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Ana Lúcia Torre, a inesquecível “Tia Neném”, revela como será seu novo personagem na TV

Logradouros Jornal - As pessoas nas ruas ainda te chamam de “Tia Neném”?
Ana - Sem dúvida. Foi um personagem muito popular. Isso é legal, porque sempre que as pessoas me chamam elas já chegam rindo para perto de mim.

LJ - Você se inspirou em alguém nesse papel?
Ana - Não, eu trabalhei de acordo com o texto. Eu ia me divertindo com ele e a “Tia Neném” foi ficando daquele jeito.

LJ - É verdade que houve até abaixo-assinado para que ela continuasse na novela até o final?
Ana - Sim. Foi uma brincadeira da turma toda, porque desde o início eu sabia que ela morreria na metade, aí o pessoal começou a dizer para o Denis (diretor) que ela tinha que ficar, que era divertida. Teve também muita repercussão na mídia, e ela ficou.

LJ - Agora você vai fazer a próxima novela das seis, mas vai morrer logo. Dá para adiantar algo?
Ana - Eu devo morrer lá pelo capítulo 20, mais depois eu viro um espírito de luz e tento proteger a vida do meu filho, que é o Gabriel Braga Nunes.

LJ – Você estudou espiritismo para fazer esse papel?
Ana - Eu sou espírita, isso ajuda a compor o personagem.

LJ - Terá algo de cômico?
Ana – Nada. Ela é uma mulher muito fina, rica, empresária, elegante e discreta.

LJ - Além da novela, você está em cartaz com a peça “Como se tornar uma super mãe em 10 lições”. Você faz o papel da mãe protetora. Na vida real você é assim?
Ana – De jeito nenhum. Eu deixo meu filho tomar o rumo dele.

LJ - Qual a consequência de uma superprotetora?
Ana - Eu acho que ela sofre muito porque não tem um minuto de descanso, a não ser pensar no que fazer para o filho, e ela também dificulta a vida dele quando o superprotege.

LJ - A peça é uma comédia, mas trata de um assunto sério, que é a educação dos filhos. Que mensagem ela deixa para o público?
Ana - Eu acho que muitos filhos se vêem em situações pelas quais já passaram e eu espero que com esse alerta as mães aprendam que ela pode proteger, mas não viver a vida deles.

LJ – Você chegou a ser presa durante a ditadura, o que aconteceu?
Ana - Isso foi numa época em que eu fazia parte de um grupo de teatro da faculdade que fez Morte e Vida Severina. Depois eu fui para a Europa e fiquei sete anos lá. Quando eu voltei, o meu grupo inteiro estava sendo detido para esclarecimentos, segundo eles para ver o que a gente estava fazendo depois de tanto tempo. Eu cheguei nessa época e fiquei uma semana numa cela respondendo a perguntas o tempo inteiro, depois me liberaram.

LJ - Hoje você se sente num país livre?
Ana – Sim, mas infelizmente é um país que ainda tem herança da época da colonização, em que algumas pessoas que chegam ao governo querem tirar o máximo de proveito e o povo ainda não tem uma consciência política para dizer basta.

Oswaldo Montenegro fala de seus projetos e revela seu lado ousado

 

 

Logradouros Jornal - Quando se fala em Oswaldo Montenegro, vem na cabeça o músico vencedor de grandes festivais. Você sente falta desse tipo de concurso?
Oswaldo Montenegro - Não, mas sou grato a eles. Funcionavam como encurtadores de caminho entre a nossa canção e o público. Músicas que a gravadora e a rádio consideravam não populares, se mostravam acessíveis fazendo grande sucesso.

LJ - Esses festivais alavancaram sua carreira, mas além de cantor e compositor, você é também autor e diretor de teatro e recentemente dirigiu um longa. O que te dá mais prazer fazer?
OM - Compor. Se tivesse que escolher entre as atividades que exerço, escolheria essa.

LJ - Por que resolveu adaptar uma peça sua “Léo e Bia”, de 25 anos atrás, para o cinema?
OM - É uma história que eu precisava contar, semiautobiográfica.

LJ - O que fez esse filme ser sucesso de crítica?
OM - Não sei. Mas fiquei muito feliz com a recepção que ele teve. Ele foi confeccionado com grande paixão e completamente fiel às ideias estéticas que estavam na minha cabeça. Algumas vinham na contramão do que se esperava. Por exemplo, um filme que fala de Brasília sem mostrar sua área externa, apontando apenas para o que se sente, estando nessa cidade paradoxal. Uma interpretação hiper-realista dos atores, contrastando com elementos cênicos que fugiam da realidade. Enfim, uma estética diferente que foi “comprada” por um elenco generoso, a quem sou muito grato.

LJ - Qual a mensagem que você queria passar nesse trabalho?
OM - A do afeto. O filme é uma homenagem à amizade.

LJ - Você ainda mora no Rio em seu apartamento surreal, totalmente colorido? Verdade que levou seis anos para pintar e deixá-lo como uma arte abstrata, colorindo móveis, eletrodomésticos, cortinas, violão, tudo para fugir da sensação de vazio? Conseguiu?
OM - Sim. Só não demorei seis anos. Estava fazendo uma trilha para um balé sobre pintores, me encantei com isso e em vez de ter quadros em casa, quis morar dentro de um.

LJ - O que mais você faz ou já fez para tentar sair do tédio?
OM - A grande saída é a ousadia. O tédio está vinculado a uma ideia falsa de segurança, à sensação podre de que temos caminhos traçados e ajuizados para seguir. O mundo é rico e a vida é vasta.

LJ - Numa entrevista à Istoé você disse ter sido diagnosticado por oito especialistas com retardo mental, inclusive sendo impedido de tirar carteira de motorista. O que isso mudou na sua vida?
OM - Me fez acreditar que nossas potencialidades e dificuldades intelectuais não nos qualificam, não nos dão nem tiram valor. A verdadeira genialidade é a bondade. A verdadeira inteligência é o afeto.

LJ - De onde surgiu a ideia de premiar com R$ 30 mil o melhor clipe de duas músicas do seu novo álbum? Qual a sua expectativa nessa empreitada?
OM - Saiu da cabeça de Kamila Pistori, assessora de imprensa. Aderi a ela com entusiasmo porque quero, nessa época de interatividade, exercer isso a fundo. Nosso tempo permite que o público e o artista que mora nele, façam sua arte sobre a arte que fazemos. Adoro essa ideia. Têm chegado vídeos de tudo quanto é tipo. É essa diversidade que me encanta e que eu procurava.

LJ - Esse concurso é uma forma de atingir a grande massa? Aliás, qual a sua relação com esse público?
OM - Não acho que ele consiga atingir a grande massa. Aliás, não penso em quem vou atingir. Jogo a seta e o alvo não é problema meu.

LJ - Qual a perspectiva de shows na capital?
OM - Dias 20 e 21 de janeiro vou fazer dois shows bem íntimos no Tom Jazz.

 

 


O jornalista Celso Zucatelli, do programa “Hoje em Dia”, fala de seu novo jeito de fazer jornalismo


Logradouros Jornal - No início deste mês você foi reconhecido na categoria TV pelo prêmio Magnífico, que destaca os melhores profissionais do país, deste ano. Em que você acha que mais se destacou?

Celso Zucatelli - Na minha modesta opinião, sem dúvida nenhuma, acho que isso é resultado de um trabalho de equipe que a gente tem no “Hoje em Dia”.

LJ - Você sente saudades de fazer um jornalismo mais formal?

CZ - Saudades não. Eu tenho excelentes recordações. Aconteceram muitas coisas maravilhosas na minha carreira de terno e gravata, mas hoje eu continuo fazendo jornalismo, a diferença é que eu faço uma coisa mais solta, mais conversada com o telespectador.

LJ - Você acredita que os telejornais estão mudando sua forma de noticiar?

CZ - Eu tenho certeza absoluta disso. Eu acho que tem espaço para todos os formatos.

LJ -Qual sua opinião sobre os programas que misturam humor e jornalismo. É uma boa combinação?

CZ - Depende a forma como se faz isso. Se você souber fazer com responsabilidade, respeitar as partes, tiver ética, você está fazendo jornalismo. Quando as pessoas fazem humor, não necessariamente estão com essa preocupação, então eu acho que é importante que o telespectador saiba o que é uma coisa e o que é outra.

LJ - Qual o maior vilão do programa ao vivo?

CZ - Eu não vejo problema, ao contrário, vejo solução. Acho que num programa ao vivo você tem a possibilidade de deixar o telespectador seguro. O interessante disso é que ele sabe que mesmo num momento de diversão do programa a gente pode interromper para passar uma informação importante que acaba de acontecer. Outra coisa é que se você erra, pode corrigir na mesma hora.

LJ - Esse ano você noticiou a morte de um colega de emissora (Amin Khader) e depois teve que se desculpar pelo erro, qual foi a consequência dessa falha?

CZ - A gente ficou mais atento. Informação exige responsabilidade, apuração correta, preocupação com o telespectador e com as pessoas envolvidas na notícia e, quando acontece uma coisa dessas, a gente tem que estar mais criterioso. Foi muito desagradável para todos nós, e eu acho que todo mundo aprendeu a lição, depois disso.

LJ - Muitas gafes acabam sendo cometidas em programa ao vivo, você pode citar algumas delas?

CZ - Às vezes, acontecem ataques de risos, e isso ocorre com frequência, é impressionante. Gafe não é problema, só mostra que a gente é humano, faz parte.

LJ - Você disse numa entrevista que uma das coberturas que mais te marcou foi a que fez sobre as eleições de Obama, por que?

CZ - Porque era uma mudança cultural nos Estados Unidos, uma batalha contra o preconceito. Eu acho que o povo americano precisava daquilo. Aquilo foi um momento mágico, e tudo o que acontece lá tem um efeito impressionante no mundo inteiro.

LJ - Qual a sua opinião sobre a obrigação do diploma para exercer a profissão de jornalista? Você é favorável?

CZ - Sim. Eu acho que há uma certa confusão nesse tema, porque as pessoas, muitas vezes, confundem um comentarista ou um especialista com o jornalista. Eu acho que as pessoas têm que estudar sim e, principalmente, acredito que a qualidade de ensino no jornalismo também precisa melhorar.

LJ - Qual notícia você gostaria de dar para o paulistano em 2012?

CZ - Eu gostaria muito de dar em São Paulo a notícia de que nesse período de chuvas de verão a cidade se preparou para não ver carro boiando e pessoas perdendo suas casas por conta das enchentes. Se a gente conseguir dar esse tipo de notícia, logo no começo do ano, eu ficaria muito feliz.

 



O ator Tiago Abravanel fala de sua fama e do contato com o avô, Silvio Santos


Logradouros Jornal - Muitas pessoas renomadas, da música e do teatro, entre elas a Fernanda Montenegro elogiaram a sua atuação no musical “Tim Maia-Vale Tudo”. Isso mexe com o ego? O que mudou na sua vida?

Tiago Abravanel
– Eu acho que em termos de comportamento não mudou. Eu sempre procuro ter os pés no chão, buscando a minha integridade como pessoa, como artista. Mas é obvio que é muito gostoso você ter o seu trabalho reconhecido.

LJ – Numa entrevista à Marília Gabriela, você disse que, certo dia, chegou em casa e começou a chorar, pedindo uma “vida normal”, que situação foi essa?

Tiago
- Foi num momento de muita exposição e que eu não tinha ainda digerido a questão de estar em evidência, na boca do povo, digamos assim.

LJ - Mas você vem da família do maior apresentador do Brasil. Isso não te preparou para o que poderia acontecer em relação à fama?

Tiago
- Obviamente que esse histórico me fez começar a pensar nisso antes, mas não tira a carga de passar por isso. Na verdade, o que eu sempre busquei era justamente o contrário disso, no sentido de ser reconhecido, independente da família que eu tenho.

LJ - O fato de você ser neto do Silvio Santos já te ajudou?

Tiago
- Olha, nenhum momento alguém me contratou ou me deu uma oportunidade por eu ser neto dele, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Meu trabalho é independente do meu sobrenome.

LJ – E como é sua relação com ele?

Tiago
– A minha relação com o meu avô nunca foi de família de margarina. Ela é muito saudável, ele dá conselhos e tal, mas nada muito nos padrões normais, porque sempre houve muito trabalho da parte dos dois.

LJ - Ele é do tipo de avô que enche o neto de presentes, mão aberta como a gente vê na TV?

Tiago
– Não (risos), nem um pouco por aí, é uma relação de muito aprendizado. Meu avô sempre me protegeu, me deu estrutura familiar, mas nada como as pessoas imaginam do tipo, ‘Vô, me dá isso’.

LJ – Você já pensou em assumir o seu posto?

Tiago
– Tem pessoas que são insubstituíveis e eu acho que o Silvio Santos é uma delas.

LJ – Voltando ao espetáculo do Tim, você precisou engordar para ficar parecido com ele?

Tiago
- Não, eu sempre fui bolota. (risos)

LJ - Você estava na novela “Amor e Revolução”, do SBT, e saiu por conta do espetáculo. Pretende voltar para a TV?

Tiago
- Pretendo, não agora nesse momento.

LJ - É verdade que você já foi sondado pela TV Globo?

Tiago
- Olha, não tive até agora nenhum convite oficial, ouvi dizer pela imprensa.

LJ - Mas você tem ou já teve um dia esse sonho de um dia fazer novela na Globo?

Tiago
– Eu acho que todo ator tem essa vontade, porque, quer queira ou não, é uma empresa reconhecida, principalmente pelo trabalho de teledramaturgia, então, acho que todo ator sonha e tem vontade de fazer um trabalho bacana numa empresa tão respeitada.

LJ - Seu avô não ficaria bravo, não? (risos)

Tiago
– Olha, eu acho que não, acho que muito pelo contrário, ele ficaria muito orgulhoso.

LJ - Qual a previsão de trazer o espetáculo para SP?

Tiago
– Março do ano que vem, provavelmente no (teatro) Procópio Ferreira.

LJ - Para finalizar, o que você espera para 2012?

Tiago
- Muito Tim Maia na minha vida.

 



Mônica Iozzi
, do CQC, conta como os políticos fazem para fugir de suas perguntas embaraçosas


Logradouros Jornal - Como era a sua vida antes de virar integrante do CQC?

Mônica Iozzi
- Sou atriz de formação, fiz Artes Cênicas na Unicamp e trabalhei também como vendedora de livros.

LJ - Hoje você passa mais segurança em suas reportagens do que no início. Mesmo assim, você comete gafes?

MI
- Ah sim! Tudo na vida é uma questão de progresso, né? Quanto às gafes, certamente, sempre vou continuar fazendo.

LJ – Dá para citar algumas?

MI
- De cabeça, agora não me lembro de nenhuma!

LJ - Até hoje, qual foi o momento mais constrangedor que você passou no programa?

MI
– Constrangedor, diria que nenhum. Já tive, mais no começo isso, inseguranças! Fazer as matérias em Brasília, no início, era mais complicado.

LJ – Você vai muito prá lá, e deixa vários políticos de “cabelo em pé” (até mesmo os carecas - risos). Qual foi a situação mais complicada que ocorreu com você no Congresso?

MI
- Nossa equipe foi agredida pelo deputado Nelson Trad. Sem dúvida, o pior e mais deselegante momento.

LJ - Qual a sensação de ser muitas vezes “odiada” pelos políticos? Eles, realmente, fogem de você?

MI
- Não me sinto pessoalmente odi-ada! Alguns fogem, evitam, fingem falar ao celular, mas muitos são simpáticos.

LJ - Dá para tratar todos os entrevistados igualmente em Brasília ou você acaba sendo mais branda com fulano ou beltrano?

MI
- Tudo depende da pauta, das respostas, das reações e da ficha do cidadão.

LJ – Recentemente, o deputado Paulo Maluf ficou irritado com você. Geralmente ele leva na brincadeira as questões que o CQC faz a ele, mas dessa vez colocou até sua mãe no meio. Você já imaginava uma atitude dessas ou ficou surpresa?

MI
- Não fiquei surpresa! Eu fui até o limite com as questões e ele foi acompanhando.

LJ- Já falou alguma bobagem e depois se arrependeu no programa?

MI
- Sim, mas graças ao bom Deus existe a edição! (risos)

LJ - Desse tempo que está no CQC já foi ameaçada de processo por alguma personalidade?

MI
- Não, nada ainda! E oremos para continuar assim! Nossa... Tô tão religiosa hoje.

LJ – Você disse numa entrevista que o CQC te mostrou a “maldade”, como assim?

MI
- Passei a ser menos ingênua! Isso foi positivo pra mim!

LJ - E você falou também que o mundo da política e da fama podem ser bem mais sujos que a gente imagina. Que sujeira é essa?

MI
- O mundo da política é bem pior ao vivo do que pela televisão. Quando estou andando pelo Congresso não há filtro, sabe? E esse universo dos famosos também é muito esquisito. É patético saber que uma pessoa chega a ligar para uma revista de fofocas para dizer: ‘Olha estarei no restaurante X ao meio-dia, tá?’ Apenas para ser fotografada! Fala sério...

LJ - Fala a verdade, já recebeu cantadas ou propostas indecentes de políticos?

MI
- Apenas galanteios, mas são, no fundo, para desvirtuar o foco das perguntas! Nada mais.

LJ - Quais são as pautas que você mais gosta de fazer?

MI
- Apesar de fazer menos este tipo de matéria, adoro as pautas em que falamos com as pessoas nas ruas. Gosto de ouvir a galera.

LJ - Como você se sentiu na bancada do CQC no lugar do Rafinha?

MI
- Foi legal! Já tinha participado em outras ocasiões, mas desta vez a responsabilidade foi maior.

LJ- Qual sua opinião sobre a saída dele?

MI
- Ele saiu?

LJ – Não saiu?

MI
- Você perguntou a minha opinião em relação à saída dele. Eu respondi perguntando a você se ele saiu, pois não sei se ele saiu! Essa questão você tem de ver com a Band.

 



PC Siqueira
, dono de um dos vlogs mais acessados na internet, fala sobre sua fama


Logradouros Jornal Você imaginava que um dia seria famoso?

PC
Siqueira - Eu imaginava como seria se eu fosse famoso um dia. Todo mundo imagina isso. Só não pensei que isso fosse de fato acontecer. Nunca busquei esse tipo de coisa para a minha vida. E no final das contas, é bem diferente do que eu imaginava.

LJ - O que a fama trouxe de bom e de ruim na sua vida?

PC
- O bom é que as coisas ficaram fáceis, e as pessoas me respeitam muito, mesmo que o respeito seja por obrigação, afinal ninguém quer encrenca com alguém que tem influência. Eu não uso desse artifício, porque acho sujo, mas funciona por associação. Mas o bom é que eu posso ter acesso a muita coisa que antes teria uma dificuldade astronômica para conseguir, como fazer coisas interessantes e curiosas, e ter liberdade para criar. E o mais importante é o que eu falo agora, é ouvido por muita gente, e isso não tem preço. Independência financeira também é um ponto positivo. Todo o resto, tirando isso que foi citado agora, é negativo. Não consigo ver nada de positivo além dessas coisas que citei.

LJ - Qual era o seu sonho de adolescente?

PC
- Ser desenhista de quadrinhos. Acabei sendo colorista.

LJ - Quando sua vida passou a tomar o rumo da fama?

PC
- Em 2010. Quando coloquei meu primeiro vídeo no ar.

LJ - E o que você disse nele?

PC
- Falei de não ter conseguido assistir um filme no cinema. O Avatar, no caso.

LJ - Dizem que você é um dos fenômenos do mundo virtual, você concorda?

PC
- Talvez, no Brasil sim. Modéstia à parte, eu ter começado com o meu vlog desencadeou uma série de pessoas fazendo conteúdo (bom ou ruim) para a internet. Acho importante o usuário sair da posição passiva na internet.

LJ - Quando você começou a usar a internet, você tinha que idade?

PC
- Por volta dos 12 anos, entre 97 e 98. Era novidade na época.

LJ - Quantas horas você fica em frente ao computador?

PC
- Todas as horas do meu dia. Estou sempre com meu laptop na mão ou em frente ao meu desktop.

LJ - Nos seus vídeos você diz o que vem na cabeça. Já chegou a ser ameaçado de processo?

PC
- Não, porque não posso ser processado por algo que não é um ataque direto. As pessoas podem se ofender por não se identificar com que eu falo e discordarem, mas eu não saio ofendendo as pessoas. Às vezes, posso ofender ideologias, ou sei lá. Tento ser o mais honesto possível, doa a quem doer.

