmo desta estratégia?
Burti - Acho que ele não tinha nada a ver. Se você está em uma equipe de F-1 e tem gente querendo fazer coisa errada, você também não vai ser um santo que vai lá publicamente dedurar e dizer que não, porque é cada um que se vire como pode. Ele não participou diretamente, e se colheu algum fruto disso é uma outra história, mas a partir do momento que ele não fez nada de errado, se os outros querem fazer algo de errado, azar o deles. Mas acho que ele não teve nada a ver com a história.
LJ - Falando sobre esta temporada. Você acha que ainda dá pro Rubinho ser campeão?
Burti - É possível, a chance do Button é melhor, porque na aritmética ele tem uma vantagem boa. Agora, a chance do Rubinho existe, ele vem andando muito bem e a gente vê que os últimos campeonatos foram vencidos por um ponto apenas. Então até o final, até fechar a conta, ele tem chance. É bem provável que ele tenha que trocar o câmbio (para a próxima corrida e perder cinco posições) porque está dando problema, mas em corrida de carro muita coisa pode acontecer, então não é por isso que o campeonato vai acabar.
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LJ - Você sofreu um acidente muito forte enquanto pilotava na F1, e quase foi obrigado a parar de correr. Isso te influenciou de alguma maneira, te deixou algum trauma? Você acha que o Massa vai retomar a carreira dele normalmente?
Burti - Eu não tive nenhum trauma profissional porque eu não lembro de nada, então desde que eu voltei a pilotar um carro, nada mudou porque eu não lembro, não tenho memória ruim. Pessoalmente foi uma coisa que me abalou, queira ou não foi um acidente muito forte com conseqüências no lado psicológico e emocional, que qualquer pessoa que passa por um acidente pode ter. Varia de caso a caso, mas foi uma coisa que me fragilizou sim, mas pessoalmente, não tem nada a ver com o automobilismo. Então foi uma coisa que fez parte da minha vida, eu cresci muito depois disso, e hoje estou muito bem. Mas o caso do Felipe não dá pra comparar, ele está muito bem, pelo que conversei com os médicos, as conseqüências do acidente dele não foram tão fortes quanto as minhas, então ele vai superar mais fácil e estará de volta ano que vem.
LJ - Na F1 você correu por equipes sem muitos recursos, como a Jaguar e a Prost, e foi piloto de testes da Ferrari por três temporadas, mas não conseguiu uma grande oportunidade na categoria. O que faltou? O acidente influenciou de alguma maneira?
Burti - Acho que cada um sempre vai conseguir achar um ponto, “talvez faltou isso, faltou aquilo”. Depois que você passa por tudo é fácil olhar para trás e ver que poderia ter sido diferente. Acontece muito mesmo, o talento do piloto influencia, mas uma coisa que conta muito é estar no lugar certo e na hora certa. Na equipe Prost, por exemplo, eu tinha contrato para correr em 2002, mas chegou no final do ano a equipe quebrou, quando fiquei sabendo já era muito tarde para conseguir uma vaga em outra equipe. Então ali foi basicamente onde não tive mais chance como piloto oficial. Ao mesmo tempo, meu acidente foi algo que me prejudicou muito, porque eu tive que ficar fora de algumas corridas. Para eu ser piloto de testes da Ferrari eu tive que ficar 100% fisicamente e isso durou um tempinho. Mas não uso e nem vejo isso como desculpa, sou muito realizado por tudo o que aconteceu, agradeço muito e acho que existem histórias diferentes, de gente que teve mais sucesso.
LJ - Verdade, um exemplo disso foi o próprio Rubinho, que estava em uma situação semelhante à sua, mas não só conseguiu continuar, como ganhou um carro competitivo.
Burti - A história dele é impressionante. É óbvio que tem muito méritos do Rubinho, ele é extremamente competente, mas é o que você disse, ele estava desempregado até janeiro, fevereiro e de repente conseguiu um lugar e voltou a pilotar no melhor carro. O próprio Felipe, em 2002, ele foi demitido pela Sauber. Em 2003 ele foi piloto de testes da Ferrari, em 2004 ele voltou a pilotar pela Sauber, até por causa de um acordo que a equipe tinha com a Ferrari. Você vê que ele não teve um início muito bom e depois se tornou um piloto fantástico, mas precisou de uma segunda chance, e quase ninguém tem essa segunda chance. Mas é o que eu falei, muita gente talvez entenda isso como uma certa desculpa, mas eu não dou desculpa porque sou muito realizado com o que aconteceu, e acho que pra quem deu certo, além de estar no lugar certo e na hora certa, tem que ter competência, porque o negócio lá é para poucos mesmo.