LJ - Você estudou até que série?

PC
- Na escola, só a primeira série do ensino fundamental. O resto fiz supletivo. Mas para ser honesto nunca precisei de nada disso.

LJ - Se arrepende de ter parado de estudar?

PC
- Não. Tudo que sou hoje tem influência dessa minha criação alternativa.

LJ - Está satisfeito com o que ganha?

PC
- Estou muito satisfeito. Já consegui comprar muitas coisas importantes e supérfluas.

LJ - Como ganhar dinheiro na internet?

PC
- Fazendo algo relevante que dure o suficiente para chamar atenção de quem tem dinheiro para investir no que você faz.

LJ - Na MTV, como funciona o seu trabalho, o roteiro é seu? Aliás, tem roteiro?

PC
- O roteiro é meu e da minha equipe. Eles escolhem os assuntos, fazem a pauta do programa e das matérias. Eu encabeço a coisa escrevendo o texto.

LJ - Qual é a dica que você deixa para quem busca o sucesso pela internet?

PC
- Não buscar o sucesso. Não tem uma fórmula para conseguir isso. Muito pelo contrário, sempre vejo gente que quer ficar famoso, e fica ridículo. Eu acho deprimente a imagem de alguém tropeçando e sofrendo em busca da fama, ao invés de depositar essa energia para fazer algo legal e original e ficar famoso por consequência. Fama não devia ser um objetivo e sim só um resultado.

LJ - O que mais o público pode esperar de você para os próximos meses, tem alguma novidade?

PC
- Programa novo semanal, MTV Games e mais um ano de PCnaTV, talvez um stand up, quem sabe?

 



A artista Monique Evans, segunda colocada em
“A Fazenda 4”, conta o que faria se ganhasse os R$ 2 milhões


Logradouros Jornal Você ficou satisfeita com a segunda colocação na Fazenda?
Monique Evans
- Eu nem esperava ficar entre os finalistas. Pra mim foi uma surpresa ir passando, passando, passando, então, qualquer colocação seria ótima, porque o que eu esperava mesmo era tirar aquela imagem que tinha ficado da minha primeira vez, quando eu participei na Fazenda 3.

LJ - Qual a sensação de estar prestes a ganhar R$ 2 milhões e, na hora H, perder essa chance?
ME
- Na verdade, quando as três finalistas estavam sentadas, eu achei que fosse ficar em terceiro lugar. Eu nunca pensei em ganhar. Só depois que eu saí do programa e vi tantas pessoas na rua me perguntando por que eu não ganhei, que eu percebi que ficou todo o mundo revoltado com isso.

LJ - E o que você faria se ganhasse?
ME
- Então, eu sempre imaginei que se eu ganhasse, o dinheiro iria ficar para a minha aposentadoria, porque a minha maior preocupação é não encher o saco dos meus filhos na minha velhice, entendeu? Porque eu não vou ter ninguém para tomar conta de mim. Mas claro, eu ia ajudar a minha empregada, que perdeu a casa um tempo atrás e mora com os filhos numa garagem. Também tem uma igreja no Rio, que é uma portinha só, e eu queria aumentar essa e outra aqui em Santa de Parnaíba.

LJ - O que você ganhou durante o programa?
ME
- Nada (risos) eu ganhei só um carro, mas ninguém sabe dizer qual é a marca. Parece que é um carro de vinte e poucos mil.

LJ - Nada mais?
ME
- Nada!

LJ – Mas tinha um prêmio extra, de R$ 500 mil, para o grupo vencedor, que havia uma combinação entre vocês participantes de rachar entre todos, isso aconteceu?
ME
– Eu não era desse grupo. Parece que, quando eles saíram de lá, eles resolveram não fazer mais isso.

LJ - E o que você achou?
ME
- Ué, o que eu vou fazer? (risos). Era para dividir entre todo mundo, mesmo quem já tinha saído.

LJ - E não aconteceu?
ME
- Não.

LJ - Você sempre fala que sofre de depressão. Na “Fazenda”, chegou a ter esse problema?
ME
– Não. Lá eu nunca tive depressão nenhuma, por isso que eu fiquei muito feliz, porque superei tudo isso. Eu fui convidada pela produção um mês antes de participar, então, nesse período, eu já tinha melhorado.

LJ – E agora melhorou de vez?
ME
- Essa é uma doença que eu tenho desde pequena, você já nasce com a depressão. Mas lá, eu podia ter tido, e não tive nada, nem uma gripe.

LJ - Você foi símbolo sexual na década de 80 e hoje, aos 55 anos, continua esbanjando beleza, qual é o segredo da Monique?
ME
- Nenhum. Eu emagreci muito por conta da depressão e perdi, em um mês, treze quilos e lá na Fazenda eu perdi mais três. Esses dias eu fui comprar uma calça, tive que pegar número 38 e ainda ficou larga.

LJ - E você acha isso bom ou ruim?
ME
- Todo mundo está achando lindo, mas eu estou me achando meio flácida, vou ter que voltar a malhar rápido.

LJ - Na Fazenda você ficou calma durante várias ocasiões. Aquela não era a Monique que o público conhecia, o que te deu?
ME
- É que o público, na verdade, não me conhecia. Foi bom, porque as pessoas conheceram a Monique dona de casa, mãe, essas coisas.

LJ - Como está sua vida afetiva?
ME
- Eu não namoro há muito tempo. Não conheço ninguém, não tenho saído, e, normalmente, não saio de casa, vamos ver se agora eu começo a sair.

LJ - Participaria de um novo reality?
ME
- Chega agora, né (risos). Deus me livre, trabalhar três meses ali, aquilo é duro!

LJ - Posaria nua novamente?
ME
- Não.

LJ – Quais são as novidades profissionais?
ME
– Estou conversando com o pessoal de um canal a cabo, mas ainda não posso adiantar nada.

 

 


Frank Aguiar:
O rei do forró que virou político e agora
será tema de filme


LOGRADOUROS JORNAL - Hoje você é um artista famoso e rico, mas certamente teve que abrir mãos de algumas coisas para chegar aonde chegou. É isso?
FRANK AGUIAR
- Eu abri mão do que deixei lá no Piauí: Meus pais, meus irmãos, a namoradinha da época, os amigos da infância, a escola, os estudos, a minha terra. Não tem coisa mais difícil que abrir mão do que você tem de mais precioso, que são suas origens, para ir em busca de um sonho. Essa história é bem retratada no filme que estamos gravando sobre a minha vida, “Sonhos de um sonhador”.

LJ - Você divide seu tempo entre a música e a política, mas o que te dá mais prazer, subir num palco ou num palanque? (Frank Aguair é vice-prefeito de SBC e secretário de Cultura do Município)
FA
- Sem dúvida, a música me dá mais prazer. A política é muito mais desgastante, às vezes até muito injusta, porque, por mais que você se dedica, as pessoas acham que isso é sua obrigação.

LJ - E como é que você separa a vida de cantor e político?
FA
- Eu tenho uma equipe muito boa de assessores políticos que não se mistura com assessores artísticos. Me dedico e gosto do que faço. Mas eu tô me sentindo um pouco cansado de tantas atividades. No futuro vai ter um momento que eu vou dizer: Eu cumpri minha missão, agora tenho que dar o espaço para outros, para a renovação da política. Eu quero cantar e viver de música, mas não posso abrir mão também da minha contribuição na política.

LJ - Você disse que está cansado, mas ano que vem haverá eleições. Quais suas pretensões?
FA
- Eu disse que me sinto, às vezes, cansado porque são muitas atividades, mas ainda há tempo para o cumprimento da minha missão. Daí, mais pra frente, eu acho que estará na hora de outros assumirem o meu lugar, porque eu não quero ficar velhinho fazendo política. No ano que vem eu pretendo sair vice com o Marinho (atual prefeito de SBC), até porque somos muito leais e amigos e estamos fazendo um excelente trabalho juntos.

LJ - Você é filiado ao PTB, mas é vice de um petista. Qual sua ligação com o PT?
FA
- Eu sou um petista de coração, eu gosto muito do PT, e acho que, como no meu partido, tem gente boa e tem gente ruim.

LJ - Você atuou como deputado por dois anos antes de aceitar o convite para ser vice. Quais foram seus projetos na Câmara?
FA
- Eu fiz vários projetos em diversos segmentos, mas a cultura foi o principal tema que eu apoiei.

LJ - Quais são as novidades do Frank cantor?
FA
- Estou preparando para o ano que vem a comemoração dos meus 20 anos de carreira. A novidade é o filme, um CD, que vou convidar 10 amigos para cantar comigo e gravar mais 10 músicas de carreira. Farei um tour ano que vem com shows relembrando os clássicos do forró que cantei, e tem um livro também para comemorar os 20 anos.

LJ - Que conselho que você dá para quem quer seguir carreira de cantor?
FA
- Acreditar primeiro em si e nas oportunidades, sejam grandes ou pequenas.

LJ - O seu trabalho é bastante apreciado pela grande massa, que nem sempre tem condições de pagar o preço de um CD. O que acha da pirataria?
FA
- Triste, mas isso não é só com os meus CDs. A questão do mercado informal é invadida em todos os segmentos e tem que ser combatida pela União, mas a sociedade tem que ter consciência que, no momento que ela apóia a pirataria, todos perdem.

LJ - O “aau” ainda é uma “marca registrada” em seus shows?
FA
- Essa expressão surgiu porque às vezes quando eu esquecia a letra eu gritava “aau”. Lá ficava o grito, e todo mundo reproduzia. Aí eu dizia: Poxa, esse grito vai ‘arriar’, e deu certo! E agora faz parte do show.

 



Tuca Andrada
, que fez o papel do cangaceiro Zóio Furado em “Cordel Encantado”, fala sobre esse e outros personagens malvados que já interpretou


Logradouros Jornal - José Ivaldo Gomes de Andrade Filho é o seu nome, por que então Tuca Andrada?
Tuca Andrada
- Quem me pôs esse apelido foi uma babá, que tive quando era criança. Ninguém nunca soube o porquê, mas todo mundo só me chama por Tuca.

LJ - Você terminou de fazer um personagem do mal em Cordel e fez mais um bocado de outros nessa linha (Ladislau, Kaíke, Zé Carlos), por que te associam a esses papeis? Será que você tem cara de vilão?
TA
- Não me acho com cara de vilão (risos). Talvez eu seja chamado para esses papeis com frequência, pelo fato de meu primeiro personagem de sucesso na TV, o Ladislau, ter sido um grande vilão. Mas já fiz vários personagens que não eram malvados, assim.

LJ - Em Cordel você fez um cangaceiro, disposto a tudo para conseguir o poder. Se inspirou em alguma figura política ou outra personalidade para esse personagem?
TA
- Não, não me inspirei em ninguém, mas os exemplos não faltam na política brasileira.

LJ - É a primeira vez que fez um nordestino? Se sentiu em casa?
TA
- Já fiz outros antes, mas o fato de ser um nordestino não facilita as coisas para mim. A não ser com relação ao sotaque.

LJ – Você já sofreu algum ti-po de preconceito por ser nordestino?
TA
– Preconceito não, mas já ouvi muita piada sobre.

LJ - Depois de tantos anos de TV Globo, você está de volta. Agora é para ficar?
TA
- Quem sabe disso é Deus.

LJ - Você já fez um jornalista comunista na Record. O SBT atualmente faz uma novela sobre a Ditadura. Você já trabalhou no SBT. Se recebesse o convite antes da Globo, faria essa novela? Tem assistido? O que acha?
TA
- Na verdade, eu recebi o convite do Tiago Santiago para fazer parte do elenco de “Amor e Revolução”, mas já estava contratado pela TV Globo. Ainda não tive oportunidade de ver a novela.

LJ - Antes de ser ator, o que você já fez?
TA
- Fui vendedor em lojas de roupas.

LJ - Participaria de um reality?
TA - Nunca, detesto esse tipo de programa.

LJ - Fala um pouco sobre esse seu novo espetáculo teatral.
TA
- É uma comédia, com algumas pinceladas dramáticas. Um encontro inusitado entre uma senhora de 74 anos e um dançarino de 45 que, a primeira vista, parecem completamente antagônicos, mas, com o desenrolar da peça, descobrem muitas similaridades. É um espetáculo emocionante, que tem feito o público rir e chorar em mais de 20 países. A peça fala de tolerância, solidão e amizade, com muita delicadeza e senso de humor.

LJ- Como é trabalhar com a Suely Franco e vivenciar o Michel, um personagem sensível, que lida com as fraquezas da vida?
TA
- Além do fato dela ser uma grande atriz, é também um ser humano de primeiríssima grandeza. Uma mulher alegre, jovial e com muito humor. Está sendo uma delícia e uma honra pra mim. O Michel, apesar de, a primeira vista, parecer um personagem alegre, guarda uma solidão muito grande dentro de si. O encontro com o personagem da Suely faz com que sua visão do mundo e da própria vida mude completamente, trazendo-lhe esperança.

 

 



A apresentadora de TV Solange Frasão dá dicas de como equilibrar saúde e corpo bonito para quem já passou dos 40


Logradouros Jornal - Qual o segredo de estar com 48 anos em plena forma?
Solange Frasão
- Mais que apenas um segredo é a importância da conscientização de que a saúde tem que estar na frente de tudo. O corpo bonito é apenas uma parte dos benefícios.

LJ - Como você cuida da saúde?
SF
- Cuido de mim com o maior carinho. Durmo com qualidade, bebo água durante o dia inteiro, sou muito regrada com minha alimentação, faço meu exercício físico diariamente e tenho tempo para o meu lazer. Desacelerar também é o segredo.

LJ - Que dica você deixa para as mulheres que já passaram dos 40?
SF
- Meninas, a partir de agora a luta é diária. Temos inimigos poderosos e não podemos deixá-los vencer a guerra da vida. Estudos científicos comprovam que atitudes saudáveis regeneram células e nos distanciam de doenças e do envelhecimento. Esse é o momento!

LJ - Atividades físicas ajudam a retardar o envelhecimento?
SF
- Na medida certa, sim. Liberamos hormônios importantes para manter a juventude. Mas tudo tem que estar ligado diretamente com uma alimentação saudável e uma boa noite de sono reparador. Tudo é um conjunto. Só uma coisa ou só outra não é tão eficiente quanto a junção de tudo.

LJ - Qual exercício você sugere para quem hoje é uma pessoa sedentária?
SF
- Depende de cada caso. Mas, basicamente, uma caminhada e um pouco de musculação é um bom começo. O mais importante é dar o start, fazer uma avaliação e começar! Depois tudo acontece.

LJ - Você já fez alguma plástica?
SF
- Prótese de silicone nos seios. Ficou lindo e amei!

LJ - Qual a sua opinião sobre as inúmeras dietas que surgem a cada dia?
SF
- Algumas interessantes e outras nem um pouco funcionais. O melhor mesmo é fazer o tratamento personalizado com uma nutricionista ou mesmo endócrino, que o resultado é mais eficaz.

LJ - Hoje existe uma busca do corpo perfeito, você também pensa, ou já pensou, assim?
SF
- Jamais. Tudo sempre foi consequência das minhas ações. Acho perigoso a busca do corpo perfeito sem equilíbrio e sem a saúde estar envolvida. Quanto mais artifícios, menos o corpo fica bonito. Pra mim, um corpo é mais bonito se for conquistado com exercícios e alimentação saudável. E o mais importante é ter um estilo de vida saudável.

LJ - Exercício em exagero faz mal? Qual a dose certa diária?
SF
- O exercício em excesso é tão perigoso quanto o sedentarismo. O ideal é o moderado. A dose certa depende de cada pessoa, idade, peso, altura, homem ou mulher e outros quesitos. Ou seja, tudo depende de cada um individualmente. O importante é ter bom senso e fazer avaliação física periódica.

LJ - As temidas celulites podem sumir com exercícios?
SF
- Obviamente que quando estamos com gorduras em excesso no organismo a aparência não é bonita. Com uma vida mais regrada e saudável e também com a prática de exercícios, automaticamente a gordura irá diminuir e o músculo vai aparecer. E, por consequência, aquela celulite vai diminuir consideravelmente. É fato e fisiológico.

LJ - Você estreia esse mês um novo programa, na TV Bandeirantes. O que vai ter de novidade?
SF
- Ainda não posso abrir muito, mas basicamente vamos falar de esporte, atividades físicas, saúde e beleza.

LJ - Pousaria nua novamente para uma revista masculina?
SF
- Não, jamais. Tudo tem o seu momento certo para acontecer e ser.

 

 



O humorista da MTV Paulinho Serra fala sobre fama, trabalho e família


LOGRADOUROS JORNAL - Quem é o Paulinho Serra fora dos palcos e das câmeras?
PAULINHO SERRA
- É um pai coruja e um filho que mais parece pai dos pais (risos).

LJ - Antes de entrar na MTV, o que você chegou a fazer em outras emissoras de TV?
PS
- Fiz novela na Globo e fui integrante do Pânico na TV!

LJ- Você é um comediante nato. Pensa em seguir carreira somente nessa linha?
PS
- Na verdade, minha profissão na carteira de trabalho é de ator (risos). Faço comédia porque sou apaixonado pelo sorriso das pessoas. Às vezes acontece de alguém chegar pra mim e falar: “Você me deu sorrisos num dia que fui mandada embora do meu trabalho, muito obrigada, você salvou meu dia”. Isso é muito legal. Mas fazer chorar também tem seus encantos. Você desperta sensações ao espectador e se o faz bem feito, para o ator tem o mesmo valor do riso.

LJ - Você brinca muito com seu estilo, fala de sua calvície e do seu jeito de ser. Você se acha um cara bonito?
PS
- Acredito que viemos ao mundo pra nos transformar, envelhecer, adquirir conhecimento e ser feliz. Hoje, sou muito bem casado e, pra minha mulher, eu tenho truques que me deixam mais bonito que o Brad Pitt: cartão de crédito (risos). É brincadeira! Não deixem ela ler isso (risos).

LJ - Como você encara hoje o sucesso e a fama?
PS
- Fazer sucesso é viver bem da profissão, pelo menos é o que considero. Não quero glamour nenhum na minha vida. Gosto de andar de metrô, vou à feira, ando na rua sem camisa, gosto de gente... e por aí vai ! Existem mil motivos pra não querer a fama que mente pra você com falsos privilégios, que sufoca e fala da sua vida através de legendas de fotos com ângulos duvidosos.

LJ - o que te incomoda na fama?
PS
- Te leva a conhecer pessoas bacanas e outras nem tanto.

LJ - Como você compõe seus personagens?
PS
- Impulso

LJ - Qual deles é o mais marcante?
PS
- Traficante gay.

LJ - Como você vê essa febre de comediantes de stand-up?
PS
- Acho ótima como geração de empregos, e perigosa por gerações de enganos.

LJ - A paródia “Casa dos autistas”, feita no “Comédia MTV”, gerou grande polêmica recentemente, passando uma conotação de descaso e piada com portadores do autismo. Qual a sua opinião sobre esse quadro em que você fez parte?
PS
- A piada era do trocadilho ‘”casa dos artistas”.Descaso seria não levar o assunto pra uma pauta. Mas seria como tem sido feito na MTV , que já mostrou mais e falou mais do assunto do que todas as outras emissoras juntas.
Pra mim, o episódio foi incrível, me fez abrir a cabeça e compreender o que é ser um parente de uma pessoa com uma síndrome da qual não se tem muitas respostas até hoje. Esse mundo de preconceitos e falta de acesso público faz com que esses pais e essas mães protejam seus filhos com unhas e dentes. É lógico que isso só me fez amadurecer.

LJ - Hoje, além do “Comédia MTV”, você está no teatro. O que o público pode esperar nesse seu espetáculo?
PS
- Muita energia, despudor, improviso e boas gargalhadas. Pelo menos as minhas.

LJ - Quais são seus projetos futuros?
PS
- Montar o show dos DEZnecessários 2 com banda e muita música ao vivo. Era uma coisa que já tínhamos feito em algumas cidades do Brasil.

LJ - Que mensagem você deixa aos seus fãs?
PS
- Continuem prestigiando meu trabalho e lembrem-se de que talento, nada tem a ver com caráter, mas eu sou do bem.

 



Ícone da música brasileira, Cauby Peixoto fala sobre seu talento e paixões


LOGRADOUROS JORNAL - Modéstia à parte, o senhor se acha o melhor cantor do Brasil?

CAUBY PEIXOTO
- Olha, depende do gênero, não é? Um gênero romântico, talvez, mas popular, não acho.

LJ - Popular, quem o senhor acha?

CP
- Eu gosto do Jorge Versillo, do Ricky Vallen e do Luan Santana, esse menino canta bem.

LJ - O senhor é um mito da música brasileira?

CP
- Talvez. Mas eu não posso dizer. Quem fala isso são os fãs, as pessoas. A gente não pode achar.

LJ - Como o senhor vê a música brasileira atual?

CP
- Um pouco esquecida, no sentido de música brasileira autêntica. Nós brasileiros temos um tipo de música e essa está um pouco esquecida. Acho que as pessoas têm que reclamar mais, pedir mais para tocarem música brasileira porque ela sempre foi muito boa.

LJ - O senhor não se casou, nem teve filhos, hoje quem é a sua família?

CP
- A Nancy (sua assistente), ela é minha família.

LJ - O senhor falou numa certa ocasião sobre a frustração de perder a mulher amada, quem era essa mulher?

CP
- Era a Nilza, era uma moça maravilhosa. Eu cheguei a namorar com ela.

LJ - Já se apaixonou por alguma pessoa famosa?

CP
- Sim, pela vedete Dorinha Durval.

LJ - E a Ângela Maria?

CP
– Não. Ela é só amiga, até hoje. Nós ainda cantamos juntos. Ela é a melhor cantora, talvez até do mundo, eu acho.

LJ - Quem foi a verdadeira Conceição da vida do senhor?

CP
- Foi só a música mesmo, não foi ninguém especial para mim. Ela foi a namorada do Dunga, o compositor dessa música (com Jair Amorim)

LJ - Tem algum momento da sua vida que se pudesse apagaria?

CP
- Só tenho grandes lembranças.

LJ - Em que etapa está o documentário sobre a vida do senhor?

CP
- Ele já está pronto, só ainda não sei quando será lançado.

LJ - Quem são os seus ídolos, além de Frank Sinatra?

CP
- Nelson Gonçalves, Francisco Alves, Julio Caldas, Orlando Silva.

LJ - Tem medo de alguma coisa?

CP
– Não.

LJ - Nem de morrer?

CP
- Não. Eu vejo que a morte é o final da vida, quem tiver sorte viverá muito, 100 anos.

LJ - É verdade que além de gostar muito do Frank Sinatra o senhor se inspirou no Elvis?

CP
- Sim, na época eu cheguei a cantar Rock and Roll. Eu fiz um filme com a Violeta Ferraz (comediante) em que eu canto rock em Copacabana, e quem fazia coro para mim era o Roberto Carlos e o Erasmo.

LJ - O que o público ainda pode esperar desse octogenário incansável que é o senhor?

CP
- O melhor de mim. Eu gosto muito de cantar, adoro o público, gosto muito de estar no palco, é onde eu mais gosto de estar.

LJ - Nesse mês de agosto, comemora-se o Dia dos Pais, quais são as lembranças que o senhor tem do seu pai?

CP
- Grandes lembranças. Ele me dava bolas de futebol, fazia cafifas (pipas) pra gente e brincava muito. Ele morreu quando eu tinha dois anos.

LJ - E o senhor se lembra disso tudo?

CP
- Claro que me lembro, foi maravilhoso.

LJ - E o que o senhor diz para quem ainda tem seus pais vivos?

CP
- Que sejam amigos e obedientes ao pai, porque ele só pode ensinar e precisamos de alguém que ensine a gente a ser melhor na vida.

LJ - Quais são os próximos trabalhos do senhor em São Paulo?

CP
– Eu vou participar de uma homenagem à cantora Maysa, dia 5 de agosto, no Sesc Belenzinho. Vou cantar “Por causa de você” e “Bom dia tristeza”. Também vou fazer o show “Cauby canta Sinatra”, no Sesc Santo André, no próximo dia 19.

LJ – Que mensagem o senhor deixaria para seus fãs?

CP
- Deixo aqui o meu muito obrigado das minhas lembranças maravilhosas que eu tive com esse povo maravilhoso.

 



Jair Oliveira
comemora 30 anos de carreira e relembra seus tempos de Balão Mágico e colegas de trabalho.


Logradouros Jornal - O que é para você, um artista jovem, de apenas 36 anos, completar 30 de carreira?

Jair Oliveira
- Eu costumo dizer que para quem faz o que gosta, os anos passam muito rapidamente, então para mim trinta anos passam como se fossem trinta dias.

LJ - Para comemorar essa trajetória você fará um show no Ibirapuera e escolheu alguns artistas. Qual foi o critério dessa escolha?

JO
- Tenho várias pessoas que fizeram parte da minha vida. Então chamei meu pai (Jair Rodrigues), minha irmã (Luciana Mello), a Simony e outros artistas importantes para mim, que é o Pedro Mariano, Max de Castro, o Simoninha e o Daniel Carlomagno.

LJ - Qual a melhor lembrança que você tem da época do Balão Mágico?

JO
- Todas são boas, mas se eu tivesse que escolher seria no dia em que eu entrei, porque o Balão já existia e era um grande sucesso.

LJ - Quando o programa acabou, você continuou trabalhando com a Simony. É verdade que vocês chegaram a namorar?

JO
- Isso é engraçado, porque naquela época, com 12 anos, você até escolhia uma pessoa para ser sua namorada, mas era uma coisa de pegar na mão, abraçar. Eu fico pensando nessa associação que as pessoas fazem, acho que essa confusão acontece pelo fato da gente ter sido uma dupla e ter cantado umas músicas românticas, mas a gente nunca foi namorado.

LJ - Quando e porque você deixou de ser o Jairzinho e passou a ser o Jair de Oliveira?

JO
- Foi engraçado também, porque isso foi um negócio mais da imprensa do que meu. Eu nunca deixei de ser o Jairzinho nem nunca deixei de ser o Jair Oliveira, até porque esse é o meu nome de batismo. Mas quando eu estudei fora e comecei a compor, acabava usando meu último nome e o primeiro, e acabou ficando assim.

LJ - Ser filho de Jair Rodrigues abre algumas portas?

JO
- Abre sim, porque meu pai é uma pessoa querida no meio, é um artista de uma história gloriosa na música brasileira. Mas também tem o outro lado, que é o da comparação, da cobrança, que, muitas vezes, no começo da carreira aconteceu.

LJ - Qual a maior virtude do seu pai?

JO
- Tirando o lado profissional, é essa autenticidade dele de mostrar para as pessoas que ele é aquilo que ele demonstra ser. E tem essa humildade dele, ele nunca deixou com que a fama alterasse sua forma de pensar. Ele vai à feira, ao supermercado, ao boteco da esquina pra comer seu sanduíche de mortadela e conversa com todo mundo.

LJ - Em 2004 você lançou um álbum exclusivamente na internet e disse que a web é a “Diretas Já” da nossa cultura, você acha que essa mídia é hoje o melhor meio de divulgação de um trabalho?

JO
- Não sei se ainda é o melhor, mas é muito interessante. Eu estou lançando outro disco virtual, porque agora meu desejo é só lançar música pela internet. Ela tem esse lado muito bom, que os meios tradicionais não têm, que é essa coisa mais democrática mesmo. Quando eu falo de internet da “Diretas Já” é porque eu vejo a TV e o rádio como um olho mágico, que a pessoa só enxerga o que colocam na frente da porta, sem a liberdade de abrir e ver o que está lá fora. A internet quebra esse protocolo.

LJ - Mas e a questão da pirataria digital?

JO
- A gente já consegue ver várias ações rolando no mundo inteiro, então eu acho que tem uma evolução natural que, daqui a pouco, a gente vai ver a coisa funcionar na internet como ela deveria ser.

LJ - No seu trabalho você faz uma mistura de samba com jazz, quais foram suas influências?

JO
- Eu sempre ouvi muito jazz, soul music, Djavan, Tom Jobim, Tim Maia, Wilson Simonal, Michael Jackson. É isso que eu gosto de ouvir e que acaba me influenciado.

 

 



O ator Emílio Orciollo Netto fala sobre fama e relembra seus principais personagens


Logradouros Jornal - Você terminou a novela Araguaia da TV Globo, em abril deste ano. Já tem previsão para retomar na televisão?
Emílio Orciollo Neto
- Ainda não, até mesmo porque eu fiquei um ano gravando e agora que acabou a novela, o meu foco é o meu espetáculo, “Os Difamantes” que entra em cartaz aqui em São Paulo.

LJ - De todos os papeis que você interpretou na TV, qual foi o mais marcante?
EON
- Eu costumo dizer que o último personagem é sempre o mais importante né, então eu gosto muito do Neca Tenório, que eu fiz em Araguaia. E tem o meu primeiro papel, que fiz em O Rei do Gado, o Giuseppe, também muito importante.

LJ - Em seu site, você diz que não faz parte de nenhuma rede social, por que essa opção?
EON
- Eu sei que é uma ferramenta super importante para divulgar o trabalho, mas eu sou muito na minha, não gosto de ficar escrevendo coisas sobre mim.

LJ - A peça “Os Difamantes” fala sobre o poder da mídia e as ilusões que ela cria nas pessoas. Que poder é esse?
EON
- Esse espetáculo é um grande motivo para falar dessas coisas de hoje em dia, de que todo mundo quer ser famoso, dessa história dos 15 minutos de fama. É desse poder que a gente fala.

LJ - E você, sempre quis ser famoso?
EON
- Quando eu comecei a fazer teatro, 20 anos atrás, as pessoas estavam interessadas em viver uma dramaturgia, contar uma história de verdade. Então, eu acredito que a fama é uma decorrência do seu trabalho. Mas hoje em dia, as pessoas querem ser famosas custe o que custar, nem que seja instantâneo e semana que vem ninguém lembra mais delas.

LJ - Você chegou a trabalhar em outra atividade antes de ser ator?
EON
- Eu trabalhei seis meses no Mappin. Lá eu escrevia para a rádio Lojas Mappin, mas fui demitido, graças a Deus (risos).

LJ - Como é o Emílio fora dos palcos e longe das câmeras?
EON
- Eu fico muito em casa, com a minha namorada, vendo filme. Eu sou uma pessoa muito tranquila, como qualquer outra.

LJ - Quais são seus maiores ídolos?
EON
- O meu pai é uma pessoa que eu me espelho muito. Ele é um cara que tem uma trajetória de vida muito legal, é honesto, muito sério, ele me inspira qualidade de vida. Quando eu for grande eu quero ser igual a ele (risos).

LJ - Que história é essa de você dizer a frase “Eu fico bonito quando estou fazendo novela”?
EON
- (Risos) É uma brincadeira, porque as pessoas acabam olhando mais pra você quando você está fazendo novela.

LJ - Então agora que você não está fazendo novela você está feio? (risos)
EON
- Não, eu continuo bonitinho, mas eu fico mais bonito fazendo novela (risos). Na verdade não é a questão de ficar bonito ou feio, é que quando você está no ar, parece que você está fazendo alguma coisa que é de outro mundo e talvez as pessoas te respeitem mais por isso. Mas, claro que isso é uma brincadeira, porque depois de 20 anos de carreira, as pessoas vão te respeitando pelo trabalho que você construiu.

LJ - Você morava na Vila Mariana, qual a sua relação hoje com o bairro e a região?
EON
- Eu cresci aqui, brinquei muito na rua, hoje minha relação é de saudade desse tempo.

 

 



Biro-Biro
, o ex-craque do futebol dá seu palpite sobre a Copa do Mundo no Brasil e fala de sua vida na política


Logradouros Jornal Por que o apelido Biro-Biro?

Biro-Biro- Isso foi herança do meu pai (risos). Esse era o apelido dele, que gostava muito de uma fruta chamada biribiri e de tanto ele comer, colocaram o apelido dele com esse nome, só que pronunciavam errado e ficou Biro-Biro. Aí passaram a me chamar assim também.

LJ- E esse cabelo, é loiro mesmo, ou você pinta?
BB
- Eu sempre tive o cabelo queimado assim.

LJ- O que tem feito ultimamente?
BB
- De futebol, a gente sempre acaba fazendo alguma coisa aqui, outra ali. A gente acompanha um ou outro evento e eu também empresario alguns jogadores.

LJ- Qual sua opinião sobre o Corinthians de hoje?
BB
- Eu acho que está bom, mas não é igual ao Corinthians do passado.

LJ- Como assim?
BB
- Antigamente todos os jogadores eram bons em campo e fora dele. Tinham mais opinião e eram bem mais respeitados. Hoje você tem um ou dois que levam o time. Na minha época, era toda uma equipe, mas isso não acontece só no Corinthians não. Também falta vestir mais a camisa, ser mais craque.

LJ- Você contrataria o Adriano?
BB
- Sem dúvida. Ele é um excelente jogador.

LJ- Qual o melhor jogador do Corinthians hoje?
BB
- Jorge Henrique.

LJ- Você chegou a ser convidado para jogar na Seleção, mas não foi por quê?
BB
- Foram duas vezes, em 82 e 86. O Telê (Santana) me chamou, mas na última hora não fui convocado. Eu até torci para que algum jogador da lista se machucasse, mas não teve jeito.

LJ- Você entrou no Corinthians em 78. É verdade que nesse ano sua torcida já era tão grande que mesmo sem você ser candidato a nada recebeu 60 mil votos na eleição para deputado estadual?
BB
- Parece que foram uns 78 mil votos, alguma coisa assim. Foi uma brincadeira da torcida que gostava de me ver no campo, foi legal. E eu acabei entrando na política 10 anos depois.

LJ- Na ocasião, foi eleito vereador por São Paulo. O que você fez enquanto parlamentar?
BB
- Olha, pra falar a verdade eu não fiz muita coisa. Eu tinha que associar a política e o futebol, aí ficava difícil de fazer as duas coisas. Então não deu muito certo para mim porque para ser político tem que se dedicar mesmo e isso não deu para eu fazer.

LJ- Mesmo assim acha que foi um bom vereador?
BB
- Acho que não, justamente por causa disso tudo que eu falei. Claro que eu fiz uma ou outra coisa para o esporte e outras coisas, mas não tive nada de tão importante, até porque política é uma coisa complicada, você depende de uma série de coisas e nem tudo o que você faz é aprovado, não é fácil.

LJ- Mas você foi candidato na eleição passada e não venceu. Vai tentar novamente?
BB
- Não. Hoje eu só assessoro o Goulart (vereador de São Paulo)

LJ- Voltando ao futebol, qual foi o seu gol mais importante?
BB
- Acho que foi um contra o Palmeiras, o primeiro gol da minha carreira no Corinthians, em 79.

LJ- Na sua opinião, quem foi o melhor jogador da sua época?
BB
- O Zico e o Sócrates.

LJ- E de hoje?
BB
- Tem o Neymar, o Ganso e mais outros. Mas no geral, pra mim, o melhor do mundo é o Messi.

LJ- Existe um movimento que é contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O que você acha disso?
BB
- Eu acho que o Brasil tem condições de fazer a melhor Copa do Mundo. O problema é que aqui tudo é feito na última hora.

LJ- O que você achou da homenagem que fizeram para o Ronaldo, no jogoentre Brasil e Romênia?
BB
- Muito bacana, válida. Mas espero que façam o mesmo com outros jogadores importantes quando se despedirem também, porque tem muita gente que sai e não é reconhecido.

 



Benito di Paula
, que já chegou a disputar vendas de discos com Roberto Carlos, fala de seus altos e baixos em 40 anos de carreira


LOGRADOUROS JORNAL - Por que você ficou tanto tempo afastado?
BENITO DI PAULA
- Não, não fiquei afastado.

LJ - O que houve então?
BP
- É que dificilmente eu canto em São Paulo, e televisão eu não faço porque não me convidam. Ninguém me chama para fazer televisão, não sei porque.

LJ – Mas esse “não sei porque” pode ser por qual razão? O que ocorreu para, de repente, você sumir da TV?
BP
– Fui boicotado. E que se dane, vou fazer o quê? Não posso fazer nada. É um Brasil que você não tem com quem falar, com quem reclamar.

JL – Mas esse boicote seria por parte de quem?
BP
– Televisão, gravadora, tudo. Me deram uma gelada danada, por exemplo, agora mesmo a gravadora gravou meu disco, meu DVD e tacou na gaveta.

LJ – Qual foi o último programa que você fez?
BP
– Foi o programa da Kátia (Mulheres – TV Gazeta), esses dias, para divulgar o show do meu filho. O Jô de vez em quando me chama, o Ronnie Von também, mas é muito pouco para mim. Não sei porque fazem isso comigo. Tirar o trabalho do homem é uma p... sacanagem. Eu, que vivi da época da ditadura, como músico da noite que viveu e sofreu, hoje estão fazendo a mesma m.... contra mim. É uma guerra fria entende, ninguém fala nada. O cara morreu, entendeu?

LJ – Muita gente chega a pensar que você esteve doente. Chegou a ter depressão por conta disso tudo?
BP
– Criatura, tiram o seu emprego, mas o governo não para de te cobrar imposto. Ou seja, um te mata de um lado e outro do outro. Você tem que pagar, aí não te dão trabalho, porque se você não aparece na televisão, deixa de trabalhar, o show diminui.

LJ - É verdade que você precisou baixar o seu cachê a ponto de ter que tocar em churrascaria de beira de estrada?
BP
– Se for preciso tocar em churrascaria assim o que é que tem? Eu já toquei na zona, na noite, qual é a vergonha?

LJ – Mas isso pós esse período sem TV?
BP
- Eu tive que baixar meu cachê, sim. Você me perguntou se eu sofri depressão. Poxa, se tiram meu trabalho, a razão de viver, a música da minha vida - porque eu não faço música de sacanagem não, eu faço música séria - é complicado, claro que você se deprime.

LJ - Em algum momento dessa depressão pensou em acabar com a sua vida?
BP
– Não, porque eu não sou burro, eu fui procurar um médico e faço análise até hoje.

LJ - Mas hoje você está cheio de shows, como está sua agenda?
BP
– Eu nunca parei de fazer shows. Eu viajo o Brasil inteiro e o exterior. O que eu lamento é saber que eu tenho um público muito grande e os empresários não conseguem me vender porque alegam que eu não estou na mídia. Cantei agora para 40 mil pessoas em Fortaleza, 100 mil na Bahia.

LJ - Dos seus sucessos, o que você não pode deixar de cantar em seus shows?
BP
- Charlie Brown, Mulher Brasileira, Proteção às Borboletas, tem muita coisa.

JL - Dessa nova safra de músicos, quem você ouve?
BP
- Atualmente eu não tô ouvindo música.

LJ - Mas se fosse falar sobre os novos sambistas que apareceram nos últimos cinco anos, quem você destaca?
BP
- Eu gosto do Diogo Nogueira. Eu gosto também desse menino que está fazendo sucesso, ele é uma explosão, dizem que ele é sertanejo, o Luan Santana, eu gosto.

LJ - Gosta dele por quê?
BP
- Ele tem muito valor esse menino. Ele é jovem, tem um bom domínio de palco, a voz dele é bonita, o repertório eu não sei, eu não posso falar.

LJ – Você participaria de um reality show?
BP
– Não. Isso é maluquice ou então o cara que faz qualquer coisa para estar na mídia. Mas eu não faço. Não tenho nada contra quem faz, também não assisto não. Para isso existe o controle remoto.

LJ – Tem algum show previsto para São Paulo?
BP
- É muito difícil fazer show aqui, porque para isso tem que pagar uma grana muito alta. E por essa razão vai custar muito caro para quem gosta de mim.

LJ – Então deixe aqui uma mensagem para seus fãs.
BP
- Quero agradecer sempre e pedir a Deus para que sejam muito felizes, como eu sou, apesar de tudo.

 

 



O reconhecido maestro JOÃO CARLOS MARTINS quer levar música clássica por todo o País


LOGRADOUROS JORNAL - Com quantos anos o senhor começou a tocar?
João Carlos Martins
- Com oito anos comecei a tocar e a carreira, aos trezes.

LJ - De lá pra cá o senhor vivenciou muitos momentos importantes, mas qual deles foi o mais marcante?
JCM
- Foram três muito importantes. O primeiro foi a minha estreia no Carnegie Hall como pianista, aos 20 anos. Depois, a volta ao próprio Carnegie, com 38 anos, após o primeiro acidente, que eu fiquei seis anos parado. E novamente no Carnegie, em minha estreia como regente, em 2007.