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LJ - Você já corre na Stock Car há alguns anos. Nesta temporada, você está em 8º faltando uma prova para a definição dos 10 classificados para o playoff. Quais são suas as aspirações no campeonato desse ano, dá pra ser campeão?
Burti - A gente estava em uma situação mais confortável até a última prova, mas meu carro não estava bom nem no treino nem na corrida, então isso prejudica muito em uma hora decisiva como essa. Não gosto muito nem de fazer contas, o que eu preciso na próxima corrida é ter um carro bom na mão, porque se você tem um carro competitivo, a história muda. Vamos fazer o melhor possível, pra gente ver o que vai acontecer.
LJ - Qual é a importância do preparo físico para o piloto?
Burti - Na Stock Car não exige tanto, a grande dificuldade é o calor, porque o carro é fechado e a temperatura às vezes supera 50°. Então é realmente difícil as vezes, mas mesmo assim é mais fácil do que F-1, onde você precisa de muita força, um preparo aeróbico muito bom, precisa de um treinamento quase de um atleta. É extremamente difícil.
LJ - Como surgiu a oportunidade de você se tornar comentarista de F1 da Globo?
Burti - Na verdade não surgiu muito, foi uma coisa que um dia fui conversar com os diretores da Globo lá e eu achava que falta alguma coisa na transmissão. Por mais que tivesse a experiência e talento do Galvão Bueno e do Reginaldo Leme, que estão lá há 36 anos, eu tenho 34 e nem tinha nascido, os caras já estavam lá, mas faltava a visão técnica de dentro do carro. Eu fui falar com eles para agregar, não para criticar, e então eles falaram “Por que você não faz um teste com a gente?”. Na época eu nem pensava nisso, pensei e me preparei um pouco para ver se era possível e comecei a fazer. Realmente era uma coisa que fazia falta lá, tinha um locutor excelente, um jornalista excelente, mas faltava a visão do piloto. Depois, com o tempo, fui aprendendo. Não é uma coisa tão simples, foi acontecendo e foi tudo uma conseqüência natural, nunca caiu no meu colo. Tem sido bem legal.
LJ - Você viaja junto ou comenta pelo estúdio, devido ao seu compromisso com a Stock Car?
Burti - Metade do ano a gente vai lá pra fora, metade do ano a gente faz aqui do estúdio, então varia. Mas nem é por causa da Stock Car, porque nem tem quase conflito de datas, só uma, no GP do Japão.
LJ - Atualmente você também tem ministrado palestras sobre sua experiência de vida. Como elas são exatamente?
Burti - Cara, isso vou te falar que é uma coisa muito legal. É até um pouco do que te contei, do acidente que sofri, das dificuldades que eu tive. Muita gente que trabalha em empresas vê um piloto de F-1 como uma vida mole, vida mansa, tudo fácil, tudo bacana, e não vê o quanto de trabalho tem até chegar lá, as dificuldades que se enfrenta, para conseguir se levantar de situações de crise e tendo sucesso existem motivos, as coisas não caem do céu. Eu basicamente conto a história da minha vida, não gosto de contar o que eu acho, mas o que aconteceu na minha vida baseado em fatos, e o resultado é muito bom, porque as pessoas tem uma visão bem diferente do que elas acabam conhecendo depois que eu faço a palestra. E o link com o mundo corporativo é muito próximo, trabalho em equipe, superar desafios, dedicação. Então é uma coisa muito bacana de fazer e cada vez mais eu vejo que o resultado tem sido muito bom.
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Dentro de um ano César Cielo passou de uma jovem promessa da natação a um
campeão olímpico e mundial, o maior nome do Brasil nas piscinas. “Cesão”, como é conhecido, fala sobre sua dedicação aos treinos, seus feitos e planos de buscar mais uma medalha de ouro nos jogos de 2012.