LJ - Pensou em desistir de ser músico ao perder o movimento das mãos?
JCM
- Quando eu tinha 20 anos pensei, porque eu tinha uma certa imaturidade, mas graças a Deus, aos 63, acho que aprendi a lição. Não posso tocar piano, mas tenho que reger para fazer música até o final da vida.

LJ - Esse é um incentivo para quem já passou dos 60 e vê a vida sem sentido?
JCM
- Acho que sim. Agora eu estou com 70, e esses últimos sete anos foram mágicos na minha vida, não só pela música que eu consigo fazer e ainda tocar piano mesmo com dois, três, quatro dedos, mas pela responsabilidade social que eu assumi perante a sociedade educando hoje mais 1500 crianças carentes.

LJ - Então, transformou um problema algo positivo?
JCM
- Sim. Foi um momento mágico que culminou com o enredo da escola de samba Vai-Vai, “A Música Venceu”. Quando eu vi 30 mil pessoas no Anhembi cantando a história da minha vida eu chorei muito e fiz uma retrospectiva de todo o meu passado.

LJ - Espera passar por outras sensações desse tipo?
JCM
- Ainda vai ter agora no ano que vem o filme da minha vida. Eu acho que cada ano vai ser uma emoção maior pra eu viver.

LJ - Quando o senhor resolveu reger?
JCM
- Aos 63 anos, depois de um sonho que tive com o maestro Eleazar de Carvalho e de lá pra cá já foram mais de 800 concertos.

LJ - Mas o senhor sonhou mesmo?
JCM
- Sim. E no sonho ele disse: vai estudar regência. E assim que começou tudo.

LJ - Semana passada (11), o senhor regeu no CEU Parque Bristol. É uma região em que as pessoas não estão acostumadas com música clássica. Como é trabalhar para esse público?
JCM
- Com a mesma emoção que vou entrar hoje (17) na Sala São Paulo, eu tenho que entrar no Parque Bristol, porque você entrando com essa mesma emoção, faz seu coração chegar no coração do seu público.

LJ - E a TV, ela dá incentivo para a boa música?
JCM
- O Brasil está se conscientizando. Eu tô liderando uma campanha nacional para democratizar a música clássica para todo o segmento da sociedade.

LJ - Como seria isso?
JCM
- Seria eu ir a todos os lugares. Do mesmo jeito que vou numa Sala São Paulo, vou num Parque Bristol, numa TV, numa comunidade, e assim eu vou levando a minha música.

LJ - Hoje, por exemplo, o senhor vai tocar com o Chitãozinho e Xororó. É uma mistura bastante diferente...
JCM
- Isso mostra que o público sertanejo pode gostar da música clássica e aquelas pessoas de nariz empinado da música clássica têm que ter respeito pela sertaneja.

LJ - Qual mensagem o senhor passa para o jovem?
JCM
- Que estude com disciplina de atleta e alma de poeta. Se ele tem o talento que Deus lhe deu, tem que cumprir a sua missão aqui.

 



O ator Eri Johnson relembra suas novelas, fala de futebol, de Deus e das imitações que faz em seu espetáculo


LOGRADOUROS JORNAL - Você já tem estrada na TV, quando tudo começou?
ERI JOHNSON
– Comecei como figurante, em 78, na novela Dancin’ Days e hoje são já mais de trinta anos. Como ator, meu primeiro contato foi em 87, na novela Hipertensão.

LJ - De lá pra cá foram quantas novelas?
Eri
– Ah, não sei quantas eu já fiz não. Vai acontecendo e vamos que vamos. (risos)

LJ - Mas já deu pra ficar rico, já perdeu até as contas de tanto trabalho?
Eri
- Eu já nasci rico!

LJ - De quê?
Eri
- De saúde, amigos, de família...quando eu nasci já vim com tudo!

LJ - Você é fanático pelo seu time. Como foi ver o Vasco perder no domingo (01/05)?
Eri
- Eu já estou acostumado. Isso não me abala mais.

LJ - Você acompanha o Paulistão?
Eri
- Adoro o futebol paulista, até porque tenho alguns amigos que jogam no Santos, como o Neymar o Elano.

LJ – Então com esses amigos, podemos dizer que você já tem palpite para o campeão do Paulista?
Eri
- Santos. Mas antes de qualquer coisa, eu torço para que as torcidas tenham mais consciência e parem de guerra. O jogo em si acaba em 90 minutos, já o sofrimento de uma família fica para o resto da vida. Agora, no campo, eu torço para que o melhor espetáculo aconteça, para que o Neymar arrebente, como sempre.

LJ - Na sua opinião, quem é o melhor jogador do Brasil atualmente?
Eri
- Eu fico muito entre o Neymar, o Ganso, o menino Lucas, do São Paulo, que vem se revelando, mas eu acho que principalmente o Neymar.

LJ - E da história do futebol brasileiro?
Eri
- Que eu vi jogando, o Romário.

LJ - Dia desses você disse no Twiter que sente falta de uma namorada amiga, bonita, rica, simpática, humilde, que a ame muito e fala que nunca teve ninguém assim. É verdade ou é papo de twiter?
Eri
– Twiter! Minhas ex-namoradas foram todas maravilhosas!

LJ - Então, como está a vida afetiva hoje?
Eri
- Sem namorada. Mas se aparecer eu vou.

LJ - Numa entrevista você disse que desde os 18 anos escreve para Deus. Em que momento isso acontece?
Eri
– Anteontem aconteceu.

LJ - Tinha alguma razão especial?
Eri
- Não. Eu gosto de escrever para Deus, mas não tem uma frequência.

LJ - Você já perdeu sua mãe, seu pai, seu irmão. Se sente só?
Eri
- Nunca. Eu tenho muitos amigos, graças a Deus. A família de sangue pode acabar, mas a de coração jamais.

LJ - Pensa em casar e ter filhos?
Eri
- Não, mas se pintar eu vou.

LJ - Sua pinta é uma grande característica. Quando criança ou adolescente isso te incomodou?
Eri
– Nunca. Eu só achava diferente só eu ter pinta.

LJ - Já pensou algum dia em tirá-la?
Eri
– Não.

LJ - No seu espetáculo “Eri Pinta, Johnson Borda” você imita vários famosos, tem até o Papa João Paulo II, que história é essa?
Eri
- Eu imito do macaco para o Romário, do Romário para o Alexandre Frota, depois o Caetano Veloso, o Papa e outros, é isso.

LJ - Quem você se sente mais a vontade para imitar?
Eri
- Todos, porque eu imito com todo o respeito, agora o público pede sempre o Romário.

LJ - Na TV você fez poucas cenas de beijo, verdade que você ficou com “inveja” do Lázaro Ramos, que “pega” todas em “Insensato Coração” e você não “pegava” ninguém na TV?
Eri
– Na televisão eu não beijo ninguém (risos). Eu adoro o Lázaro, acho um ator maravilhoso, mas ele abriu um caminho para os feios né. É um feio que tá beijando muito (risos), então, olhando para o Lázaro eu falo, meu Deus do céu, vai chegar a minha hora também? (risos)

LJ – O que você tem visto na TV?
Eri
– Eu vejo jornalismo, gosto de ver Globo Esporte, programa do Jô, futebol, basicamente isso.

 

 



Impossível falar com Ary Toledo sem que ele solte algumas piadinhas. Num bate papo com a nossa reportagem, não podia ser diferente.


Logradouros Jornal - Já são 50 anos de carreira, cinco de teatro e 45 como humorista. É verdade que fazer graça começou logo na infância, com piadinhas até com padre?
Ary Toledo
– Sim, eu estava brincando na minha rua, cheia de poeira, aí ele perguntou onde era o correio e eu expliquei. Depois ele falou: Não fica nessa poeira que faz mal pra saúde, vamos lá na igreja que eu vou ensinar o caminho de Deus. Aí eu falei, na bucha: Mas o senhor não sabe nem o caminho do correio, vai saber o caminho de Deus? Mas eu fazia isso instintivamente sem ter a noção do que era humor.

LJ – Como era contar piada, por exemplo, no tempo da ditadura?
Ary
– Era muito difícil fazer humor naquela época, mas não era só no campo do humor. De um modo geral, os artistas sofreram muito com o regime militar porque depois do Ato Institucional 5 a gente não podia fazer nenhuma alusão em teatro, em cinema...

LJ – Mas o senhor fazia, inclusive sobre o AI5...
Ary
– Sim. Eu estava trabalhando no Teatro de Arena e naquela semana havia sido promulgado o AI5. No final do show eu falei, quem não tem cão caça com gato e quem não tem gato caça com ato. Aí me levaram preso.

LJ – Mas nem na prisão o senhor continha o humor e fez gracinha até com o coronel, como foi isso?
Ary
– Ele era meu fã. O coronel falou para mim: Olha, isso não é uma prisão é apenas um convite para você depor... daí eu falei: Mas convite a gente pode recusar. Ele deu risada, falou, falou, falou, mas depois me liberou.

LJ – O senhor faz muita piada de gays. Já foi processado alguma vez?
Ary
– Eu não sei se é sorte, se é coincidência, mas nunca fui processado e nenhum expectador reclamou, porque o meu humor não tem o objetivo de ferir a sensibilidade moral. Agora, eu não faço concessão nenhuma não, eu conto piada de bicha, português, tudo e tal.

LJ – Quantas piadas o senhor já têm registradas?
Ary -
Umas 65 mil. Dessas, acho que 1% eu consegui inventar, mas é muito difícil fazer uma piada, porque ela tem a obrigação do riso. Quem faz piada é um privilegiado.

LJ – Já tentou entrar no Guiness Book?
Ary
– Meu advogado está tentando. Já faz uns 5 anos. Mas eles do Guiness falam: Aguarde, aguarde, aguarde.

LJ – E nesse caso, qual seria o record para o livro?
Ary
– De maior colecionador de piadas do planeta.

LJ – De todas as piadas qual a sua preferida, mas que possa ser publicada no jornal (risos)?
Ary
– Uma que você pode publicar é essa, da moça muito linda, charmosa e gostosa, que estava sofrendo de assédio sexual... (essa e outras contadas por ele durante a entrevista eram impróprias para a publicação)

LJ _ No dia em que a mãe do senhor morreu, teve que fazer um show, como é lidar com a tristeza e ter que alegrar os outros?
Ary
– Eu consigo trancar os problemas no camarim. Durante o espetáculo eu fiz como se ela estivesse viva.

LJ _ Podemos dizer que o senhor e outros da sua época foram os precursores do Stand –Up?
Ary
– Sim. Esses “standapeiros” acham que estão lançando uma novidade. Esse espetáculo do eu sozinho, sem maquiagem, sem cenário, que o americano denominou stand-up comedy, nós fizemos já na década de 60.

LJ – Como o senhor vê a política brasileira?
Ary
– É um grande circo. Aliás me pediram a definição do Tiririca e eu disse que é um palhaço que mudou de circo. Mas a política brasileira, para nós humoristas, é a grande matéria-prima. Não tem como fazer piada sem eles. Eles são muito úteis e concorrentes nossos, mas com uma diferença, eles têm horário gratuito na TV.

LJ – O que tira seu humor?
Ary
– Quando o Corinthians perde! Eu sou corinthiano doente. Isso me tira o humor, mas fora isso não tem nada.

 

 

 


Elke Maravilha
Ousada, alegre e inteligente, artista fala do seu jeito diferente de ser, pensar e agir


LOGRADOUROS JORNAL – O que você tem feito ultimamente de trabalho?
Elke
Maravilha - Estou com dois filmes agendados e continuo com o meu espetáculo Elke: Do Sagrado ao Profano.

LJ – Quando você vai à padaria, feira, mercado, você se produz toda?
Elke
– Claro, criança.

LJ – Você já apanhou na rua por conta do seu jeito?
Elke
– Já levei porrada, cuspida. Mas tudo bem, meu amor!

LJ – E as crianças, como se comportam ao seu lado?
Elke
– Umas têm medo, outras gostam muito. Criança careta morre de medo (gargalhadas). Eu acho ótimo, porque a elas não foi ensinado respeito, então, que temam!

LJ – No total, quantos idiomas você fala?
Elke
– Oito falados e duas línguas mortas, que é o latim e o grego antigo, então seriam 10.

LJ – E você aprendeu como?
Elke
- A minha primeira língua foi o russo e o alemão, porque a minha mãe era alemã e meu pai russo. E depois lá em casa era assim: de segunda-feira a gente falava russo, terça, alemão, quarta, inglês, quinta, francês. E o português eu aprendia na escola. Depois aprendi latim, ai morei na Grécia, aprendi o grego. Castelhano e italiano foi em faculdade. Também fiz três anos de letras clássicas de latim e grego antigo, e assim fui aprendendo.

LJ – Fácil, né (risos)
Elke
– É. Não tem gente que sabe dirigir? Eu não sei. Tem gente que fala línguas.

LJ – Você não tem carteira de motorista?
Elke
– Claro que não! Se eu dirigisse eu ia fazer m.... Eu graças a Deus nunca soube o que eu queria ser, agora o que eu não devia fazer eu sabia. Então eu falei: Ter filhos, não dou conta, não sei educar uma criança. Dirigir carro, não dou conta também.

LJ – Que mais...
Elke
– Fiz um ano de medicina. Não dei conta...eu conheço meus limites né.

LJ – Você começou trabalhar com 12 anos, é isso?
Elke
- Sim, meu pai me disse um dia: eu te ensinei muitas coisas e agora você vai arrumar um emprego e vai te sustentar.

LJ – E o que você fez?
Elke
– Chorei dois dias, me senti rejeitada! Aí arrumei emprego. Claro que ele continuou me dando casa e comida, mas ele me fez crescer.

LJ – Você está casada agora?
Elke
– Não. O meu ex-marido ainda mora comigo. Viramos parentes.

LJ – Então, no total, você teve oito maridos. E agora, está a procura do nono?
Elke
- Não! Não quero mais! Estou livre de hormônios, graças a Deus. Vou ficar só no oitavo.

LJ - No seu site você cita Buda, Cristo, Madre Tereza, Dalai Lama, entre outras figuras religiosas.Você tem religião?
Elke
- Tem uma frase que parece que foi feita para mim: “Ergo em cada canto de minh’alma um altar a um deus diferente”.

LJ - Então você não tem uma religião?
Elke
– Uma não, eu tenho todas.

LJ - Acredita em Deus?
Elke
– Muitos deuses, um deus só é igual ditadura, meu amor, é igual um partido só, e aí fecha a cabeça das pessoas.

LJ –Qual a sua visão da política brasileira hoje?
Elke
– Olha, ela está também muito burra. Não tem ninguém protestando. Está todo mundo chapa branca.

LJ - Você é anarquista?
Elke
– Eu considero que o ideal, ele tem que estar no coração. O ideal não está no poder – aliás, o poder revela as pessoas. Dizem que ele corrompe. Corrompe nada, revela. De coração, eu tenho que saber que eu não posso puxar o seu tapete. De coração, eu tenho que saber que eu não posso te explorar. De coração, eu tenho que saber que eu não posso te enganar. Tudo, de coração. Saiu do coração, veio pra cabeça, virou partido, virou bandeira, e isso nunca funcionou.

LJ - Você não vota, mas se votasse o que faria?
Elke
- Não votaria.

 

 



Palmirinha Onofre
, famosa por ensinar suas receitas na TV, fala sobre seus planos e dá uma lição de vida com a sua história. Aos 79 anos, ela está em plena atividade.

LOGRADOUROS JORNAL - A senhora disse meses atrás que queria dar um tempo na TV, tirar férias, viajar e descansar. O que fez nesse período?

PALMIRINHA ONOFRE
- Realmente o ritmo de trabalho mudou bastante, hoje não gravo programas na TV todos os dias, mas desde que sai da TV não tenho parado. Tenho gravado muitos programas e também tenho participado de alguns comerciais. Aproveitei nestes meses para realizar um grande sonho que é escrever um livro com minha história.

LJ - O que está fazendo atualmente? Quais os planos para o futuro? Vai voltar para a TV?

PO
- Estamos analisando algumas propostas, e espero que em breve eu esteja com meu programa. Estamos finalizando meu livro que será lançando no dia das mães. E estou muito feliz com mais uma bisnetinha que está chagando.

LJ – A senhora pensa em se aposentar?

PO
- Enquanto eu estiver com saúde, estarei em movimento. A sua idade está na cabeça, não fico parada pensando que tenho 79 anos. Como diria minha mãe: “Velho é trapo”. Adoro trabalhar, e amo fazer o que eu faço.

LJ - Como a senhora faz as receitas, de onde tira a ideia? Tem algum prato que a senhora não saiba fazer?

PO
- Agora que estou mais tempo em casa, assisto a muitos programas de chefs na TV e aprendo muito com eles. Quando a gente trabalha com comida, ficamos de olho em tudo. Sempre que vou almoçar com minha família aos fins de semana, quando encontro uma comida diferente, já fico de olho tentando descobrir quais foram os ingredientes.
Tem comidas que ainda não sei fazer, como alguns pratos da culinária japonesa.

LJ - Como a senhora se sente sabendo que muitas pessoas já conseguiram melhorar suas vidas com suas receitas?

PO
- Esse é o melhor presente da minha vida. Por que foi assim que comecei, eu criei minhas filhas, dei estudo para elas sozinha, vendendo sonhos nas ruas, salgadinhos etc. Hoje só não ganha dinheiro quem não quer. Quando descubro essas histórias eu fico muito emocionada. É o caso de uma menina que não tinha dinheiro pra pagar a faculdade e um dia dei a receita de um pão de mel. Ela me ouviu contando minha historia e conseguiu se formar vendendo os pães na faculdade. Quando eu digo pra você que esta é a melhor recompensa, é verdade. Procuro ensinar pratos fáceis e que ajudem as pessoas que trabalham com alimentos. Como eu sempre digo, a culinária não tem crise. Você pode deixar de comprar uma roupa, mas deixar de comer ninguém deixa.

Quero aproveitar para mandar um grande beijo a todos os meus amigos e amiguinhas da região do Ipiranga. É um lugar que trabalhei muito e tenho boas memórias.


Amado Batista
, cantor e compositor que já vendeu mais de 25 milhões de discos, fala sobre seus 35 anos de carreira, amigos, contato com os fãs e o quanto a pirataria interfere no mercado fonográfico.


LOGRADOUROS JORNAL - Você está comemorando 35 anos de carreira com o disco “Meu Louco Amor”, que traz consigo um DVD. Fale sobre esse trabalho.

AMADO BATISTA: É um trabalho comemorativo, feito com muito carinho, como todos os outros de minha carreira. Eu fiquei quatro anos sem gravar um CD de músicas inéditas, e os fãs estavam ansiosos.

LJ - Quais são suas melhores e piores lembranças desses 35 anos de carreira?

AB
- Olha, pode parecer mentira, mas só tenho boas lembranças.

LJ - Recentemente, você gravou um CD+DVD acústico com a participação de convidados como Leonardo, Sérgio Reis e Fagner. Como foi?

AB - Foi uma grande satisfação gravar com pessoas que, além de muito talento, são meus amigos de longa data, como o Sérgio Reis. Ele foi uma das pessoas que mais me incentivou e ajudou no início da minha carreira. O Leonardo também é um grande amigo e vizinho.

LJ - Você tem 31 álbuns lançados e atingiu a impressionante marca de 25 milhões de discos vendidos. Você tem ideia de quanto a pirataria te custou? Como ela deveria ser combatida, na sua opinião?

AB – Ideia eu até faço, mas não dá para calcular não. Mas a pirataria não custou só a mim, mas todos nós. Só os impostos que são sonegados já deixam de ajudar na educação, saúde, no desenvolvimento. Também causou desemprego, muitas gravadoras tiveram que fechar. A pirataria só seria combatida se tivéssemos leis mais firmes, e punição para todos os envolvidos nela, não só para quem vende.

LJ -Como é o contato com os fãs? Usa a internet para isso?

AB - O contato é muito bom, mas é mais no tetê-à-tête. Infelizmente, ainda não uso a internet para esse fim, mas pretendo fazer algum dia. A internet é uma evolução, uma ferramenta importante em nossa vida.

LJ – E o que gosta de fazer nas horas vagas?

AB – Gosto muito de curtir a fazenda, me reunir com a família e tocar com amigos e filhos.

LJ - Você fica pensando em como teria sido sua vida se você não fosse cantor? O que você teria sido?

AB – Olha, não teria sido fácil, não. Mas cantar é o que eu mais gosto de fazer. Talvez, acho que eu teria sido um fazendeiro.

LJ - Quais artistas da nova geração você admira?