LOGRADOUROS JORNAL - Faz pouco mais de um ano que você ganhou a medalha de ouro nas olimpíadas. O que mudou na sua vida durante esse tempo?
CÉSAR CIELO - Eu continuo seguindo a minha rotina, ou pelo menos tento.
Acho que o que mudou é que eu tenho mais tranquilidade porque agora tenho patrocinadores, estou negociando apoios para um novo ciclo olímpico. E também tenho motivação para seguir trabalhando. Mas é claro que a responsabilidade aumentou.
LJ - Você pediu dispensa da sua participação no Troféu José Finkel para descansar. Como você tem aproveitado essas merecidas férias, e até quando vai ficar longe das piscinas?
Cielo - Por enquanto, estou descansando, precisava desse tempo (Nota: Cielo está no Brasil, treinando no Pinheiros. Os treinos estão mais leves, focados na manutenção da forma física. Até o final do ano ele participará apenas de clínicas e compromissos comerciais).
LJ - Quais são os próximos passos na carreira e os planos para o futuro?
CIELO - A partir de janeiro de 2010, volto para Auburn (EUA) para treinar para a principal competição da temporada, o Pan-Pacífico de Los Angeles, onde estarão os principais nadadores americanos e australianos. A médio prazo, meu objetivo maior é nadar bem nos Jogos de Londres/2012.
LJ - Você é um exemplo de vontade e dedicação. Esse é o segredo para o sucesso? Como é a sua rotina de treinos?
CIELO - Acho que é um pouco de tudo, é preciso ter biótipo, aptidão, bons treinadores, boa infraestrutura, equipamentos, meio-ambiente adequado... A rotina de preparação não é exatamente igual. Depende do volume de cada treino. Mas na rotina diária, lá em Auburn eu treinava de manhã bem cedo, de madrugada ainda. Começava a nadar por volta das 5h30 ou 6h. A piscina ficava aberta até às 9h, mas quem tinha aula na universidade às 8h terminava o treino antes. À tarde, todos voltavam aos treinos às 16h. Assim, tínhamos de escolher aulas que terminassem, no máximo, às 15h50. Eu tinha uma média de três ou quatro aulas por dia. Nos dias de treinos duplos eu me dedicava à natação por seis horas, em média. Nos dias de treinos simples eu me dedicava três horas, em média. Acho que uma rotina dessas exige muita disciplina. Então posso dizer que sou disciplinado. |
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LJ - Como você vê a natação brasileira atualmente? O Brasil tem a infraestrutura necessária para formar nadadores de alto nível, ou hoje é fundamental treinar fora do país?
CIELO - A natação cresceu muito este ano. Desde 2007 dizíamos que precisávamos de medalhas para provar que esta é a nova geração da natação. O mais difícil a gente conseguiu: deixar o Brasil com cara de time grande. Reclamei no passado, mas este ano tenho de dar os parabéns à Confederação (Brasileira de Desportos Aquáticos). Por isso tivemos os resultados que a gente conseguiu.
LJ - Quem são seus ídolos?
CIELO - Meus ídolos são mesmo da natação e acho que está mais relacionado com pessoas que eu vi nadar enquanto eu estava crescendo, enquanto eu era menor. São o Gustavo Borges e o russo Alexander Popov, velocistas do estilo livre, assim como eu. Fora da natação, admiro o Tiger Woods, o Lance Armstrong e, mais recentemente, tenho acompanhado os bons resultados do tenista Roger Federer. Gosto dele porque não se cansa de ganhar.
LJ - Michael Phelps declarou ser contra os maiôs tecnológicos e eles serão banidos a partir do ano que vem. Qual a sua opinião sobre isso, e até que ponto vai alterar os resultados pessoais?
CIELO - Não sou contra nem a favor. Sou apenas a favor da igualdade de condições. Se todos têm acesso à nova tecnologia, por que não usá-la? A evolução no esporte e no mundo é uma coisa impossível de se conter. Se mesmo com os novos maiôs ainda vemos quem é o melhor nadador, não vejo problema no uso desse novo material.
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LJ - E quanto aos patrocínios, é difícil para um nadador conseguir no Brasil?