AB – Nossa, são vários. Jorge e Matheus, Guilherme e Santiago, Victor e Léo, Bruno e Marrone. Todos eles são muito talentosos.

 

 



Britto Jr.
, apresentador de “A Fazenda”, conta tudo sobre a última edição do reality show e os bastidores do programa, e comenta as comparações com o Big Brother Brasil.


LOGRADOUROS JORNAL - Como você avalia “A Fazenda 3”?

BRITTO JR.
- Foi a melhor edição do nosso reality, até agora. As mudanças que fizemos na dinâmica, algumas novas regras, a divisão em três grupos dos 15 participantes, a casa da roça, tudo isso foi fundamental para o sucesso de “A Fazenda 3”. E o principal foi a escolha dos peões e peoas. Com um time de pessoas de personalidades completamente diferentes, querendo muito o grande prêmio de R$ 2 milhões, conseguimos cativar o interesse do público.

LJ - Você achou justa a vitória do Daniel Bueno?

BJ
- Sim, totalmente. O Daniel é um rapaz tranquilo, centrado, muito emotivo e sensível. Nas provas, ele se esforçou muito para vencer os demais e, no final, colheu os frutos de tudo isso, sendo o vencedor por decisão do público.

LJ- Tem algum participante que te surpreendeu ou desapontou?

BJ
- Muitos me surpreenderam, porque tiveram comportamento bem diferente dos perfis que li sobre eles. A Janaína, por exemplo, sempre se apresenta nos lugares como uma jovem cheia de alegria, divertida, e entusiasmada. De repente, talvez por causa do confinamento, ela foi ficando deprimida a ponto de se isolar dos outros participantes. Mas, é bom que se diga, chegou a dar a volta por cima e quase chegou à final. Com o Sérgio Mallandro, deu pra perceber que ele não tinha muita afinidade com a vida no campo e os afazeres domésticos. A Monique Evans também me surpreendeu, pois sempre é muito simpática e, no reality, foi a primeira a ser eliminada, depois de travar duelos tensos com algumas pessoas.

LJ - Como é sua rotina durante o programa? Você passa o tempo assistindo, ou vê só o material editado e resumido?

BJ
- Eu passo muitas horas por dia só assistindo através dos monitores do meu camarim na fazenda. Anoto muita coisa, para estar preparado na hora do programa ao vivo. Vivo uma espécie de semi-confinamento, já que moro em SP e o reality é em Itu, a 100 km de distância, mas procuro, sempre que posso, estar ao lado da família. Até porque, esteja onde estiver, sempre tem um computador por perto e o site oficial do programa, pelo portal R7, que me dá todos os detalhes, inclusive imagens ao vivo em tempo real. Nunca desligo do trabalho.

LJ - Durante a primeira edição você recebeu algumas críticas e também foi comparado ao Pedro Bial. Como você recebeu isso? Já foi superado?

BJ
- Quem está neste meio tem que estar preparado para as críticas. Ainda mais fazendo um trabalho tão intenso, tão envolvente como um reality show. A gente vai aprendendo e crescendo a cada edição. Mas não procuro dar muita importância para as críticas, porque sei do meu potencial e tenho uma direção que acredita no meu trabalho e isso é o que importa. Quanto às comparações, sempre digo que elas não fazem sentido. Cada emissora tem o seu programa e cada programa tem o seu apresentador.

LJ - Você ainda pensa em voltar ao “Hoje Em Dia”, outro programa de sucesso, que você ajudou a desenvolver e hoje é copiado por várias emissoras?

BJ
- Na televisão, a gente nunca sabe o que vai acontecer amanhã. Saí do “Hoje em Dia” porque recebi essa oportunidade de apresentar “A Fazenda”, que é o programa de maior audiência da Record. Penso em progredir sempre, e é isso o que vem acontecendo com minha carreira. Me considero um apresentador, com experiência e capacidade para apresentar qualquer tipo de programa. Nunca disse não e só cresci agindo desta forma e aprendi a me tornar um profissional cada vez mais versátil.

 

 

 


A apresentadora Amanda Françozo fala sobre sua estreia à frente do reality “Troca de Família”, sua carreira e seus planos para o próximo Carnaval.


LOGRADOUROS JORNAL - Você passou a apresentar a quarta temporada do reality “Troca de Família”. Como foram as gravações? O que espera do programa?

AMANDA FRANÇOZO
- Estou muito feliz com o convite, gravamos o programa de estreia e curti muito o episódio. “O Troca de Família” é um programa consolidado na emissora (Record), tenho certeza que mais uma vez será sucesso.

LJ - Você também apresenta o “Hoje em Dia” aos sábados. Existe a chance de assumir o programa durante a semana?

AF
– Do “Hoje em Dia” não, porque o time já está completo. Fui contratada para apresentar o programa aos sábados, um projeto da emissora de montar um segundo time de apresentadores para o final de semana. Foi uma experiência bacana. A partir de agora, estou à disposição para ser escalada para o que a emissora precisar. Amo trabalhar, seja onde for.

LJ – Até mesmo em novelas, já que você também é atriz?

AF
- Sobre isso, nunca comentaram.

LJ - Você começou no “Fantasia” (SBT), como dançarina. Como surgiu a oportunidade de se tornar uma das apresentadoras do programa?

AF
- Fiquei três meses como dançarina, até que surgiu uma vaga para apresentadora. Fiz o teste e o Silvio me escolheu. Foi uma grande honra. Foi uma época maravilhosa na minha vida.

LJ - Você é uma mulher bonita, considerada uma das mulheres mais sexies do país. Ao mesmo tempo, é apresentadora, jornalista, atriz, e já produziu e dirigiu um documentário, o que é uma prova de que você não é só mais um “rostinho bonito na televisão”. O que você sente em relação a isso?

AF
- Eu amo meu trabalho. Sempre quis ser comunicadora, procuro me aperfeiçoar e buscar novos desafios. Acho que mulheres bonitas têm milhares, o que diferencia é a empatia com o público e o que você aprende com as experiências, o qu estuda, se esforça... Só fica quem tem talento, não adianta. Espero ter a oportunidade de trabalhar bastante ainda.

LJ - Você já afirmou que não posaria nua. Por que?

AF
- Não sou contra quem faz, acho um trabalho super bonito, mas não faz parte de um ideal para mim e minha carreira.

LJ - Entre apresentar, fazer reportagens, atuar e todos seus outros trabalhos, o que te realiza mais?

AF
- Tudo o que faço é viver intensamente, sou muito realizada em meu trabalho. Escolho todos! (risos) Mas apresentar me realiza mais.

LJ - Você costuma interagir com seus fãs pela internet, no seu blog e no Twitter. Como é este contato?

AF
- Adoro a tecnologia, internet... tenho vários canais diretos com a galera que curte meu trabalho, e sou eu mesma quem atualiza site, blog, Twitter, Orkut. Adoro!

LJ - Você foi madrinha de bateria do Carnaval da Vai-Vai por três anos, mas não será neste. Por que? O que fará neste ano?

AF
- Durante estes três anos em que desfilei, tive um preparo bastante duro para isso. Nesse ano me dei férias, quero viajar e relaxar.

 

 



O humorista Sérgio Mallandro, conhecido pelo jeito moleque e espontâneo de ser, fala sobre sua nova fase, pós “A Fazenda”


Logradouros Jornal – Você está em cartaz com o seu show no teatro em São Paulo, como está essa experiência?

Sérgio Mallandro
- Maravilhosa! Estreamos três semanas atrás, com casa cheia e tudo mais e está o maior barato. Eu interajo bastante com o público, conto várias historias, da minha adolescência, com amigos de artistas que passaram na minha vida como Sílvio Santos, a Xuxa, o Chico Anysio. Também conto histórias das ex-mulheres (risos), do que está acontecendo agora, da “Fazenda”, dos bastidores da “Fazenda”. Enfim, está o maior barato, a risada é garantida lá.

LJ – Em relação à “Fazenda”, como foi a sua vivência lá?

SM
– Foi o maior barato! Eu sempre tive a curiosidade participar de um reality show, até porque eu achava que era tudo meio combinado, agora eu posso falar que não. Eu me senti um astro porque aquilo era uma superprodução, câmera pra tudo quanto é canto. É uma coisa muito maneira e a coisa mais maneira de lá foi que eu conquistei também o público das crianças. Elas voltaram a gostar de mim! Eu tô até pensando em fazer um show para a criançada também. É o maior barato essa coisa da criança fazer ‘yeé, yeé, glu glu’ (risos)

LJ – Você tem algum projeto para voltar à TV?

SM
– Vamos voltar para a TV aí, fazer algumas coisas na Record. Vou ver o que é que vai acontecer.

LJ – E na política, tem vontade de disputar mais uma eleição?

SM
– Na política agora não. Eu trabalho com teatro. Estamos com projeto novo de cinema, vamos fazer um filme maravilhoso aí, e ‘vamo que vamo’, fazer ‘glu glu’(risos).

LJ – De onde você tira esses jargões?

SM
– Já tem muitos anos que eu uso o ‘glu glu’. Aí não tinha nada pra falar, daí falei uma meia dúzia de ‘vem meu amor, vem meu chuchu, vem bem pertinho, fazer glu glu, glu glu para mim, glu glu para tu’...aí pegou. Tem também o ‘yeéh yeéh’!

LJ – A gente ouve falar que você morou no Ipiranga, qual sua relação com a região?

SM
– Já morei na Vila Mariana e no Klabin. Estou sempre por essa área aí. No Ipiranga eu não morei, mas eu gosto muito do bairro aí e convido todo o pessoal pra vir me assistir. ‘Yeéh yeéh’!

 

 



O ator Danton Mello fala de sua carreira, da peça que está em cartaz e do seu relacionamento com o irmão Selton Mello


Logradouros Jornal - Você está em cartaz com a peça “Os 39 Degraus” e interpreta 13 personagens, como é fazer tantos papeis ao mesmo tempo?
Danton Mello
– Esse espetáculo é uma grande diversão. A ideia da peça é muito genial, que é pegar um filme de suspense de Hitchcock e transformar numa comédia. Para eu interpretar todos esses personagens eu troco de roupa umas 30 ou 40 vezes .

LJ – Mas não dá para se confundir com tantos personagens?
DM
- Isso ainda não aconteceu (risos). No começo eu fiquei nervoso, preocupado, mas nunca teve essa confusão.

LJ – Você já fez teatro, cinema, TV, dublagem. Tem preferência por algum desses trabalhos?
DM
– Olha, eu já fiz 17 novelas, 12 ou 13 peças, 7 ou 8 filmes, mas se eu tivesse que escolher hoje, eu te digo que eu tô muito fascinado pelo teatro.

LJ - Na TV você praticamente emendou as novelas. Já tem algum outro projeto em vista para televisão?
DM
– Na verdade tem alguma coisa... nem é convite oficial ainda, mas existe uma conversa sim. Por enquanto eu continuo fazendo o meu teatro, mas sei que no máximo até o final do ano eu faço uma novela.

LJ – Como você aprendeu a interpretar?
DM
- Eu não tenho uma coisa teórica assim. Eu nunca estudei, não sou formado em artes, em cinema, em nada. Nunca estudei Stanislavski, ou coisas do gênero. Eu aprendi observando, na prática, apanhando, aprendendo, errando, ouvindo os mestres e grandes atores.

LJ – Por falar nesses grandes, como é sua relação com o seu irmão (ator Selton Mello), existe muita comparação entre vocês dois?
DM
- É mais confusão (risos). A gente é parecido, então se confunde muito, trocam os nomes. Na peça mesmo, na estreia de “Os 39 Degraus” o Selton recebeu algumas vezes parabéns na saída do teatro (risos). Mas na verdade é só confusão mesmo. Cada um criou sua história, seu estilo, sua característica.

LJ – E aquele acidente de helicóptero, mudou sua vida de alguma maneira?
DM
– Não. Na verdade acho que só reforçou o pensamento que eu já tinha, de que a gente tem que aproveitar mesmo e curtir a vida. Eu sou um cara muito cético. Eu não tenho religião e não acredito em destino. Sabe aquela coisa de não aconteceu porque não tinha que acontecer? Não acho. Não aconteceu porque eu estava de cinto, porque por acaso eu resisti. Por isso agente tem que aproveitar o momento.

 

 

 


O músico e “Assessor para Assuntos Aleatórios” do “Programa do Jô”, Derico, fala de seu trabalho como saxofonista e escritor, e comenta sobre o CD lançado em japonês


Logradouros Jornal. Você está lançando o seu terceiro livro, “Volta ao Mundo Numa Bicicleta Ergométrica”. Por que esse nome?

Derico – Quando eu tive a ideia do livro, a primeira coisa que eu tinha era o nome, e a partir disso comecei a elaborar a história, que começou a se desenvolver em torno de um cara que começa a se exercitar numa bicicleta ergométrica e, depois de trinta, quarenta minutos que a endorfina começa a fazer efeito no organismo dele, ele faz uma viagem. Aí ele vai para seis momentos históricos da humanidade.

LJ –Você está no ar com o Jô Soares já tem 21 anos. Como é trabalhar com ele todo esse tempo?

Derico – Eu tenho certeza de que cada dia que eu estou indo para lá eu estou levando uma aula de como trabalhar em televisão, lidar com vaidades e como exercitar e exercer o poder de liderança. Tudo isso o Jô sabe fazer muito bem. Então é muito legal, fora que ele é um amigão da maior espécie.

LJ – Mas você já passou por diversas situações embaraçosas no programa...

Derico – Faz parte (risos).

LJ – Qual foi a pior, nesse caso?
Derico – Olha, eu já fiz de tudo lá. Já comi minhoca, eu já comi rato, gambá, besouro, grilo. Já lutei boxe, luta livre com o Rodrigo Minotauro, já fui depilado. São essas coisas inusitadas, de cobaia, do tipo: pô, quem é que vai fazer isso? Chama o

Derico! Então, eu já tenho um know-how grande pra fazer essas bobagens (risos)

LJ – Em relação à música, você começou a tocar flauta com cinco anos...

Derico – Pois é. Eu sou de uma família de músicos. Fiz a carreira bacana de flauta doce, aí passei para a flauta transversal e aí eu fui pro saxofone, contrabaixo elétrico...

LJ - Entre tantas gravações suas, tem uma que chama a atenção, que é um CD em japonês, como foi essa experiência?

Derico – Foi sensacional. Eu trabalho com o meu irmão também e a gente faz muitos eventos corporativos. E tem um cara maluco japonês que mete a gente nuns eventos inusitados da comunidade japonesa. E ele sugeriu que a gente podia fazer algumas coisas do Japão. Ele mandou para mim uma leva de músicas tradicionais. E eu ouvi melodias lindas. Daí fizemos uma linguagem instrumental para aquilo, começamos a tocar nos eventos e deu certo pra caramba.

LJ – Você chegou a cantar e gravar até “My Way” em japonês?

Derico - (risos) Um dia, num karaokê na casa de um amigo, eu cantei essa versão em japonês. Aí, depois pra onde eu ia eu cantava essa música e a japonesada ficava maluca (risos). Então meu amigo sugeriu que eu gravasse. Daí eu falei: cara eu vou gravar. Entrei no estúdio com o meu irmão e gravamos esse CD e ficou muito bonito.

 



O galã global Márcio Garcia conta como foi dirigir seu primeiro longa e releva sobre seus projetos de retornar ao ar como apresentador de programa de auditório


Logradouros Jornal - Vamos falar do seu filme “Amor por Acaso”, que vai estrear agora, dia 10. É seu primeiro longa como diretor e foi filmado no Brasil e nos Estados Unidos. Como foi essa experiência?

Márcio Garcia
- Tranquilo, mas com vários desafios. Foi o meu primeiro filme em inglês, numa correria para fazer tudo em dezoito dias. E apesar de ter várias coisas contra, eu acho que tudo deu certo. A gente conseguiu um elenco super bacana. A Juliana (Paes) tem um inglês super afiado, que foi uma economia de tempo. O Dean Cain, também é um cara super fácil de se trabalhar, super querido, super engraçado. A equipe toda, tanto do Brasil como a americana, foi super ágil. Mas eu confesso que achei que não fosse dar tempo de fazer tudo e a gente conseguiu um produto bastante legal - e olha que normalmente se filma em 40, 45 dias.

LJ– Mas toda essa pressa foi por causa da gravidez da Juliana Paes?

MG
– Foi. Tive que mexer no elenco por conta disso, porque pegou todo mundo desprevenido. A gente já tinha gravado com ela aqui no Brasil, tivemos que antecipar a parte dos Estados Unidos, mas foi tudo bem. Los Angeles ajudou porque lá é sol até nove da noite, então acho que foi conspiração a favor. (risos)

LJ – E a recepção do elenco americano, como é que foi?

MG
– Ah, foi ótima! Todos (os atores) já me mandaram e-mail. Adoraram e já querem fazer meu próximo filme (risos).

LJ – Você teve participação na escolha do elenco?

MG
– Claro. Tive que aprovar tudo. Teve o Joe Lorenzo fazendo teste lá e a Marcela Altberg no Brasil. A princípio teria (no filme) o Jerry O’Connell, o Danny Glover e outros atores, mas por conta da antecipação, as datas caíram. A gente ainda conseguiu o Dean Cain, o John Savage, o Eric Roberts, que é o irmão da Julia Roberts, que é um grande ator e deu tudo certo, foi legal.

LJ – E você já foi premiado com um curta (Predileção). Pela sua carreira de diretor até que você começou bem...

MG
– Muito bem, eu tô me achando! (risos)

LJ – Qual é o plano agora, é seguir firme como diretor, ou também vai atuar?

MG
- Vou fazer tudo, vamos fazer pelo menos uns dois, três filmes por ano. E eu tô aí, na Globo. Estamos com um formato super bacana de um programa que a gente está com um piloto agora para o início do ano.

JL – Como apresentador?

MG
– Sim.

LJ – Mas o que é?

MG
- É um programa de auditório, mas é meio segredo, não posso dizer mais nada. É uma surpresa pra galera.

LJ – Por falar em novidade, saiu na mídia que você é um possível substituto do Fábio Assunção na próxima novela da Globo...

MG
– Pois é, mas eu acho que isso é especulação, porque até hoje (01/12) ninguém me ligou, ninguém me procurou. O Gilberto (Braga) é meu amigo e ele já teria me ligado. Eu já estou num projeto aí, que é o especial de fim de ano, então eu acho que vai ser difícil de fazer essa composição. Mas eu adoraria.

 

 


Evandro Santo
, o Christian Pior do “Pânico”, fala sobre o sucesso de seu personagem, a busca por seu pai verdadeiro, e conta um pouco do show em cartaz no teatro.


LOGRADOUROS JORNAL – Você ficou conhecido pelo personagem que interpreta no programa “Pânico”, o Christian Pior. As pessoas confundem vocês dois? Já sofreu preconceito por causa dele?

EVANDRO SANTO
- Geralmente as pessoas me confundem com o Gianecchini, mas logo esclareço que eu sou eu (risos). As pessoas confundem sim, é natural. Mas se me chamam, é porque reconhecem meu trabalho. Não tem problema não, nunca sofri nada na rua, as pessoas sempre levam na brincadeira. Eu gosto.

LJ - E por que ele, Chistian, deu tão certo?

ES
– Porque ele faz uma ponte entre classes A, B e C, tem auto-ironia e ironiza, é muito próximo. Todo mundo conhece uma bichinha que te dá um monte de beijos, que quer conhecer gente importante.

LJ - Como você chegou ao “Pânico”?

ES
- De metrô. (risos) Eu tinha um espetáculo em um boteco e precisava divulgá-lo. Consegui uma entrevista no Pânico na rádio, o Emílio (Surita) me achou um tesão e me contratou.

LJ - A busca pelo seu pai rendeu um grande ibope ao programa “Pânico”. O que você acha dessa exposição? Ainda tem intenção de continuar procurando por ele?

ES
– Não quero continuar, não, cara. É muito ruim, você fica em cacos. Eu não voltaria a procurar também porque o caso expôs muito a minha mãe. Eu estou preparado para este tipo de coisa, mas ela não. Então falei para o pessoal, “já deu, já causou e pronto. Encerrou.”

LJ - Você teve uma história de vida difícil, saiu de casa cedo, passou diversas dificuldades, e hoje vive de fazer as pessoas darem risada. Como é isso pra você? Chega a ser um desafio?

ES
- Não, é natural. Cada um nasce com seus talentos e o meu é o humor, que eu tenho desde moleque, e que já usei para tudo nessa vida, como fuga, escudo, moeda de troca, sedução e, agora, como trabalho.

LJ - Você estreou neste final de semana em São Paulo seu show “Espia Só” (às sextas, 23h59, no Teatro Jaraguá). Fale um pouco sobre ele. É a primeira vez que você faz um humor de “cara limpa”?

ES
- Eu sempre estou com a cara limpa. Uso um esfoliante ótimo e sou viciado em água termal (risos). É um espetáculo que é um exercício de humor. Nele, eu ouso muito. Até demais, na minha opinião. Dou bebida para as pessoas, perfumo-as, coloco-as para dançar e no meio de tudo isso tem o stand-up, a interação e o improviso. É uma balbúrdia de humor.

 

 


Bárbara Paz
, atriz fala sobre sua nova peça, “Hell”, onde interpreta uma personagem tão polêmica quanto a Renata, de “Viver a Vida”, que a consagrou na TV


LOGRADOUROS JORNAL - Você entra em cartaz no teatro com “Hell”, uma peça baseada em um livro da escritora francesa Lolita Pille. É verdade que foi você quem apresentou o livro para o Héctor Babenco fazer a adaptação da peça? O que esse livro e tem de fascinante, na sua opinião?

BÁRBARA PAZ
– Sim, é verdade. Gosto do livro porque ele aborda esse excesso de consumo, de vazio, esse desencontro no amor. Tudo se consome mais hoje, todos estão muito preocupados com as aparências... tudo é aparência.

LJ - E como é trabalhar com o Babenco, seu marido, como diretor?

BP
– Está sendo maravilhoso! Ele é um grande diretor, um mestre.

LJ – Além de Hell”, tem alguma outra personagem, de algum outro livro, que você gostaria de interpretar?

BP –
Nossa, muitos! Meu próximo passo será alguém de algum livro do Nelson Rodrigues. A obra dele me instiga.

LJ - Tanto sua personagem em Hell, como a Renata, de “Viver a Vida”, são mulheres complexas e problemáticas, de forte carga dramática, que você faz com competência. Ao mesmo tempo, você se diz uma “palhaça” desde criança. Com qual tipo de personagem você se sente mais à vontade?

BP
– É claro que as personagens mais problemáticas e densas me fascinam, até porque, com elas, tenho mais material para trabalhar. Mas a “palhaça” ainda vive dentro de mim.

LJ - Você faz teatro há mais de uma década, já venceu um reality show, fez novelas em outras emissoras. Por que demorou tanto tempo para chegar à Globo?

BP -
Pergunta para eles. (risos) Eu acho que cheguei na hora certa. Estou mais madura agora, mais consciente e também muito mais focada.

LJ - O sucesso e o reconhecimento que você obteve com “Viver à Vida”, foram diferentes do sucesso de quando venceu a “Casa dos Artistas”?

BP
– Sem dúvidas! Hoje tenho credibilidade, ontem eu tinha só popularidade.

LJ - Seu próximo projeto na televisão é a participação na série “As Cariocas”, da Globo. Fale sobre sua personagem.

BP
– Ela é uma vizinha safada da Celi, personagem da Adriana Esteves, que ajuda ela a fazer com que o marido volte a prestar atenção nela.

LJ – Para finalizar, você é gaúcha, mas veio para São Paulo bastante jovem, e praticamente teve toda sua a vida artística por aqui. Qual é o seu sentimento por esta cidade?

BP
– Ah, eu amo esta cidade! Ela abriu-me os braços feito Cristo.

 

 



Oscar Filho,
humorista e integrante do “CQC”, fala sobre o programa, a censura durante as eleições e seu show, em cartaz no Teatro Frei Caneca.

LOGRADOUROS JORNAL - A temporada do seu show “Putz Grill” acaba de ser estendida até dezembro. Fale um pouco sobre ele.

OSCAR FILHO – Então, começou em 2005, com o “Clube da Comédia Stand Up”, que tem a característica de você falar da sua vida ou, através da sua vida, fazer as observações que você tem em relação às coisas. Então, em 2005, a gente (também Rafinha Bastos, Marcelo Mansfield e Marcela Leal) montou isso e tentamos seguir à risca o máximo possível, sem cópia de texto, tudo original, e tudo o mais. Daí eu peguei as coisas que eu achei mais bacana e coloquei nesse show solo, que já existe há dois anos e pouco. Em cartaz, estou desde março e, pô, está sendo muito legal, cara. Eu não imaginava que em tão pouco tempo eu ia conseguir fazer as coisas que eu queria, porque eu saí de Atibaia querendo fazer teatro e tudo o mais, mas não sabia que em tão pouco tempo ia ter essa coisa do CQC, a divulgação e as pessoas indo atrás. Bem legal.

LJ - Você continua em cartaz também com o Clube da Comédia, às quartas-feiras. Qual a diferença entre os shows?

 OF – No Clube da Comédia, eu às vezes monto um texto original, e às vezes escolho um pedaço do show do “Putz Grill”, que eu acabo usando como divulgação para virem para cá.

LJ - O stand up está na moda hoje. O que popularizou o estilo, a Internet ou o CQC?

OF – Acho que um pouco de tudo, porque o CQC foi um... (pensa) as pessoas pensaram “mas de onde esses caras vieram?”, “eles vieram do stand up?” e tal. Daí acho que começaram a ter mais curiosidade, para saberem de onde a gente vinha e de como era essa linguagem. Mas aí tem também as pessoas que querem se aproveitar um pouco da onda, né? É bom para o movimento do stand up, mas não é tão bom se a pessoa só está interessada na grana que acha que vai ganhar. Tem gente que acha que vai ganhar rios de dinheiro fazendo stand up e não é assim. Então, acho que tem um pouco de tudo, do CQC, do Youtube, das pessoas quererem fazer para entrar na onda, tem de tudo.

LJ - Como você chegou ao CQC?

OF – Foi através de um vídeo de stand up que coloquei na internet, e um ano antes de o programa ir ao ar, o diretor estava montando o casting procurando pela internet, e então veio me ver ao vivo. Daí ele não conhecia o Danilo e também viu no Clube da Comédia. O Rafinha ele já conhecia, e então ele chamou eu e o Danilo para fazermos os testes.

LJ – Você é ator por formação, já fez várias peças. Não pensa em voltar a atuar?

OF – Eu penso, mas essa coisa do teatro é meio tradicional ficar em cartaz de sexta, sábado e domingo, então não daria porque tenho viagens com o CQC para fazer matérias. Hoje à tarde mesmo tive matéria, entendeu. E ela surge quase que na hora, me ligaram ontem às nove da noite falando “tem uma matéria amanhã”. Então, só aqui mesmo que eu tenho combinado com eles, tenho quatro dias livres para fazer o que quiser, e eu uso esses quatro dias como o sábado para ficar em cartaz, porque tenho contrato, mas no Clube da Comédia eu tenho faltado às vezes por causa de matérias.

LJ - Como é feita a distribuição de matérias no CQC?

 OF – Tem mais ou menos uma característica para cada um. O Felipe é mais esporte, porque ele manja de esporte e já fazia na Band, antes de entrar no CQC. O Danilo foi focado mais em política, agora está no Proteste Já, e a Mônica está em política. Daí eu, o Cortez e o Felipe, a gente meio que faz política, eventos e celebridades, então é mais ou menos por aí mesmo. Daí o Luque e o Rafinha só ficam na bancada.

LJ - Mas parece que te passam sempre as piores pautas. Por que?

OF – Pois é. Engraçado que eu estava conversando ontem com o diretor do CQC, que agora é diretor da produtora ”Quatro Cabezas”, e ele falou umas coisas que eu não sabia. Quando ele me chamou, falou que eu fui muito mal nos testes, mas mesmo assim ia me dar uma chance. Aí ele falou ontem que, na verdade, eu fui mal nos testes por causa das pautas, que eram muito ruins. Ele falou “você deu muito azar. A gente precisava fazer logo e foi no susto. A gente colocou você em duas roubadas e você chegou firme la. Apesar de você ter feito mal o teste porque não tinha muito o que fazer, mas você ficou lá”. Uma delas foi na Casa das Rosas, com o Serra indo lá com 570 seguranças e eu não cheguei perto do cara. Mas eu fiquei lá tentando tirar coisas.

LJ - Já aconteceu de você ir em algum lugar e não conseguir tirar nada?

OF – Quando tem celebridades ou cinco pessoas conhecidas, eu sempre levo alguma coisa. Agora quando tem uma pessoa, daí não tem como. É uma característica do programa mesmo né? Mas acho que nesse tempo todo, acho que só uma vez que tinha gente e não consegui fazer com que saísse nada de legal.

LJ - Logo no primeiro programa você já apanhou do Hector Babenco...

OF – (interrompe) Desculpa, que eu estava respondendo lá: por esse negócio do teste, eles ficaram na cabeça. Por eu ter ido a duas pautas completamente furadas e ter conseguido fazer alguma coisa, fiquei meio que sendo o salvador da pátria. (risos)

LJ - Tá certo. Aquela história com o Babenco foi no primeiro programa. Aquilo te afetou de alguma maneira?

OF – Afetou pro bem. Falei “nossa, que legal, vou tentar fazer acontecer mais vezes”.

LJ - E já resolveu esse problema com ele?

OF – Não, ele é bem difícil. É o típico argentino arrogante até o final.

E a questão da censura durante a campanha eleitoral? Ainda bem que tiveram bom senso e ela caiu...

OF – É aquela coisa... é muito suspeito! Na verdade não é nada suspeito, a gente sabe muito bem por que aconteceu isso. A gente pensou bastante, e foi muito por causa do CQC que aconteceu isso. Não querendo ser...

 LJ - Vocês foram barrados lá...

OF – Exatamente, por esse tipo de coisa. Então muita gente se irrita com nossas perguntas, mas o índice de aceitação é gigantesco, entendeu? Assim como tem gente que não gosta, tem gente que gosta , que torce pela gente e se esforça pela gente. Então, acho que graças a isso também, a lei caiu. E é bom para todo mundo. É bom para o Pânico também, é bom para os políticos. Porque quem não tem nada, não vai temer. Tem político que dá a cara, o Maluf mesmo dá a cara, joga o jogo. Então, acho que é assim que tem que ser. A gente fala o que quer falar, e a gente tem que ouvir o que não quer ouvir. Eles podem isso também. Não tem problema nenhum, nem que seja uma pergunta extremamente agressiva. O cara tem a possibilidade de falar “não quero responder isso” e sair andando. Ele tem esse direito. Agora ele não querer que faça pergunta já é demais.

 

 


Sérgio Reis
fala sobre seu novo DVD, gravado ao vivo com Renato Teixeira


LOGRADOUROS JORNAL - Você começou a carreira cantando músicas internacionais, rock, bolero, foi autor de diversas músicas da Jovem Guarda. Como virou um ícone do sertanejo?


SERGIO REIS – Foi uma feliz coincidência, vamos dizer assim. Por incrível que pareça eu já gostava de sertanejo com dez anos de idade, eu aprendi a tocar violão com uma viola, que meu pai me deu e eu tenho até hoje. Sempre ouvi programas de rádio de música sertaneja, e o engraçado é que não tenho nenhum parente fora do Estado de São Paulo. Meu pai nasceu em Osasco, minha mãe era carioca. Fui gostando sempre, mas depois veio a Jovem Guarda, e naquela juventude você curtia o que estava na moda. Em 58, com 18 anos, fui levado para a gravadora Chantecler, onde fui gravando uma balada, um bolero...

LJ - E então veio a Jovem Guarda...

SR - Em 64 chegaram os artistas da Jovem Guarda, o Roberto Carlos, e eu comecei a compor pro Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Golden Boys e muita gente. Aí eu fiz “Coração de Papel” e gravei, e foi um grande sucesso. Depois gravei “O Menino da Gaita”, que também ficou em primeiro lugar, e em uma festa de debutantes começaram a tocar “Menino da Porteira”, eu cantei e resolvi colocar no meu repertório. Em Goiás, eu fui cantar em uma boate cafona e já me pediram três vezes “Menino da Porteira”, e não teve jeito. Então eu gravei e foi sucesso nacional. Coloquei em um LP com músicas românticas e só ela fez sucesso. Então em 75 gravei o LP “Saudades da Minha Terra” e usamos uma estratégia. Peguei “Chalana”, que é uma música da fronteira com Mato Grosso do Sul, falando do Rio Paraguai, peguei “Chico Mineiro” para os mineiros, “Rio Piracicaba” para São Paulo”, e então fiz um disco com todos os sucessos, e aí não teve jeito: vendi milhões e ganhei todos os prêmios, e assim a carreira foi...

LJ - É verdade que seu nome era Johnny Johnson?

SR – Eu cantava com nome de Johnny Johnson, imagina só... isso não é nome de artista, é nome de preservativo. (risos) Na gravadora, o Tony Campelo disse que não era um bom nome, aí eu disse que meu nome era Sérgio Bavini, e o da minha mãe era Clara Reis, e então eles disseram que Sérgio Reis era bom.

LJ - Como você começou a sua carreira de ator?

SR – Em 76, o Moracy Do Val, quis fazer um filme sobre o Menino da Porteira e me chamou. Fizemos e tivemos três milhões de espectadores.  Em 78 eu fiz o filme “Mágoas de Boiadeiro”, sobre a música que eu fiz para os peões, com roteiro do meu amigo Benedito Ruy Barbosa, que também foi um grande sucesso. Quando foi em 81, ele falou “vou te por em uma novela da Globo, ´Paraíso´”, e eu tremi na base. Foi parecido o que aconteceu com o Daniel, ele chorou, e eu disse “vai que o Benedito sabe o que fazer”. E então eu fiz a novela e carreira foi crescendo cada vez mais.

LJ - Você considera o Daniel seu sucessor?

SR – Pode ser. O Daniel, em caráter, ele pode ser... já é! É uma figura, um cara fantástico. Como cantor, é ótimo também. Seu repertório divide muito entre o romântico e o sertanejo, que ele faz com o pai dele. Se ele enfiar o chapéu na cabeça, que é fazendeiro e toca viola, tranquilamente ele pode pegar esse espaço, que logo, logo, estou deixando. Não vou viver eternamente.

LJ – Você já ganhou dois Grammy Latino, maior premiação da música. Como é esse reconhecimento internacional?

SR – O reconhecimento é grande. Você sabe que o importante foi que eu fiz “Paraíso”, depois fiz “Pantanal” e “Rei do Gado”, e por último “Bicho do Mato” na Record, que também vai pro resto do mundo. Eu estava em Roma uma vez e tinha um garotinho tocando sanfona em frente ao Coliseu, pedindo uns trocadinhos... Bonitinho, tocava bem o danadinho! Como eu tenho cidadania italiana e falo italiano, cheguei nele e perguntei se conhecia algum artista brasileiro. Ele disse que conhecia Roberto Carlos, e começou a tocar “Amigo”, e então eu comecei a cantar com ele, né. Então ele parou e falou “io te conosco! Tibério della novela Pantanal”. Em Paris também, é uma coisa maluca. E isso é muito gratificante.

LJ – Você gravou recentemente um DVD com o Renato Teixeira. Fale um pouco sobre esse trabalho.

SR – É um projeto lindíssimo! Eu, o Renato e nossos filhos, cara... “Amizade Sincera” é o nome do DVD. É demais! Gravamos essa música, ele canta “Romaria”, “Menino da Porteira”, que eu canto o último verso... canto “Amora”, que já foi tema de novela,... tem bastante coisa. O Renato tem um pensamento... nós somos vizinhos, e ele falou “Grandão, você é uma unanimidade! O que nós fazemos com essas músicas, esses clássicos, não tem mais ninguém que faça. Eu, você e o Almir Sater. Nós temos que mostrar isso pra todo mundo”.

LJ – Por que o Almir não participou?

SR – Ele não quer saber de DVD, ele não manda disco pras rádios, quem quiser comprar disco dele, só nos shows. Ele falou “ninguém vai ficar sentado numa poltrona me vendo cantar, não, Serjão. Quem quiser me ver, vai ter que comprar ingresso “. Ele é inteligente. Não quer saber se a rádio vai tocar, não está nem aí. E ninguém ganha mais dinheiro do que ele, que vende os seus próprios discos e ganha 15 paus por cada. Se você põe em uma gravadora, eles não te pagam quase nada, nem te mostram quanto vendeu.

LJ – O que acha do “sertanejo universitário”?

SR
– Essa nova geração não tem nada de sertanejo. É um “ie-ie-iê” da Jovem Guarda cantado em dueto. Se você pegar César Menotti e Fabiano, “Ciumenta”, e “Quando”, do Roberto Carlos, vai ver que é tudo a mesma coisa. Mas é bom, é um direito deles. Victor & Léo, por exemplo, estão como convidados no meu DVD.

LJ – Você chegou a se candidatar a deputado federal por Minas Gerais. Por que desistiu?

SR – Porque o partido que eu estava inscrito lá (PR), eu já estava até com número, fez uma sacanagem com um amigo meu, que me pôs no partido e era o presidente, deram um tombo nele e tiraram o cara. Então eu falei “eu não vou reforçar o partido deles”, porque lá em MG eu teria uns 600 mil votos, no mínimo. Ia levar uns dez junto comigo. “Fizeram sacanagem com o meu amigo”. Já começou por aí. E ainda começaram a falar que eu não ia poder mais aparecer nos programas, cantar, fazer nada, aí eu.. “espera aí, eu tenho um projeto musical com o Renato e não posso fazer isso, é muito importante pra mim, mais que a política”. Ia fazer a política para dar algo em troca ao povo mineiro, que me acolheu há muitos anos, mas é impossível. Com esses políticos, não dá!

 

Nelson Freitas
Cheio de humor e graça, ator e comediante fala sobre seu trabalho


LOGRADOUROS JORNAL - Fala um pouco sobre seu espetáculo*?

Nelson Freitas
- O espetáculo é uma grande bobagem! É uma necessidade absurda que eu tinha de me expor um pouco mais e trazer o nome Nelson Freitas um pouco mais perto da imagem do Nelson Freitas, porque o nome nem todo mundo ainda assimila. Quando você fala: Ah! O “Corno”, o cara do “Zorra”, o “Espera”, aí a ficha cai e a pessoa fala: Ah! Eu gosto dele. É mais ou menos por aí. Então eu chamei o Chico (Anysio), que é meu ídolo maior nesse ofício e ele topou dirigir. Eu fiquei uma semana na casa dele e a gente está na pista já tem três anos e é super legal.

LJ - Você tem ideia de quantas pessoas já foram te ver no teatro?

NF
– Puts, já passou de meio milhão.

LJ – E qual é essa sensação de agora deixarem um pouco de lado a figura do “Corno” do “Zorra” e passarem a conhecer de fato o ator Nelson?

NF
- Isso é muito legal, porque aqui eu posso mostrar alguma coisa que eles não têm ideia do artista no programa.

LJ – Você lida com a relação humana na peça de uma forma engraçada. É isso, humor é a base de tudo?

NF
– Tudo. Humor e amor são a base e os sentimentos mais primordiais do bem estar, da saúde.

LJ – E hoje, onde que falta mais humor?

NF
– Cara, em todo lugar. No trânsito, por exemplo, as pessoas andam com a faca na boca, “sangue no zóio”, elas querem partir pra cima do outro porque acham que o erro do cara foi proposital e isso é cada vez mais ridículo na civilização, principalmente no brasileiro e mais principalmente ainda no povo carioca. O povo carioca é absolutamente sem educação, sem respeito pelas leis, pela vida e sem humor. No Rio, o cara corta pela contramão, fura sinal vermelho, corta pelo acostamento, fecha você, não está nem aí para a situação. Então está muito difícil isso, acho que o humor, principalmente no trânsito, seria fantástico.

LJ- E a que você atribui o seu sucesso de hoje, tanto na TV como no palco?

NF
– Eu venho ao longo desses anos ganhando auto-estima e sentindo que realmente as pessoas gostam não exatamente do que eu faço, mas da maneira que eu faço, que é sempre um improviso.

LJ – No “Zorra” você improvisa bastante? Foge do texto?

NF
– Demasiadamente. Com certeza 50% que sai ali é criação minha e as pessoas ficam estimuladas com essa improvisação.

LJ – Você está no programa desde 2001 e tem personagens que duram muito tempo, como fazer para não enjoar o público?