CIELO - Sempre tive ajuda para treinar. Primeiro da minha família. Meu clube é o Pinheiros, tenho patrocínio dos Correios e fechei também uma parceria com a Arena, empresa italiana de material esportivo. Eles têm o perfil de parceria que eu estava procurando. Mas falta uma empresa brasileira, ainda, um patrocinador master, até 2012. Vim para o Brasil, depois do Mundial, pensando que agora não tem mais desculpa para o Felipe (França, vice-campeão mundial dos 50m borboleta) e eu não termos uma empresa patrocinadora no Brasil.
LJ - Você já é o maior nadador brasileiro da história e está se tornando um dos maiores ídolos do Brasil no esporte. Como isso pode ser aproveitado para o incentivo e desenvolvimento das futuras gerações de nadadores?
CIELO - Acho que vários nadadores tiveram um papel importante na natação do Brasil e tiveram um peso em momentos diferentes do nosso esporte.
Estou treinando e me dedicando para ser o melhor e mais rápido nadador que eu posso ser. Fico feliz por saber que tive este papel de ajudar a incutir esta mentalidade vencedora, mas também há resultados de outros nadadores brasileiros, como o Felipe França. Espero que surjam novos nomes, que a gente se ajude e divida a responsabilidade.
LJ - Deixe um recado para os jovens que sonham em se tornar um grande atleta.
CIELO - Para ser um grande atleta, acho que é preciso ter muita dedicação no que faz, comprometimento com o trabalho o tempo todo e uma boa dose de sorte.
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O cientista político Humberto Dantas faz uma análise sobre os últimos acontecimentos do Senado e avalia a atuação do PT ao apoiar o senador José Sarney. Para Dantas, a classe política brasileira é um espelho fiel do que o povo brasileiro é.

Logradouros Jornal: Qual a repercussão das ações atuais do Senado no Estado de São Paulo?
Humberto Dantas: Existem pesquisas mostrando a indignação da sociedade brasileira, e com a paulista não é diferente. Para completar, temos um senador que se mostra pouco habilitado para associar suas posições pessoais ao comportamento de seu partido, protagonizando lances bizarros, ética e moralmente duvidosos.
L.J: O senador Aloízio Mercadante, um dos favoritos do PT às eleições para governador de São Paulo voltou atrás e desistiu de sua renúncia da liderança do Senado. Essa atitude atrapalha sua possível candidatura?
Dantas: Até mesmo para o Senado. Mercadante foi o homem dos 10,5 milhões de votos para senador que caiu na armadilha do deslumbramento.
Fico com uma matéria da revista Exame sob o título “O homem que se apequenou”. Suas atitudes, sobretudo aquelas que vieram à tona, não são condizentes com o que esperamos de um senador. Ano que vem ele deve se reeleger por conta da força do partido no Estado, mas não será a mesma coisa que em 2002.
L.J: Como ficou o Partido dos Trabalhadores após o apoio direto ao senador José Sarney?
Dantas: Não é apenas por conta do apoio direto, mas é porque alcançou o governo. Tornou-se um partido comum, e, como todos os outros, em nome da governabilidade, teve que ceder e praticar tudo aquilo o que sempre criticou.
Em tese, seria como dizer: o PT amadureceu como partido, mas é triste concordar que o amadurecimento guarda relação direta com o apodrecimento de valores fundamentais.
L.J: O PT sempre defendeu a ética e se mostrou o partido do povo. Povo esse que, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, 70% queria o senador José Sarney fora do comando no Senado. Contrariar a maioria não pode ser um risco para as futuras eleições?
Dantas: Pode, bem como pode ser uma vantagem em relação ao que o PT deseja do PMDB: o tempo de TV necessário, no plano nacional, para fazer Dilma presidente. É o preço que terá que pagar.
L.J: Ou seja, para colocar Dilma no poder vale tudo, até salvar Sarney?
Dantas: Pelo visto sim. Quase tudo.
L.J: Qual a visão do senhor sobre esse cenário de interesse?
Dantas: O que Lula está fazendo é arriscado. Para ter a melhor vista possível é necessário chegar mais perto do abismo, e Lula está indo perto demais.
Isso pode ser resultado de sua popularidade. Lula corre o risco de cair no abismo por falta de dimensão conjuntural. Isso ele já demonstrou que gosta de fazer: correr riscos associados à sua imagem. E quando tudo parece ruim, ele piora o nível de seus discursos, se torna agressivo, chama o time de futebol pra receber medalhas e coisas do gênero.

L.J: Alguns senadores que votaram a favor do arquivamento dos processos contra o peemedebista taparam o rosto e disseram “sim” longe do microfone. Ano que vem teremos eleições. Até lá quem se lembrará desses episódios?
Dantas: Lula se livra fácil de acusações de corrupção, mas isso não ocorre com todo mundo. Muitos serão cobrados. Mercadante será massacrado nas eleições. Do seu posicionamento contra o partido no mensalão, passando pelo dossiê dos aloprados em 2006 e chegando nesse comportamento dúbio do escândalo Sarney. Vai respingar sim, e é por isso que se desenhou mais um acordão.
L.J: Dois petistas (a senadora Marina Silva e o senador FlávioArns) não aguentaram a pressão e saíram do partido. Até que ponto essa saída prejudica o PT?
Dantas: Oferece a esses dois políticos a possibilidade de se lançarem contra o governo dizendo: nós fomos porque não aguentamos tantas barbaridades. Mas isso já ocorreu antes com intelectuais, artistas e mesmo com o grupo que fundou o PSOL. Saem dois ativistas e entram 1000 pragmáticos. O PT perde a cara, mas o governo se mantém.
L.J: Que mudanças devem correr para que a população volte a acreditar no Senado?
Dantas: Educação política suprapartidária nas escolas para que possamos sonhar em ser uma democracia em 20 anos. É só isso. Essa é a verdadeira reforma política.
L.J: E na política em geral, dá para confiar?
Dantas: Da mesma forma como confiamos nas pessoas. A política é o conjunto de realizações, desejos, direitos e conquistas dos sujeitos em uma sociedade. Se desconfiamos da política, estamos desconfiando de nós mesmos. Se dizemos que a política não tem jeito, então não temos jeito. A responsabilidade é infinitamente mais nossa do que imaginamos, e só a educação para mudar isso. Precisamos de um banho de ética e caráter. Isso falta para esse país. É duro dizer, mas a classe política brasileira é um espelho fiel do que o povo brasileiro é. Ouvir isso e se indignar é esquecer de tudo o que fazemos contra a lei. Desde nosso comportamento no trânsito, às filas furadas, aos jeitinhos, à lei de Gerson, à impunidade. O Brasil não tem caráter fácil.
L.J: O que deve fazer o eleitor para mudar esse cenário sombrio que vivemos hoje?
Dantas: Votar com consciência, mas exigir isso das pessoas sem uma ação coletiva é trágico. Precisamos mudar coletivamente. (veja entrevista completa no site www.logradourosjornal.com.br.
Humberto Dantas é doutor em ciência política pela USP, coordenador do curso de ciência política da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e conselheiro do Movimento Voto Consciente.
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Luiz Roberto Barradas,
secretário estadual da Saúde de São Paulo, esclarece, nesta entrevista concedida por sua Assessoria de Imprensa, algumas dúvidas sobre a lei antifumo, que passou a vigorar semana passada e ainda gera muita polêmica entre os tabagistas.

No último dia 7 entrou em vigor a lei estadual que proíbe o fumo em ambientes fechados de uso coletivo. Que impacto que a nova legislação terá sobre a saúde da população?
Luiz Roberto Barradas: O fumo passivo é a terceira causa de mortes evitáveis no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso significa dizer que os não fumantes, ao conviverem com a fumaça tóxica e cancerígena do cigarro alheio, correm os mesmos riscos de desenvolverem problemas como cardiopatias, enfisema pulmonar, insuficiência respiratória e câncer, todos ligados ao tabagismo. E já está comprovado que a presença de fumódromos não assegura que os estabelecimentos fiquem livres do tabaco, pois a fumaça não respeita fronteiras. Por isso acreditamos que a nova legislação traz um enorme benefício para a imensa maioria da população paulista, composta por não fumantes, que não têm mais de respirar a fumaça do tabaco em ambientes fechados.
O senhor acredita que a lei irá pegar?
Barradas - Pesquisas realizadas pelo governo paulista apontam que cerca de 90% da população é favorável à restrição do fumo em ambientes fechados de uso coletivo. A aprovação da lei é alta, inclusive, entre os próprios fumantes.