NF
– Na verdade não importa que você faça o mesmo personagem durante anos, porque graças a Deus todos os quadros que eu fiz no “Zorra”, desde o Alfândega pipipi”, o “A pobreza bate a sua porta, o “Carretel e a Lucicreide”, o “Espera”, o “Bêbado”, o “Adão e Eva”, esse casal que a gente está fazendo agora, o “Dadá e Dodô”, todos são personagens longevos e esse é o grande barato. No programa você tem o bordão, a estrutura, e leva de cinco a dez minutos no máximo pra você dar o recado. E cada vez é uma situação diferente em cima do mesmo tema, então isso aí dá uma flexibilidade de você poder manter o personagem, mas ao mesmo tempo trazer sempre uma coisa nova, isso é inovação.

LJ – E novela, por que você não faz mais?

NF
– Eu já fui convidado várias vezes, mas o que me apraz no humor, a novela por enquanto ainda não pôde dar. É possível que daqui algum tempo eu tenha um programa meu, mas se o “Zorra” existir eu vou continuar fazendo, porque eu adoro fazer o programa e me dá uma abertura total para eu fazer os meus shows.

*Nelson Freitas e Vocês - Teatro Procópio Ferreira
10 de agosto, terça-feira, 21h (última apresentação)
Rua Augusta, 2823 – Jardins - São Paulo
Gênero: Comédia - Duração: 70 minutos
Ingressos: R$ 50,00 e R$ 25,00 ( estudante e idosos)
Mais informações: (11) 3083-4475

 

Toquinho,
violonista, compositor e cantor, fala sobre suas parcerias marcantes, seu show na Virada Cultural, sua relação com a Itália e a paixão pelo Corinthians.


LOGRADOUROS JORNAL - Pra começar, você já deve ter explicado diversas vezes, mas muita gente ainda não sabe. Por que “Toquinho”?

TOQUINHO
: Era um chamamento carinhoso de minha mãe, que dizia: “meu toquinho de gente”. E então foi ficando e acabou se consolidando como nome artistístico.

LJ - Sua carreira é marcada por diversas parcerias, com grandes nomes como Vinícius de Moraes, entre outros. Por que essa opção de trabalhar tantas vezes com outros artistas, e como essas parcerias surgem?

T
- Sempre tive e tenho parceiros talentosos, que lidam com as palavras sabendo como colocá-las na melodia. As parcerias acontecem por causa das amizades. Sem amizade não há parceria. Além da afinidade artística, que define o estilo e garante a continuidade do trabalho.

LJ - Você também é conhecido pelo vasto trabalho com o público infantil. Qual é a importância desses trabalhos para você?

T
- Tudo começou quando Vinícius e eu resolvemos musicar poemas do livro dele, “Arca de Noé”. Deu certo, gravamos as músicas em dois discos,”Arca de Noé” e “Arca de Noé 2”, e foi um sucesso incrível. Depois vieram outros. São todos trabalhos que oferecem um reconhecimento estimulador. As crianças são espontâneas, e quando gostam de alguma coisa, vibram com aquilo. Essas músicas são importantes porque ensinam de uma maneira lúdica. Hoje são usadas na maioria dos currículos escolares em todo o país. Seus temas e a forma como são tratados respeitam a inteligência da criança fazendo com que elas se envolvam brincando. Isso é fundamental em se tratando do público infantil.

LJ - Quem são seus ídolos na música, em quem você se inspirou?

T
- Eu comecei a estudar violão por causa do João Gilberto. Depois, queria fazer tudo o que Baden (Powell, violonista) fazia. Cresci vibrando com a Bossa Nova, com (Tom) Jobim, (Carlos) Lyra, Vinícius. Mal podia imaginar que algum dia fosse conviver com eles tão de perto. Os ídolos tornaram-se amigos, mas sempre respeitados com a dignidade que merecem.

LJ - E o que você acha da MPB atual? Tem algum artista mais jovem que você admira?

T
- A música de boa qualidade sempre terá espaço, apesar de tudo. Claro que a geração pós Bossa Nova (Caetano, Chico, Gil, MPB-4, João Bosco, Ivan Lins) continua como símbolo de excelência musical. Mas temos de observar o bom trabalho instrumental de Yamandu Costa e Badi Assad, e o surgimento de grandes intérpretes como Maria Rita, Mônica Salmaso... Tem muita gente boa por aí continuando a tradição da boa música brasileira.

LJ - Você se apresenta na próxima Virada Cultural. O que espera desse show e o que acha deste evento?

T
– É um evento democrático e necessário. O público tem o direito de realizar seu desejo de ver seus ídolos e se emocionar com eles. E essa Virada proporciona isso, em quantidade e qualidade. Para mim, é um momento especial, já que é a primeira vez que participo da Virada Cultural na cidade em que nasci, São Paulo.

LJ - Você faz muito sucesso na Itália, que foi de onde sua família veio, onde você já morou, e onde você se apresenta frequentemente. Explique esta relação.

T
- Minha ascendência contribuiu. Há uma identidade muito forte com a Itália, uma afinidade com os hábitos pessoais, com a culinária, relações familiares, futebol. A alegria espontânea das pessoas, gestos e toques carinhosos que não se vê em outros povos. Iniciei lá um trabalho que frutificou em vários sentidos: discos, shows, viagens por todo o país. Tornei-me popular com o sucesso de “Aquarela”. E mantenho essa relação com apresentações anuais na Itália. Não compreenderia minha carreira sem essa proximidade que me dá tanto prazer, acima de tudo.

LJ – Você é torcedor fanático do Corinthians, tendo inclusive feito uma música para o time. Como é essa sua relação com o time, e como você vê a decepção na Libertadores no ano do centenário?

T
- O Corinthians é uma paixão inevitável. E, como toda paixão, provoca delírios e sofrimentos. A eliminação da Libertadores fez sofrer todos os corintianos. Mas há um respeito ao time, que é forte, maduro, e que nos dará ainda grandes alegrias.

 



Rodrigo Lombardi
fala sobre seu sucesso no papel de Raj, em “Caminho das Índias”, e também de seus futuros trabalhos no teatro e na próxima novela das oito, “Passione”.

LJ - Você será um dos protagonistas da próxima novela das oito, “Passione”, de Sílvio de Abreu, que estreia em 17 de maio. Fale um pouco sobre seu personagem.

RL
- A personagem da Fernanda Montenegro tem uma metalúrgica e eu sou o Mauro, filho do motorista dela, que é o Elias Gleizer, que por sinal é meu pai pela segunda vez. Eu cresci com os filhos dela, ela pagou meus estudos e com o tempo eu me tornei o braço direito dela, o que gerou um ciúme na família. O conflito maior surge quando o meu personagem e o filho do meio dela, interpretado pelo Marcelo Antony, se apaixonam pela mesma mulher, que é a Carolina Dieckmann.

LJ - Além da novela, você vai estrear com o Fúlvio Stefanini a peça “A Grande Volta”, do belga Serge Kribus, que aborda a relação pai e filho, e que foi sucesso em vários países. Isso aumenta a responsabilidade de vocês?

RL - Isso nunca aumenta a responsabilidade, se um grande ator já fez a peça, ou se eu estou fazendo a vida de alguém. Acho que a entrega tem que ser 100% sempre, e então isso elimina qualquer peso de suas costas. Eu procuro eliminar esse peso para contribuir com tudo o que eu tenho, que é pouco. Então se eu acho que já tenho pouco, não posso deixar nada me atrapalhar.

LJ – Como é o seu personagem, o Henrique? Ele tem algo a ver contigo?

RL - Tem. Sou um pouco cabeça dura, um pouco sistemático, mas ao mesmo tempo eu sou aberto a alguém que consiga me acessar, que consiga me mostrar alguma coisa, aí eu mudo de opinião. Meu personagem também. O importante é ser aberto. Que nem uma pessoa que fala “eu sou do signo tal”. O signo tal serve para você aprender e mudar o que precisa ser mudado. “Você fala demais pelas costas”, e a pessoa responde “eu sou do signo de escorpião, meu amigo, então o mundo que tome cuidado comigo”. Não, bicho! Não é porque você é escorpião que tem que ser assim. Então eu tenho essa preocupação de procurar melhorar sempre, embora às vezes não consiga.

LJ – E como é contracenar no palco com o Fúlvio, que tem mais de 50 anos de TV e teatro?

RL
- O Fúlvio é muito generoso. Eu o conheci em “Pé na Jaca”, já fizemos uma novela juntos. A gente sempre conversava muito no camarim, falava muito de teatro, temos amigos em comum. Então quando começamos as leituras, a gente já se deu bem logo de cara. Não sei como é pra ele contracenar com um cara que está chegando aí agora, mas o Rodrigo contracenando com um cara que já está aí há muito tempo, que todo mundo adora, e que eu adoro, é sensacional. Pra mim, o sucesso do meu trabalho está aí, que é conseguir o respeito dessas pessoas. E se eu consigo o respeito dessas pessoas, a ponto delas falarem “que bom que é você que vai fazer a peça comigo”, é sinal de que eu estou no caminho certo.

LJ – Tem alguém que você admira e que ainda falta trabalhar?

RL
- Quando me fizeram o convite para “Passione”, eu pensei dez vezes se aceitaria, pois havia acabado de gravar “Caminho”. Mas aí me falaram “você vai gravar com a Fernanda Montenegro”, aí não teve jeito. Eu fiz uma novela inteira com o Lima Duarte, “Desejo Proibido”, e eu aprendi muito, nos tornamos grandes amigos. Depois trabalhei com o Toni Ramos em “Caminho das Índias”, “roubei“ muita coisa dele, um profissional sensacional. E agora vou “roubar” da Fernanda. Eu já trabalhei com o (Marcos) Caruso, Jandira (Martini), tanta gente. Mas falta muita gente ainda, minha carreira é muito curta. Não vou falar que falta alguém, acho que essas pessoas vão caindo em nossa vida.

LJ – Você também trabalhou com o Jô Soares, certo?

RL - Fizemos “Ricardo III” aqui na FAAP. Entrei no final do processo, porque eu estava em uma novela, e entrei substituindo um ator. Mas foi muito bacana. O Jô é um gentleman, um supercara, com uma cultura fenomenal, detalhista. Às vezes fazendo Shakespeare você se perde com as datas, os locais, às vezes faz um gesto pensando que tá abafando, e ele chega e diz “não, isso não tem nada a ver com Shakespeare, isso é romano”, e ele vai te corrigindo. Você pensa “que bacana, tenho que trabalhar mais pra poder acompanhar o homem”, porque o homem tem uma biblioteca na cabeça.

LJ - Você tem planos para o cinema?

RL - Eu tenho um projeto de direção para o cinema há quinze anos, desde que eu comecei a minha carreira. É uma adaptação sobre seis contos independentes de Tchecov, eu tenho o título provisório de “O Vento”, onde eu conto as histórias de pessoas comuns que habitam um hotel.

LJ – E planos para atuar?

RL - Planos eu tenho muitos, convites é que eu não tenho nenhum. Já que a gente não é convidado, a gente vai lá e faz o nosso. (risos)

LJ – Você já fez outros papéis em novelas, mas sem dúvida o Raj de “Caminho das Índias” foi o mais marcante. Por que?

RL
- Por ser novela das oito, foi minha primeira, e por vários outros fatores. O elenco, a direção... o texto da Glória Perez também é sensacional, ela antevê o que vai ser bom para aquele momento, e a Índia era um tema sensacional, um universo que me interessa muito. Acho que quando você fala de algo que te interessa, você tem um algo a mais para apresentar.

LJ – Esse papel mudou sua vida?

RL – Ele trouxe coisas para a minha vida, mas não a mudou. Minha vida está igual, continuo sendo um cara que trabalha 100% do tempo. “Ah, mas você ganhou dinheiro, mudou sua vida”. Ainda não sei. Não mexi na conta. (risos) Saí emendado, já estou em outra novela, e em outra peça. Não tive tempo. Quanto ao reconhecimento, é o que eu falei pra você. O engrandecimento da minha carreira vem com o respeito dos atores que estão ao meu redor.

LJ - É verdade que você já foi jogador de vôlei?

RL - Fui jogador de vôlei não-profissional. Disputei as categorias de base do campeonato paulista, por um clube de Mauá, chamado Independente. Pegava seis conduções por dia. Ônibus, metrô e trem, depois trem, metrô e ônibus para voltar. Depois fui morar nos Estados Unidos porque minha mãe me pagou um curso, em San Diego, que naquela época era a capital do vôlei de praia, e lá eu desisti porque não cresci. Se você não tem tamanho, não joga vôlei.

LJ – E como foi essa transição para o teatro?

RL - Eu sempre gostei muito de literatura, então foi de uma forma natural. Nem sei te dizer quando. Quando eu vi, eu já estava. Foi lendo, eu acho que um ator se mede pela quantidade de livros que já leu, e eu ainda não li nem um terço do que eu queria.



Agnaldo Rayol
, uma das vozes mais marcantes da música brasileira, revisita sua carreira e conta os planos para o show que fará em homenagem às mães.


LOGRADOUROS JORNAL - Já são mais de 50 anos de carreira...

AGNALDO RAYOL
- Na verdade já vai para 53. Eu conto minha carreira exatamente do primeiro dia que eu vim a São Paulo, em 12 de outubro de 1957, muito mocinho, cheio de sonhos. Nesse dia eu cantei na TV Tupi sem ter gravado um disco. Eu não era nem conhecido do público. Eu vinha do Rio, daí um produtor de São Paulo me convidou para cantar nesse programa e quando acabei de cantar um moço foi falar comigo nos bastidores. Eu nem sabia quem era, mas era o Cassiano Gabus Mendes, na época diretor artístico da TV Tupi.

LJ – A partir desse dia, sua vida mudou?

AR
- Naquele mesmo dia ele me propôs um programa de televisão semanal. Então eu comecei a fazer o meu programa na TV Tupi. Depois gravei o primeiro disco, em 58, em 78 rotações.

LJ – E desse disco até hoje já foram mais de 100 gravações...

AR
- Muitos. Primeiros os 78 rotações, depois, ainda em 58, gravei meus dois primeiros LPs, aí vieram outros, os CDs, enfim, muita coisa aconteceu.

LJ – De todo esse vasto repertório, você consegue definir quais foram seus trabalhos mais marcantes?

AR
– Para deixar mais vivo na memória das pessoas, vou recorrer às músicas que eu gravei para três novelas da TV Globo. “Em nome do Amor” (em Renascer), “Mia Gioconda”, (em O Rei do Gado) e depois em Terra Nostra eu gravei a abertura, que foi “Tormento Damore” (dueto com a inglesa Charlotte Church).

LJ – No dia 3 de maio você fará um show em homenagem ao Dia das Mães, que coincide com o seu aniversário. O que você preparou para esse dia duplamente especial?

AR
– Foi uma coincidência a data, vai ser mesmo um dia muito especial. Eu vou reunir músicas de todos os tempos, desde as primeiras, os maiores sucessos. Vou cantar outras, inclusive que eu gravei recentemente no meu DVD, que saiu ano passado em comemoração aos meus 50 anos de carreira, chamado “Agnaldo Rayol 50 Anos Depois” . “Romaria” e “Tocando em Frente”, que eu nunca tinha gravado, também são canções que vou apresentar nesse dia.

LJ – A sua voz é uma das mais belas e marcantes da música brasileira. Quais os cuidados que você toma?

AR
– Obrigado. Olha, quanto aos cuidados da voz sinceramente eu não tenho restrição. Eu comecei a cantar em rádio com 8 anos de idade e nunca estudei canto na minha vida. Sempre foi uma coisa intuitiva, um dom que Deus me deu e eu agradeço todos os dias. Claro que eu não fumo, não sou de beber e de vez em quando eu tomo meu vinhozinho tinto, que eu gosto muito.

LJ – Os cantores românticos não fazem mais tanto sucesso no Brasil como antigamente. Por que?

AR
- Eu acho que as coisas mudaram muito, eu não sou ninguém para julgar o que é bom ou ruim, mas procuro viver as minhas épocas e isso é bom, porque quando você tem um tempo de carreira tão longo como a minha, a do Cauby (Peixoto), e de outros, o importante é estar antenado. Mesmo que eu não cante determinados gêneros, eu sou aberto a todos eles. Não sou saudosista. Sentir saudade eu acho normal, já o saudosismo não é legal porque remete apenas ao passado. Enquanto você está vivo, atuante, tem que estar presente nas coisas do seu tempo também. No meu DVD, por exemplo, eu cantei com gente nova, e essa troca é muito legal porque o que importa é o talento que você tem. E quando ele é de verdade, será sempre reconhecido.

LJ – Quem você admira na música?

AR
– Eu gosto de muita gente, internacionalmente o Frank Sinatra é um deles, Tony Bennet, Barbra Streisand, Celine Dion. No Brasil desde que comecei minha carreira sou admirador do Cauby. Tiro meu chapéu sempre para o Roberto Carlos, que é um fenômeno, enfim muitos outros. É uma pena que o Brasil ainda não tem uma memória prá valer para cultuar os artistas mais do passado. A Globo passou uma série da Dalva de Oliveira que tem importância enorme, como tem a Ângela Maria, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Francisco Alves, Vicente Celestino, tanta gente maravilhosa que fez e faz a história da música popular brasileira.

 



João Doria Jr.
, empresário de sucesso e um dos homens mais influentes do país, fala sobre seu novo desafio, à frente do reality show “O Aprendiz”, entre outros assuntos.


LOGRADOUROS JORNAL – “O Aprendiz” é um dos maiores sucessos de audiência da Record, e para esta nova edição bateu o recorde de inscrições. Qual é a sua expectativa?

JOÃO DORIA JR. – “O Aprendiz” é um desafio que vamos realizar com profissionalismo e dedicação. Estou bastante motivado. Quem enfrenta o dia-a-dia do seu negócio gosta de desafios. Quem tem medo deles não pode vencer.

LJ - Grande marca do seu antecessor era a linha dura com que ele conduzia o programa, que o senhor já disse que não vai adotar. Qual será a sua postura?

JD - Lidero pelo exemplo, pelo ensinamento. Prefiro sempre orientar para aperfeiçoar a criticar. Cativar, ao invés de chocar. Gosto de valorizar a competência das pessoas.

LJ - Além do prêmio em dinheiro, o vencedor do programa ocupará um cargo em suas empresas. Qual será sua função?

JD - A função depende do perfil do candidato, só será definida após o programa. O grupo Doria Associados possui hoje um arco de empresas que pode receber diferentes perfis. Uma coisa é certa: o vencedor vai trabalhar, não vai ter função de marionete ou de estrela d’alva. Quero estimular candidatos e espectadores para todos entenderem a importância de acreditar no trabalho em equipe.

LJ - Mesmo contratado pela Record, o seu programa de entrevistas, “Show Business”, continuará no ar pela Band?

JD - Sim, foi uma condição que coloquei no início da conversa com a Record, por isso, continuo com o “Show Business”. Ter dois programas em canais abertos da rede de televisão em horários nobres mostra muito do meu próprio espírito. O “Show Business” segue na Rede Bandeirantes, até porque não são conflitantes. Um é jornalismo, outro é um “reality show”, conseguimos conciliar os interesses e harmonizá-los. É um fato inédito um apresentador em duas TVs brasileiras abertas.

LJ - O “Show Business” é um programa que, se por um lado não é líder de audiência, tem sua credibilidade e seu público cativo, afinal está no ar há 17 anos. Na sua opinião, qual o segredo dessa longevidade, e no que ele se difere, além do tema, em relação aos outros talk-shows exibidos atualmente?

JD - Manter um programa durante 16 anos é um desafio constante. O desafio que mais nos motiva é levar aos telespectadores informações de qualidade, de áreas diferenciadas e de temas atualizados, que contribuem e mostrem o novo. O “Show Business” é um dos mais prestigiados e importantes programas de entrevistas da TV brasileira.

LJ - O senhor é CEO da Doria Associados e já foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil pela IstoÉ, tendo criado o maior clube empresarial do país, o LIDE, que reúne grandes líderes do mundo corporativo. Até que ponto os relacionamentos são importantes nesse meio?

JD - O networking pode ser decisivo para os negócios de uma empresa. Se existem dois fornecedores com propostas em pé de igualdade, é mais provável que aquele que você conhece e confia seja o vencedor.

LJ - Quais os requisitos básicos que um empreendedor precisa para obter sucesso?

JD - Para se tornar um empreendedor de sucesso, acredito que doze pontos precisam ser adotados: Manter o equilíbrio; Acreditar no seu projeto; Ter foco; Trabalhar em equipe; Ter disciplina; Negociar soluções; Tomar decisões; Ensinar pelo exemplo; Ser perseverante; Amar o que faz; Ter vontade de ser o melhor; Ter humildade.