Eles sabem que a fumaça do cigarro faz mal às demais pessoas, mas continuam fumando nos bares e restaurantes porque ainda não há uma cultura de ambientes saudáveis e livres de tabaco nesses locais.
Como é feita a fiscalização a partir de agora?
Barradas - Desde o final de maio a Vigilância Sanitária Estadual, em parceria com o Procon, vem realizando inspeções educativas em estabelecimentos comerciais, principalmente em bares, restaurantes e casas noturnas para orientar proprietários e responsáveis sobre as regras da lei e sobre as medidas obrigatórias, como, por exemplo, a retirada de cinzeiros, eliminação dos fumódromos e a afixação de avisos informando sobre a restrição. A partir da última sexta-feira, dia 7, cerca de 500 agentes estão percorrendo o Estado para fiscalizar se de fato os estabelecimentos se adequaram, podendo aplicar multas que variam entre 50 e 100 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo) e, em caso de reincidência, interditar o local por 48 horas e, posteriormente, por 30 dias.
O senhor acredita que o número de fiscais é suficiente?
Barradas - Sim, porque esses 500 agentes cuidam apenas da fiscalização da lei antifumo, mas há o trabalho rotineiro de inspeções de estabelecimentos comerciais, realizado pelas vigilâncias sanitárias estadual e municipais, em um total de 1,5 mil profissionais, que também irá contemplar a nova legislação.
Além disso, a própria população pode auxiliar nesse trabalho, denunciando os estabelecimentos que ainda permitem o fumo nos espaços fechados, por intermédio do site www.leiantifumo.sp.gov.br e do telefone 0800-771-3541.
Entidades representativas dos bares e restaurantes alegam que haverá prejuízo para os estabelecimentos, já que, como não poderão fumar, os clientes deixarão de ir a esses locais.
Barradas - Não acredito em uma redução expressiva da frequência nesses locais. Pelo contrário, pessoas que são avessas ao cigarros passarão a ir nesses estabelecimentos. Além do que, já existe há muito tempo restrição ao fumo em ambientes como os aviões, cinemas e teatro e não houve diminuição de clientes por conta disso. Em cidades como Nova York, Paris e Buenos Aires, que adotaram leis semelhantes, os bares, restaurantes e casas noturnas continuam funcionando normalmente. Tudo é uma questão de hábito, de adaptação, o que é perfeitamente possível, com benefícios à saúde da população.
Mas por que penalizar os donos dos estabelecimentos com as multas em vez de aplicar estas sanções aos próprios fumantes?
Barradas - O fumante é um doente que precisa de tratamento, não de multa.
E é dever de empresários e comerciantes garantir as devidas condições de segurança, higiene e saúde de seus estabelecimentos, zelando inclusive para que os ambientes fiquem livres da fumaça do cigarro que tanto mal faz aos que a respiram.
Se o fiscal não encontrar ninguém fumando no estabelecimento, mas houver cinzeiro e cheiro de cigarro, pode aplicar multas?
Barradas - Algumas evidências são levadas em consideração, como a presença de cinzeiros e de bitucas de cigarro, e a ausência de cartazes informando sobre a proibição. Essas situações configuraram indício de que o estabelecimento descumpre a legislação e, portanto, está sujeito às autuações previstas.
Os fiscais podem abordar as pessoas que estão fumando no local?
Barradas - Não. Os técnicos também receberam recomendação expressa de não abordar clientes e outras pessoas no local, mesmo que elas estejam fumando. A abordagem deve ser feita junto aos proprietários e responsáveis pelos estabelecimentos, sempre com polidez, respeito e discrição, para que a fiscalização ocorra de forma pacífica, sem discussões.
Em que locais o fumo ainda é permitido?
Barradas - Ficaram excluídos da proibição apenas os locais de culto religioso onde o fumo faça parte do ritual, instituições de saúde que tenham pacientes autorizados a fumar pelo médico responsável, vias públicas, ambientes ao ar livre, residências e estabelecimentos exclusivamente destinados à venda e consumo de produtos fumígenos, além de outras situações que dependerão de autorização da Justiça, como, por exemplo, o uso de cigarro em apresentações teatrais ou em filmagens para televisão e cinema, por exemplo.
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