LJ - O senhor já participou de campanhas políticas, já foi Secretário de Turismo e presidente da Embratur. Com essa experiência adquirida, e influente como é, não tem planos de ingressar na política?

JD - Acredito que são ciclos. Já vivenciei a política e hoje tenho novos planos e desafios. O Aprendiz, por exemplo, é um deles. Quem enfrenta o dia-a-dia do seu negócio tem que buscar os desafios. Quem tem medo deles não pode vencer. Coragem é a marca dos vitoriosos. Ousadia também.

 



JAIR RODRIGUES
, grande intérprete da música brasileira, comemora neste ano 50 anos de carreira. Aqui, ele fala de sua vida, seu sucesso, sua família e de seus sonhos.


Logradouros Jornal - Você está comemorando neste ano 50 anos de carreira...


Jair Rodrigues  - Em janeiro de 2009 entrei na casa dos 50 anos de carreira, no dia 6 de fevereiro fiz 70 anos de idade, e fui lá para o teatro do Ibirapuera para gravar um cd e um DVD chamado “Jair Rodrigues – Festa para um rei negro”, com vários convidados meus, como Wilson Simoninha, Max de Castro, Rappin Hood, meu sobrinho Rodrigo Ramos, Jorge Aragão, Alcione, Pedro Mariano – filho da saudosa amiga Elis, o Jair Oliveira, a Luciana Mello, o Pelé e o Chitãozinho & Xororó. Já saiu, graças a Deus estou muito feliz, e agora estou no trabalho de divulgação desse material. Todas as terças estou também no Bar Brahma, até dezembro. E vamos viajando nesse mundo de Deus.

LJ - Qual é exatamente o marco inicial?

JR - Foi quando eu vim para São Paulo. Eu cantava muito em São Carlos, interior de SP. Cantei lá de 57 ao final de 58. Em 59 eu comecei a cantar na noite em São Paulo, que é quando eu começo a contar. Em gravações eu comecei em 62, mas como cantor da noite foi em 57. Faz até um pouquinho mais de 50 anos, mas 1959 está bom demais!

LJ - Em todos esses anos você desfilou por diversos estilos da MPB: bossa, samba, sertanejo, romântico...

JR - Quando você canta na noite, tem que cantar de tudo, não pode se especificar em apenas um ritmo. Porque na noite, você está cantando às vezes um baita de um sambão, e de repente alguém pede um bolero, uma bossa nova, música sertaneja, então eu me especializei nesses estilos aí. Desde 1965, eu já comecei a fazer essa diversificação. Eu tinha meus ídolos, que eram Agostinho dos Santos, Maisa, Zezé de Cardoso, Silvio Caldas, que eram artistas da época que cantavam de tudo, e eu vim dessa geração de cantores que me ensinaram muita coisa.

LJ - Você cantou até rap, não é? Muitos dizem que “Deixa isso pra lá” é o primeiro rap da história.

JR - Sim, em 1964. Na verdade essa música foi uma explosão né, e é até hoje. Quando eu gravei, a gente não sabia que essa música acabaria sendo o primeiro rap. Não pelo ritmo, mas pela forma de dizer ao invés de cantar em cima do ritmo, tem aquelas falas “deixa, que diga, que pensa, que fala, deixa isso pra lá...” e acabou sendo o primeiro rap gravado no mundo, não só no Brasil. Não existia no mundo inteiro, nem nos EUA, nem na Europa, nem no Japão. Então nós aqui no Brasil fomos muito felizes em lançar o primeiro rap no mundo. Então espero que a rapaziada aí por esse mundo afora possa ficar sabendo disso, que o rap não nasceu lá fora não, nasceu aqui, com “Deixa isso pra lá”, gravada por mim.




LJ - Em sua carreira, você gravou inúmeras músicas em mais de 40 discos. Consegue dizer quais são suas favoritas?

JR - Eu tenho muito mais. Discos gravados e participações, ao todo, se você contar dá quase 100 discos. Mas da minha carreira, gravações feitas por mim, são exatamente 47. Mas olha, graças a Deus, nesses 50 anos de carreira, eu pude organizar um repertorio muito bonito, sem mácula. Se eu fizer um show de quatro horas, eu posso cantar todas as músicas, todo mundo canta, e eu não dou repeteco de nenhuma. Cinquenta anos (de carreira) não é brincadeira! Mas eu tenho “Disparada”, que é a música que foi apresentada no festival de 1966, que houve até um empate em primeiro lugar com “A Banda”, que foi cantada pela saudosa Nara Leão. Considero a música da minha vida, porque surgiu em uma época maravilhosa da minha carreira. Música de Geraldo Vandré e Theo de Barros. E também gosto muito de “Majestade e o Sabiá”, de 1985, com coro de Chitãozinho & Xororó, “Tristeza”, baita de um samba que eu gravei em 1966 e hoje é conhecido no mundo inteiro. Tantas outras... “Chão de Estrelas”, de autoria do saudoso Sílvio Caldas. O próprio “Deixa isso pra lá”, que me deu um renome internacional, que quando gravei, sai divulgando em grande parte desse mundo de meu Deus.

LJ - Você já fez muitos shows fora do Brasil. Tem algum país desses que você tenha um carinho especial?

JR - Olha, primeiro eu plantei. Primeiro foram minhas músicas. Você nunca vai de repente, eu nunca fui de repente, de um dia para o outro, para os EUA, para a Europa, para o Japão. O pessoal sempre contrata a gente um ano antes. Então eu mandei meu trabalho, meu currículo musical, e lá tocavam. Quando você chegava na Europa... Na França, na Alemanha, na Inglaterra, na Itália... quando eu cheguei lá pela primeira vez, já era considerado um sucesso, porque meu trabalho já estava feito. Estive no Olimpia de Paris, estive no Teatro Sistina, na Itália. Fiz na época os grandes teatros, gravei programas na televisão. Então graças a Deus, em todos os países que eu fui, eu destaco todos. Até no Japão, onde estive em 1981, em Portugual, onde estive umas seis ou sete vezes. Agora, há dois anos estive nos Emirados Árabes, em Barhein, e não foi diferente. Minhas músicas lá, meus sambas, são conhecidos. Então, em todos esses países que eu fui, a receptividade foi muito grande.

LJ - E como é ver seus filhos seguirem os seus passos na música, e ter a oportunidade de cantar com eles?

JR - Não tem dinheiro que pague essa felicidade que Deus me deu. Desde pequenininho, o Jairzinho, que é quatro anos mais velho que a Luciana – tinha cinco e ela um, já foi comigo para a Itália, fizemos um grande sucesso no festival de San Remo cantando uma música italiana chamada “Io e te”, que significa “eu e você”. Foi um grande sucesso, e quando o Jairzinho voltou, foi logo contratado para fazer parte da Turma do Balão Mágico. Viram ele cantando essa música no Fantástico e foi imediatamente contratado. Ficou até os nove anos. A Luciana também, quando tinha cinco anos, Deus deu também essa felicidade grande pra mim de dar o dom para eles cantarem. Então estou muito feliz, tanto com a Luciana, hoje aos 30 anos de idade, casada, tenho uma neta muito linda, chamada Nina, de cinco meses. O Jairzinho, também casado, com a Tania Kalil, tenho outra neta, a Isabela, que tem dois anos. Então tanto o Jair como a Luciana batalharam, foram em busca do espaço. Hoje o Jairzinho, com 34 anos, e a Luciana, com 30, são ambos considerados uns dos maiores artistas desse país.

LJ - Se não fosse a música, o que você teria sido?

JR - Ah, isso é por Deus, né? Se Ele me deu esse dom de ser músico, de cantar, é porque não queria que eu fizesse outra coisa. (risos) Se Deus não me desse esse dom da cantar, talvez me desse dom pra fazer outra coisa. Mas fico feliz de cantar, de estar na música já há 50 anos. Não acredito que Deus tinha outra coisa preparada pra mim. Ele botou a mão na minha cabeça e disse “vai negão, vai!” (risos). E eu estou aqui até hoje.

LJ - Depois de tantos feitos realizados nessa extensa carreira de sucesso, ainda tem algum sonho a ser realizado?

JR - A gente vai vencendo as etapas da vida. Eu pensei aqui o que ainda está faltando na vida profissional, que eu gostaria muito e ainda vai acontecer, tenho certeza, é um sonho meu de se fazer um livro sobre minha vida, ou um filme. Mas enquanto vida eu tiver. Depois de morto eu não quero. Eu quero agora, enquanto eu estou vivo. Como fiquei feliz em 2006, quando o prêmio TIM me prestou uma homenagem. “Quando eu morrer, eu não quero choro nem vela, quero uma fita amarela gravada com o nome dela” (cantando a música de Noel Rosa). E o nome dela é Clodine, minha mulher e mãe dos meus dois filhos.

 

 


Fernanda Takai
, vocalista da banda pop Pato Fu, tem colhido o sucesso de seu primeiro disco solo, “Onde Brilham os Olhos Seus”, com canções de Nara Leão. Nesta entrevista, ela fala de seus projetos, da vida de mãe e também de escritora.


Logradouros Jornal - Sua carreira solo tem sido um sucesso de público e crítica. Você foi recentemente premiada pela MTV como melhor artista de MPB. Esperava tudo isso quando gravou seu primeiro solo?

Fernanda Takai - Não sabia o que esperar realmente. Se os fãs do Pato Fu iam achar estranho eu gravar um disco solo com a banda ainda em atividade, se outras pessoas estariam dispostas a me ouvir num trabalho mais de intérprete. Foi tudo feito de uma forma muito despretensiosa, mas com muita qualidade e carinho. Receber todo esse reconhecimento de volta é muito bom!

LJ - Você agora gravou um EP com a cantora japonesa Maki Nomiya. Como surgiu essa parceria, e como você se sente cantando em japonês?

FT - Sou fã da Maki há 14 anos e nunca pensei que algum dia a gente fosse cantar junto num mesmo palco. Ela também gostou muito da minha voz e dos discos que gravei. A gente ficou pensando num jeito de aproximar a música pop brasileira da japonesa, então produzimos esse disco, que tem faixas cantadas em português e japonês. Eu estudo o idioma há três anos, então tenho alguma intimidade com o que estou cantando.

LJ - Você pretende investir em uma carreira solo internacional?

FT – O Pato Fu tem ido pelo menos uma vez por ano tocar fora do Brasil, mas temos consciência de que nossa carreira tem sua força maior aqui. Já me apresentei no Japão, Portugal, Inglaterra e Estados Unidos com a banda. Talvez com a divulgação do meu DVD solo, alguns convites possam surgir para o próximo ano, pois ele tem uma força visual e sonora muito grande.


LJ - Qual a situação do Pato Fu atualmente, continua sendo prioridade?

FT - Sempre foi prioridade pra mim. O que foge ao meu controle é a demanda do próprio mercado. Se alguém quiser me contratar para o show solo, não posso ficar dizendo que é melhor o Pato Fu fazer, porque os repertórios são completamente outros. A mesma coisa com as rádios. Se elas têm tocado mais meu disco, é algo muito bom. É natural esse momento da banda, pois vamos começar a produzir o décimo disco ainda este ano e lançá-lo ano que vem. O disco mais recente é de 2007. Eu continuo querendo gravar minhas composições com a banda, fazer turnês com ela.

LJ - O Pato Fu é uma banda que sempre utilizou a internet para divulgar seus trabalhos. Qual é a sua opinião sobre o download gratuito de músicas, e como você vê o futuro do mercado fonográfico?

FT - Sou a favor de que a música seja de graça para o usuário, desde que alguém esteja pagando a conta para quem cria, produz e cuida para que o som esteja aí. O Pato Fu sempre colocou música de presente nas páginas que teve desde 1996! Mas ainda fazemos shows, temos essa receita para viver de música, mas quem só compõe, fica totalmente refém. O mercado fonográfico agora tem outro nome, que é a indústria do entretenimento em geral. Por isso as gravadoras querem ter receita nos shows, nos comerciais que artistas gravam e em tudo mais. É engraçado que estamos na época onde a música ocupa cada vez mais lugar em tudo. Celulares, TV, internet, mas a arrecadação de quem produz e cria é das piores.

LJ - E quanto à questão da lei da meia-entrada nos shows para estudantes, você é a favor?

FT - Do jeito que está não concordo muito, porque qualquer pessoa inscrita em qualquer curso temporário, de qualquer idade, apresenta uma carteira e paga metade do ingresso. Meu show solo é feito na maior parte das vezes em teatros. Sem patrocínio, não consigo sair de Minas, pagar toda a minha equipe, divulgação, hospedagem e comida pela bilheteria meia-entrada, ainda tendo que dividir com uma produção local. Por isso, alguns produtores acabam colocando o ingresso bem mais caro, porque sabem que a meia-entrada vai triunfar. O ruim é para quem realmente não tem meios para comprar um ingresso inteiro, que fica prejudicado. A regulamentação tem que ser feita de um jeito inteligente, bom para os dois lados.

LJ - Como conciliar as turnês com a vida de mãe, sua filha viaja junto? Afinal, seu marido, John, faz parte de suas duas bandas.

FT - Nossa filha não vai junto nas turnês, não sei como tem gente que leva. A vida na estrada é toda sem horários, sem qualidade de sono, às vezes de comida. Criança precisa de rotina, ir à escola, comer bem, dormir na hora certa. Quando eu viajo, minha mãe vem para nossa casa e mantém a vida da Nina (filha) nos trilhos. Raríssimas vezes ela vai, só quando temos amigos com crianças na cidade, ou algum parente querido para fazer companhia para ela. Não adiantaria muito ela ir sempre porque eu preciso dar entrevistas, passar som, fazer tardes de autógrafos etc.

LJ - Além da sua carreira musical, você também escreve crônicas para jornais, que serviram como base para o seu primeiro livro, “Nunca subestime uma mulherzinha”, lançado recentemente. Como você define seu estilo e quais são suas inspirações?

FT - Ainda é pouco confortável para mim esse título de escritora. São quatro anos e meio apenas. Ainda estou aprendendo. Escolhi os formatos de contos e crônicas pelo espaço e natureza do jornal. Meu texto é muito simples, falo muito do meu cotidiano de mãe, fiha, dona de casa. Algumas vezes falo de música. O bom de escrever com frequência, pois toda semana entrego um texto, é exercitar a disciplina e responsabilidade com prazos e com os leitores que você vai cativando. Tem gente que me lê e nem sabe que eu canto. A faixa etária também é bem variada e fico muito feliz com o retorno que recebo deles, pois meu email é publicado sempre.
Já os contos nascem sempre de uma imagem real, que me marcou, e eu transformo em alguma história inventada.



Dentro de um ano César Cielo passou de uma jovem promessa da natação a um
campeão olímpico e mundial, o maior nome do Brasil nas piscinas. “Cesão”, como é conhecido, fala sobre sua dedicação aos treinos, seus feitos e planos de buscar mais uma medalha de ouro nos jogos de 2012.

LOGRADOUROS JORNAL - Faz pouco mais de um ano que você ganhou a medalha de ouro nas olimpíadas. O que mudou na sua vida durante esse tempo?

CÉSAR CIELO
- Eu continuo seguindo a minha rotina, ou pelo menos tento.

Acho que o que mudou é que eu tenho mais tranquilidade porque agora tenho patrocinadores, estou negociando apoios para um novo ciclo olímpico. E também tenho motivação para seguir trabalhando. Mas é claro que a responsabilidade aumentou.

LJ - Você pediu dispensa da sua participação no Troféu José Finkel para descansar. Como você tem aproveitado essas merecidas férias, e até quando vai ficar longe das piscinas?

Cielo - Por enquanto, estou descansando, precisava desse tempo (Nota: Cielo está no Brasil, treinando no Pinheiros. Os treinos estão mais leves, focados na manutenção da forma física. Até o final do ano ele participará apenas de clínicas e compromissos comerciais).

LJ
- Quais são os próximos passos na carreira e os planos para o futuro?

CIELO - A partir de janeiro de 2010, volto para Auburn (EUA) para treinar para a principal competição da temporada, o Pan-Pacífico de Los Angeles, onde estarão os principais nadadores americanos e australianos. A médio prazo, meu objetivo maior é nadar bem nos Jogos de Londres/2012.

LJ
- Você é um exemplo de vontade e dedicação. Esse é o segredo para o sucesso? Como é a sua rotina de treinos?

CIELO
- Acho que é um pouco de tudo, é preciso ter biótipo, aptidão, bons treinadores, boa infraestrutura, equipamentos, meio-ambiente adequado... A rotina de preparação não é exatamente igual. Depende do volume de cada treino. Mas na rotina diária, lá em Auburn eu treinava de manhã bem cedo, de madrugada ainda. Começava a nadar por volta das 5h30 ou 6h. A piscina ficava aberta até às 9h, mas quem tinha aula na universidade às 8h terminava o treino antes. À tarde, todos voltavam aos treinos às 16h. Assim, tínhamos de escolher aulas que terminassem, no máximo, às 15h50. Eu tinha uma média de três ou quatro aulas por dia. Nos dias de treinos duplos eu me dedicava à natação por seis horas, em média. Nos dias de treinos simples eu me dedicava três horas, em média. Acho que uma rotina dessas exige muita disciplina. Então posso dizer que sou disciplinado.


LJ - Como você vê a natação brasileira atualmente? O Brasil tem a infraestrutura necessária para formar nadadores de alto nível, ou hoje é fundamental treinar fora do país?

CIELO - A natação cresceu muito este ano. Desde 2007 dizíamos que precisávamos de medalhas para provar que esta é a nova geração da natação. O mais difícil a gente conseguiu: deixar o Brasil com cara de time grande. Reclamei no passado, mas este ano tenho de dar os parabéns à Confederação (Brasileira de Desportos Aquáticos). Por isso tivemos os resultados que a gente conseguiu.

LJ - Quem são seus ídolos?

CIELO - Meus ídolos são mesmo da natação e acho que está mais relacionado com pessoas que eu vi nadar enquanto eu estava crescendo, enquanto eu era menor. São o Gustavo Borges e o russo Alexander Popov, velocistas do estilo livre, assim como eu. Fora da natação, admiro o Tiger Woods, o Lance Armstrong e, mais recentemente, tenho acompanhado os bons resultados do tenista Roger Federer. Gosto dele porque não se cansa de ganhar.

LJ
- Michael Phelps declarou ser contra os maiôs tecnológicos e eles serão banidos a partir do ano que vem. Qual a sua opinião sobre isso, e até que ponto vai alterar os resultados pessoais?

CIELO
- Não sou contra nem a favor. Sou apenas a favor da igualdade de condições. Se todos têm acesso à nova tecnologia, por que não usá-la? A evolução no esporte e no mundo é uma coisa impossível de se conter. Se mesmo com os novos maiôs ainda vemos quem é o melhor nadador, não vejo problema no uso desse novo material.


LJ - E quanto aos patrocínios, é difícil para um nadador conseguir no Brasil?

CIELO
- Sempre tive ajuda para treinar. Primeiro da minha família. Meu clube é o Pinheiros, tenho patrocínio dos Correios e fechei também uma parceria com a Arena, empresa italiana de material esportivo. Eles têm o perfil de parceria que eu estava procurando. Mas falta uma empresa brasileira, ainda, um patrocinador master, até 2012. Vim para o Brasil, depois do Mundial, pensando que agora não tem mais desculpa para o Felipe (França, vice-campeão mundial dos 50m borboleta) e eu não termos uma empresa patrocinadora no Brasil.

LJ
- Você já é o maior nadador brasileiro da história e está se tornando um dos maiores ídolos do Brasil no esporte. Como isso pode ser aproveitado para o incentivo e desenvolvimento das futuras gerações de nadadores?

CIELO
- Acho que vários nadadores tiveram um papel importante na natação do Brasil e tiveram um peso em momentos diferentes do nosso esporte.

Estou treinando e me dedicando para ser o melhor e mais rápido nadador que eu posso ser. Fico feliz por saber que tive este papel de ajudar a incutir esta mentalidade vencedora, mas também há resultados de outros nadadores brasileiros, como o Felipe França. Espero que surjam novos nomes, que a gente se ajude e divida a responsabilidade.

LJ - Deixe um recado para os jovens que sonham em se tornar um grande atleta.

CIELO - Para ser um grande atleta, acho que é preciso ter muita dedicação no que faz, comprometimento com o trabalho o tempo todo e uma boa dose de sorte.



 

 
 
 
 
 
 
 

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